quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Água & Sal, Expo'98




Era noite e chovia. Era noite e chovia a potes. Era noite e chovia desalmadamente como se não houvesse amanhã. Era noite e chovia chuva molhada fria, muito fria, para a qual não havia chapéu que lhe fizesse frente. Era noite e chovia em proporções bíblicas, de tal forma que se Noé estivesse entre nós teria começado a acartar animais para dentro da arca (ou talvez para um catamarã, se fosse português, ou um Yatch, se fosse russo :-) pensando que vinha aí o dilúvio.


E foi nesta noite amena e calorosa que decidimos marcar um jantar para festejarmos o regresso a Portugal (ainda que breve) de uma grande amiga e intrépida exploradora da estepe africana :-) A escolha do restaurante foi um pouco difícil (as ideias não surgiam e a convidada tem gostos particulares…) mas, já não sei bem quem, se lembrou do Água e Sal. O restaurante fica no Parque das Nações, mais concretamente no rés-de-chão do Oceanário, à volta do qual já tínhamos andado a cirandar (figurativamente e na realidade) mas por razões de oportunidade nunca chegámos a visitar.

Mas felizmente conseguimos visitá-lo antes que feche por falta de afluência (já vão perceber o porquê desta sentença). Com as obras em curso no Oceanário, torna-se difícil encontrar a entrada do restaurante (é verdade que as condições climatéricas também não ajudaram) mas com alguma perseverança, e voltas na direcção errada, lá se consegue chegar à porta do restaurante. Dica: a entrada do restaurante fica virado para o rio, no entanto não quer isto dizer que se veja o rio a partir da mesa no interior do restaurante.

Em dias de sol, e temperaturas mais amenas, parece existir uma esplanada à entrada do restaurante que tem tudo para ser um local agradável para se estar. Depois de termos sacudido a água do capote (qual São Bernardo chamado Beethoven) fomos encaminhados para a nossa mesa. E neste momento aconteceu algo inédito… éramos e fomos os únicos clientes do restaurante. Parecia que estávamos numa sala de cinema vazia em que podíamos saltar de lugar em lugar, falar alto e atirar pipocas uns aos outros :-)


A decoração do restaurante balança entre o sóbrio, moderno e o confortável, conseguindo criar um espaço que nitidamente pretende ser acima da média. As paredes e tecto de cimento não criam a sensação de austeridade ou modernidade, muito graças aos elementos decorativos (gostei especialmente dos candeeiros de tecto) e ao chão de madeira. 

Quem nos atendeu foi simpático e atencioso (sim, eu sei, não era difícil visto sermos os únicos no restasurante mas isso nunca impediu que a coisas corressem mal) e deixou-nos à vontade para escolher os pratos devidamente acompanhados por couvert (diferentes tipos de pão, azeite e "coisas" para colocar no pão). Infelizmente houve quem tivesse levado o couvert demasiado a peito, ou melhor dizendo a estômago, e depois não conseguisse comer o prato principal :-), por isso controlem-se.

Depois de um longo momento de indecisão, ficámo-nos pelo peito de frango recheado com patê de farinheira, parrilhada mista, batatas à provençal e espetada de frango. Estavam todos muito bons e em quantidades mais que boas (tendo em vista o aspecto do restaurante poderia acontecer). Depois de deixar assentar a comidinha, e de dar alguns saltos na cadeira para arranjar espaço no estomâgo lá atacámos as sobremesas... e foi aqui que a coisa se complicou :-)

Quando se dá o nome de vulcão a uma sobremesa é bom que ela encha o olho, certo? E não é que fomos enganados?! Quando a montanha pariu um rato, ou melhor dizendo quando um vulcão pariu um petit gateaux, só me apeteceu gritar: trafulhas! vandalos! isto de enganar sobremesólicos devia dar prisão! Felizmente não cabia mais do que um petit gateux no meu estômago, senão iam ver! :-)  O crumble de maçã com natas frias também não estava brilhante (bem pelo contrário) e só mesmo a Pavlova se safou.

No fim lá desenbolsámos 22€ pp, não muito distante do que já esperávamos tendo em vista o preço dos pratos e o tipo de restaurante.

Julgo ser um bom restaurante, quer a nível de comida quer ao nível do ambiente criado à nossa volta, que me pareceu quase a tender para o romântico.

Localização
Esplanada Dom Carlos I, Oceanário de Lisboa (Parque das Nações)
1990-005 Lisboa
Telef.218936189
Horário: 9:30 às 24:00 |Domingos 10:00 às 24:00
Encerramento: não encerra

 

1 comentário:

sininho disse...

Grande Noite, Grande Noite!

Tenho algumas coisas a comentar, primeiro que mais "assustador" que sermos os únicos num restaurante ou sala de cinema, foi o que aconteceu a mim e à nossa convidada de honra, as únicas passageiras de um voo comercial, medo, muito medo.

Depois, estava com fome e por isso ataquei, com alguma violencia diga-se, as entradas. Mas não deixei de comer a parrilha mista, que estava muito boa.

A grande questão com o Sebastião e vulcões chama-se Café Buenos Aires. Depois de ver o que é um vulcão por aqueles lados, a vida já não é vista da mesma forma, e muito menos os vulções. :)