sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A Ucharia, Principe Real




Se o meu apelido fosse La Fontaine e estivesse a escrever uma fábula julgo que a moral a retirar da história que vos vou contar seria "quem muito escolhe, pouco acerta". Mas vá, não deixem que este introito vos faça parar de ler o resto do texto, por esta altura já devem saber que a minha veia dramática por vezes gets the best of me.
 
Como todos sabem, o Natal traz consigo esse expoente máximo de confraternização chamado Jantares de Natal, quer sejam num restaurante ou em casa de alguém, quer juntem familiares e amigos ou colegas de trabalho, eles surgem de todos os lados e, naturalmente, nós (a.k.a. 12h30) não ficámos de fora desta tradição natalícia.

As opções foram mais que muitas mas ou era porque só se comiam bivalves ou porque serviam uma gastronomia estrangeira que inspirava pouco confiança ou porque estavam fechados no dia em que tínhamos marcado o jantar ou porque ficavam em zonas de Lisboa que não davam muito jeito. Como podem perceber, a escolha do local para jantar foi um verdadeiro banho de sangue.

No fim, depois desta chacina toda, acabámos por escolher uma das primeiras opções (senão a primeira) que circulou como possibilidade para realizamos o nosso jantar natalício (Paulo Coelho bem tinha razão... a resposta mesmo à frente do nariz). E assim lá marcámos o jantar para um restaurante que andava na boca do mundo - A Ucharia.


Chegar ao Jardim do Príncipe Real e poder escolher onde estacionar o carro é algo de muito estranho, quase a pedir um beliscão para ver se estamos acordados, visto que nesta zona de Lisboa qualquer hora é má para estacionar. Por isso ou tivemos muita sorte, ou estava toda a gente a fazer compras numa qualquer superfície comercial, onde ainda coubessem. Entretanto já perceberam que o restaurante fica na Praça do Príncipe Real, uns passos depois do início da Rua do Século, no local onde anteriormente funcionava outro estabelecimento comercial - o Orfeu.
 




Após subir os degraus que dão acesso ao restaurante, a expressão "uau" é a que melhor se adequa para qualificar o espaço com nos deparamos. As cabeças que pensaram na decoração deste restaurante estavam (muito) inspiradas quando pegaram no lápis e papel para rabiscar qual seria a decoração do espaço. E notem que este apreço vem de uma pessoa que não gosta de decorações brancas (chega-me um 2001: A Space Odyssey) mas aqui os armários, o que está dentro dos armários (grande parte produtos que se pode adquirir para levar para casa) e todo o mobiliário (com a heterogeneidade das cadeiras a sobressair) funcionam em conjunto para dar um ar tradicional mas ao mesmo tempo moderno ao espaço.

A comida servida é tendencialmente constituída por petiscos, algo com que já nos vamos habituando (nada contra, viva os ovos com farinheira!) pois virou a moda do momento (já lá vai o tempo em que a Taberna Ideal era o restaurante dos petiscos da era moderna) e as modas é como as mães, é preciso respeitá-las, pronto!

Depois de alguma negociação, por forma a escolher petiscos que agradassem às quatro boquinhas esfomeadas (se estão a imaginar as gaivotas do Nemo, não estão longe da verdade), ficámo-nos pelas fritas de batata doce, (batatas) fritas, ovos mexidos com alheira de caça, pataniscas de bacalhau e arroz de polvo. 

Enquanto esperávamos pelos petiscos fomos pedinchando pão para molhar no azeite e acompanhar com o patêzinho e o queijinho.... E foi aqui que a coisa começou a correr menos bem. Éramos quatro adultos com ar de alimento mas insistiam em trazer cestos de pão para piscos (seria uma indireta?), como se não estivéssemos num restaurante de petiscos.




Quando chegaram os pratos a cena tornou-se ainda mais caricata pois, como hei-de dizer, as quantidades eram aquém das expectativas (e, como disse anteriormente, já não é o nosso primeiro restaurante de petiscos). Mas tudo bem, toca de dividir o pão e o vinho pelos apóstolos e dar graças por termos comida sobre a mesa. As duas variantes de batatas fritas estavam boas e os ovos também não ofendiam ninguém, por outro lado o polvo devia ser daqueles que ia todos os dias ao ginásio dando, por isso, luta na altura dos mastigamentos e as (poucas) pataniscas eram a atirar para o carpaccio. Felizmente tínhamos muita conversa para pôr em dia, por isso conseguimos prolongar a refeição por algum tempo.

Quando foi a altura de escolher as sobremesas, admito que estávamos um pouco renitentes (porque seria??) mas lá nos enchemos de coragem e pedimos quatro sobremesas diferentes: mousse de chocolate, farófias, arroz doce e leite creme. Dos quatro, o único que ficou descontente foi quem comeu as farófias, os restantes obtiveram diferentes graus de satisfação, com a mousse na liderança. Há que referir, nem que seja porque foi referido várias vezes durante a sobremesa (não sei se era para eu não me esquecer...), que o leite creme era mais crème brûlée que outra coisa (mas ainda assim muito bom).

  


Quando veio a conta deu-se a machada final.... 21€pp. Pode até não ser muito mas nenhum de nós sentiu que tinha comido algo que justificasse o valor. Se calhar tivemos azar no dia ou simplesmente não é o restaurante certo para nós (como diria a Joana.... furras!). Tenho pena mas o desconsolo foi unânime apesar do atendimento ter sido simpático e a decoração do restaurante estar muito bem conseguida, a comida não nos cativou minimamente. Mas vão e experimentem pois o que uns não gostam, outros amam :-)



A Ucharia
Praça do Príncipe Real, 5A
Telefone | 917633200
Horário | Terça-feira -15h00 às 23h30
Domingo, Quarta-feira e Quinta-feira - 10h00 às 23h30
Sexta-feira e Sábado - 10h00 às 00h30




3 comentários:

Raquel disse...

Já tinha pouca vontade de ir conhecer... acho que agora não tenho nenhuma ;)

http://noz-moscada.blogs.sapo.pt

Anónimo disse...

O que me ri com a descrição do polvo.
Opah...21eur por pessoa a comer petiscos é claramente inflacionado. :(
Inescpaulo

Joana, come a papa disse...

É claramente inflacionado... eu ainda não me tinha pronunciado sobre esta experiência, mas a machadada final foi quando vi chegar para uma mesa ao lado da nossa dois pratos que vinham servidos em tachos, e adivinhem?! Os tachinhos eram iguais aos que as crianças usam para brincar... estão a ver o tamanho...

E mais não digo! :)