quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Castella do Paulo, Baixa

     




Ora aqui está um local que realmente ou se gosta de paixão ou então.... não. Podem argumentar que esta frase é aplicável a qualquer local gastronómico a que já fomos e aqui partilhámos mas, não sei explicar porquê, nesta ocasião parece-me fazer mais sentido. Pelo menos foi essa conclusão a que cheguei depois de ter ido conhecer este local tão falado e ter ficado sensivelmente desiludido. Como por vezes digo, nada especialmente contra mas também nada a favor.

O Castella do Paulo fica na Rua da Alfândega (muito perto do Café do Rio, Terreiro do Paço e Campo das Cebolas), ocupando um espaço que apesar de pequeno está bem aproveitado e decorado, apresentando uma mistura entre o típico português (com as suas paredes com azulejos com aspecto antigo até meio da parede) e influências asiáticas (desde as toalhas ao serviço de chá).

Parece que o actor principal desta companhia teatral é o Pão de Castella. Como não morro de amores por pão-de-ló, e o ex-libris desta casa de chá não é mais do que pão-de-ló doce com diferentes sabores (chá verde, chocolate ou simples), não fiquei fã do Castella. Mas, se pelo contrário forem apreciadores deste tipo de bolo, possivelmente vão ficar fãs :-) Experimentámos também o Máchá Meronpann (brioche de chá verde) que tinha um sabor a chá verde muito intrigante mas melhor que o Castella. O chá verde propriamente dito, bem... se eu disser demasiado verde julgo estar a ser justo, parecia que alguém tinha cortado a relva do jardim, a tinha colocado dentro do bule com água a ferver e servido como chá (pior sabia mesmo a isso!).



Aconselho a experimentarem (sim, é verdade apesar do tom depreciativo que podem detectar no que foi escrito) pois parece-me que paladar diferente do meu podem vir a apreciar o local. Há! tentem ir antes das 18h pois as opções de escolha vão-se reduzindo (o que é compreensível, eu sei) e não se assustem se muitos produtos têm um aspecto esverdeado (efeitos secundários do uso de chá verde).

Curiosidade... sabem aqueles sensores que existem em várias lojas e que apitam quando alguém entra ou sai? Bem, imaginem isso mas em vez de um apito ouvem Boa tarde! Adeus!, over and over again sempre no mesmo tom de voz monocórdico e mecanizado. E se por momentos poderia pensar que era um sensor que o fazia, pela rapidez e constância no tom, redondamente enganado, era mesmo a senhora que atendia que emitia tal som. Eu sei que ela o fazia por educação e simpatia mas saí do Castella com a ladaínha na cabeça :-)....Boa Tarde! Adeus!Boa Tarde! Adeus!

Localização
Rua da Alfândega 120 | 1100-116 Lisboa
Telf: 218 880 019
Horário: 2ª a 6ª das 07h30 às 19h30 | Sábado das 12h00 horas às 19h30

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Casa do Alentejo, Portas de S. Antão

 
  

Quando uma pessoa faz anos é obrigatório festejá-los. Ponto! Não precisa ser no próprio dia (a premissa é válida até onde nos levar o coração ou a vontade...) e mesmo que não represente uma necessidade para o aniversariante (normalmente a vontade de fazer festa é inversamente proporcional ao número que figura nas velas, especialmente se for uma aniversariante). A malta quer é jantaradas para conviver e qualquer desculpa é válida para o fazer (e precisamos de desculpas? não, não precisamos mas se tivermos melhor ainda).

Como já perceberam, isto tudo para dizer que a visita à Casa do Alentejo resultou da necessidade premente e incontornável de festejar o aniversário de alguém que não o queria festejar :-) Pronto fez-se difícil no início mas depois até foi a própria aniversariante a fazer a reserva (à última da hora mas no fim correu tudo bem :-). Nunca tinha visitado a Casa do Alentejo apesar de já ter ouvido falar e lido alguns comentários sobre este restaurante, e de passar com frequência à porta vindo da Carbono (antro de perdição para quem, como eu, não se importe de comprar cd's em segunda mão ao preço da uva mijona :-), o que me deu a chance de escrever mais um "poste".

Fachada do palacete

É certo e sabido que o ambiente criado pela decoração do espaço onde se come influi (e muito) na obtenção de uma boa experiência gastronómica. Por isso para mim a Casa do Alentejo foi um verdadeiro quebra cabeças. Eis um local que dispara em tantos sentidos estéticos que só o facto de conhecer o intetrior do edifício constituti por si só um verdadeiro evento cultural. Especialmente quando a fachada do "prédio" (na verdade um palacete chamado Alverca ou Paes do Amaral) nada indicía, mesmo nadica de nada, do que existe no seu interior. Temos um pátio árabe, um salão de baile e por fim o restaurante Casa do Alentejo com as suas paredes cobertas com azulejos.

Salão de baile
Pátio interior

Casa do Alentejo (sala da esquerda)

Casa do Alentejo (sala da direita)

As duas salas que dizem respeito à Casa do Alentejo, apesar de partilharem um mesmo ar de estarmos a entrar num restaurante que transpira portucalidade, têm diferenças quer ao nível do mobiliário quer ao nível dos azulejos. Assim que nos sentámos na mesa começámos logo a tarefa de descobrir o que queriamos comer. Houve duas facções na mesma mesa, os que foram a um restaurante alentejano comer comida alentejana e os que foram a um restaurante alentejano comer peixe grelhado (buuuuu!).

A fracção, vamos-lhe chamar coerente, comeu um belo prato de migas com entrecosto frito e costeletas de borrego com arroz de coentros, e que bom que estavam! A outra fracção comeu lombinhos de salmão e dourada grelhados que estavam (que surpresa...) nada de especial.


Sobremesas
Quando chegámos à sobremesa, as fracções fizeram as pazes e pedimos dois pratos com três fatias de diferentes doces regionais: tarte de requeijão, sericá (daquela que quase parece tijelada) e encharcada. E estavam fantásticos!

Depois de cafezinho e algum tempo para deixar assentar a comidinha, pedimos a conta e ficámos contentes em pagar 15€ pp.

Um último apontamento, inevitável por tão caricato e marcante que foi para todos os presentes, que diz respeito ao "belo" do atendimento.... Calhou-nos um jovem brincalhão para lá do devido que depois amuou por nos estarmos a rir, não daquilo que ele dizia naturalmente, mas do idiotismo da situação. Não foi mau o suficiente para estragar o ambiente mas foi chato muito chato.

Aconselho uma visita ao local e se não quiserem jantar podem lanchar ou petiscar num bar que existe ao fundo do salão de baile.

Localização
Rua das Portas de Santo Antão, 58
1150-268 Lisboa
Tel.: 213405140
Horário: 12:00 às 15:00 e das 19:00 às 23:00
Animação: Presença de grupos cantares alentejanos e bailes aos Domingos.
Encerramento: não encerra


   
  

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Água & Sal, Expo'98




Era noite e chovia. Era noite e chovia a potes. Era noite e chovia desalmadamente como se não houvesse amanhã. Era noite e chovia chuva molhada fria, muito fria, para a qual não havia chapéu que lhe fizesse frente. Era noite e chovia em proporções bíblicas, de tal forma que se Noé estivesse entre nós teria começado a acartar animais para dentro da arca (ou talvez para um catamarã, se fosse português, ou um Yatch, se fosse russo :-) pensando que vinha aí o dilúvio.


E foi nesta noite amena e calorosa que decidimos marcar um jantar para festejarmos o regresso a Portugal (ainda que breve) de uma grande amiga e intrépida exploradora da estepe africana :-) A escolha do restaurante foi um pouco difícil (as ideias não surgiam e a convidada tem gostos particulares…) mas, já não sei bem quem, se lembrou do Água e Sal. O restaurante fica no Parque das Nações, mais concretamente no rés-de-chão do Oceanário, à volta do qual já tínhamos andado a cirandar (figurativamente e na realidade) mas por razões de oportunidade nunca chegámos a visitar.

Mas felizmente conseguimos visitá-lo antes que feche por falta de afluência (já vão perceber o porquê desta sentença). Com as obras em curso no Oceanário, torna-se difícil encontrar a entrada do restaurante (é verdade que as condições climatéricas também não ajudaram) mas com alguma perseverança, e voltas na direcção errada, lá se consegue chegar à porta do restaurante. Dica: a entrada do restaurante fica virado para o rio, no entanto não quer isto dizer que se veja o rio a partir da mesa no interior do restaurante.

Em dias de sol, e temperaturas mais amenas, parece existir uma esplanada à entrada do restaurante que tem tudo para ser um local agradável para se estar. Depois de termos sacudido a água do capote (qual São Bernardo chamado Beethoven) fomos encaminhados para a nossa mesa. E neste momento aconteceu algo inédito… éramos e fomos os únicos clientes do restaurante. Parecia que estávamos numa sala de cinema vazia em que podíamos saltar de lugar em lugar, falar alto e atirar pipocas uns aos outros :-)


A decoração do restaurante balança entre o sóbrio, moderno e o confortável, conseguindo criar um espaço que nitidamente pretende ser acima da média. As paredes e tecto de cimento não criam a sensação de austeridade ou modernidade, muito graças aos elementos decorativos (gostei especialmente dos candeeiros de tecto) e ao chão de madeira. 

Quem nos atendeu foi simpático e atencioso (sim, eu sei, não era difícil visto sermos os únicos no restasurante mas isso nunca impediu que a coisas corressem mal) e deixou-nos à vontade para escolher os pratos devidamente acompanhados por couvert (diferentes tipos de pão, azeite e "coisas" para colocar no pão). Infelizmente houve quem tivesse levado o couvert demasiado a peito, ou melhor dizendo a estômago, e depois não conseguisse comer o prato principal :-), por isso controlem-se.

Depois de um longo momento de indecisão, ficámo-nos pelo peito de frango recheado com patê de farinheira, parrilhada mista, batatas à provençal e espetada de frango. Estavam todos muito bons e em quantidades mais que boas (tendo em vista o aspecto do restaurante poderia acontecer). Depois de deixar assentar a comidinha, e de dar alguns saltos na cadeira para arranjar espaço no estomâgo lá atacámos as sobremesas... e foi aqui que a coisa se complicou :-)

Quando se dá o nome de vulcão a uma sobremesa é bom que ela encha o olho, certo? E não é que fomos enganados?! Quando a montanha pariu um rato, ou melhor dizendo quando um vulcão pariu um petit gateaux, só me apeteceu gritar: trafulhas! vandalos! isto de enganar sobremesólicos devia dar prisão! Felizmente não cabia mais do que um petit gateux no meu estômago, senão iam ver! :-)  O crumble de maçã com natas frias também não estava brilhante (bem pelo contrário) e só mesmo a Pavlova se safou.

No fim lá desenbolsámos 22€ pp, não muito distante do que já esperávamos tendo em vista o preço dos pratos e o tipo de restaurante.

Julgo ser um bom restaurante, quer a nível de comida quer ao nível do ambiente criado à nossa volta, que me pareceu quase a tender para o romântico.

Localização
Esplanada Dom Carlos I, Oceanário de Lisboa (Parque das Nações)
1990-005 Lisboa
Telef.218936189
Horário: 9:30 às 24:00 |Domingos 10:00 às 24:00
Encerramento: não encerra

 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Empório do Chá, Pç Londres




O Empório Contra-Ataca! Desde o momento em que ouvi o nome desta casa de chá que tinha o desejo secreto de fazer esta piada (para a grande maioria de vós considerada seca ou desesperada, mas enfim estou habituado a ser incompreendido :-) mas como não fazia muito sentido resisti ao impulso...até agora!

Depois de um longo período de obras, considerado por muitos longo demais, o Empório do Chá  reabriu na Avenida de Paris mas, como diriam os Deolinda, na porta ao lado. Esta mudança de porta veio colmatar um dos principais (e  talvez único) problemas desta casa de chá, poucas mesas disponíveis para a procura que tinha. 

Entretanto passaram a existir dois pisos para se poder sentar e desfrutar os magníficos chás e (não menos importantes) acompanhamentos. Digam lá se a bela fotografia do bolo de chocolate que assassinámos (talvez com menos perícia que o Dexter, mas enfim...) não merece destaque? Já para não falar do cheesecake e da tarte de maçã e leite condensado que igualmente vieram para a mesa (que já se revelava pequena para tanto pecado) e que estavam fantásticos.
 

As salas não são enormes mas estão inundadas de luz natural e com uma decoração que as torna amenas, com aquela luz e calor que parece estarmos a beber chá, conversar ou abocanhar metade de uma tosta num dia quente de primavera. Mais ainda, a cave dá acesso a uma esplanada que, quando o frio e a chuva nos largarem, tem potencial para ser um local muito agradável para beber um belo dum chá gelado.

Se no antigo Empório a escolha do chá era uma tarefa difícil, agora a escolha é tanta que são precisas horas para tentar decidir. Caso não consigam mesmo decidir-se, o meu conselho é pedirem ajuda a quem vos atender, são pessoas mega prestáveis, simpáticas, com uma paciência sem limites e conhecem bem os chás que vendem.

Bom chá das cinco e se chegarem ao Empório e este estiver cheio não desesperem e tentem novamente... vale bem a pena.


Localização
Avenida de Paris 17A, 1000-229 Lisboa
Encerramento: Domingo
Horário: 2a a Sábado, das 09:00 às 17:00
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