terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Sushihana, Porto






Tenho a sorte de ter bons amigos, e estes são como família. Não falamos todos os dias, temos todos muitos afazeres no dia a dia. Mas, saber que estão à distância de um telefonema aquece-me o coração, deixa-me um pouco mais feliz, apenas por existirem, por serem pessoas magníficas, por serem amigos.

Foi com eles que fui, duas vezes no espaço de dois meses, ao sushihana.

A minha relação com sushi tem vindo a alterar-se com o tempo, inicialmente desconfiei, depois provei e não gostei. Então, disseram-me: tens de provar um bom sushi para realmente teres uma opinião. Assim o fiz, e não gostei. Algum tempo depois voltei a experimentar, e agora, adoro. Não sei se foi por insistência que passei a gostar (fake it, until you make it), a verdade é atualmente é o tipo de restaurante onde acho que vale a pena pagar o escândalo que normalmente nos cobram.







O sushihana é um dos spots do Porto, o pessoal que o frequenta é giro, bem vestido, com requinte, como só no Porto o pessoal sabe ser. Engraçado este fenómeno no Porto, enquanto que em Lisboa somos mais estereotipados, todos tentamos ter o mesmo tipo de comportamento, no Porto o pessoal ou é muito mais relaxado do que os lisboetas ou muito mais requintado. Não estou a referir-me a escalões sociais, é um fenómeno mais ou menos transversal. É preciso ver de perto!

O sushihana tem uma decoração minimalista (como qualquer bom restaurante japonês), muito bem conseguida, e uma equipa totalmente brasileira (formados na maior colónia japonesa do mundo - São Paulo) que prepara o sushi num balcão aberto para a sala.


O pedido é sempre o mesmo: Festival. Ou seja um crepe para iniciar as hostilidades, e depois uma variedade enorme de sushi, em modo: sempre a vir. Já temos um ritual, assim que o primeiro prato poisa na mesa, pedimos a preparação do próximo, e assim sucessivamente. Se não estou em erro, nunca passamos do quarto prato. 


Pela discrição anterior é expectável que não tenha opinião formada sobre as sobremesas. Existem, que já as vi passar. Mas, depois de tal repasto, não existe lugar para sobremesa. Se lugar houvesse era para mais um prato de sushi. 

Os preços estão adequados ao tipo de comida e de restaurante, um festival fica por 19 euros, e a isto soma-se as bebidas e cafés. Não há bela, sem senão. Mas, se é para investir numa boa refeição de sushi, este é o local. 



Sushihana
Rua Prof. Mota Pinto 138
4100 Porto
tel: 224 045 549/916 551 972
www.sushihana.pt



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Mercado de Campo de Ourique, Lisboa






Estava num daqueles dias que queria ir, sair, fugir, ir para longe, voltar para Londres, para qualquer lugar onde ninguém me conhecesse e eu não conhecesse ninguém. Estava num desses dias, onde estar parada não era solução, apetecia-me estar em qualquer lugar, menos ali (o ali era qualquer lugar).

À falta de poder entrar no próximo avião que estivesse a partir da Portela (não me perguntem o que me impedia de o fazer, pois não sei responder), telefonei a um amigo e desafiei-o a qualquer coisa, qualquer coisa que não fosse ficar parada.

Fomos ao renovado Mercado de Campo de Ourique. 

Novo lugar da moda, frequentado por gente bonita, e completamente apinhado numa terça-feira à noite (voltei no dia seguinte e continuava apinhado). Apesar de parecer pela descrição que estou a falar de um local todo '"posh", nada disso, o ambiente é descontraído e propicio a estar calmamente a beber um copo, a comer uns petiscos, ou um prato principal. Óbvio que enquanto o espaço for novidade o conforto estará um pouco reduzido devido ao número de pessoas existente no espaço.

A variedade de comida é grande, há de tudo como na praça. A oferta esta dividida em bancas, dentro do espírito do mercado. Existem bancas de comida, outras de bebidas e uma de sobremesas. As bancas de comida dividem-se em carne, hambúrgueres, sushi, petiscos, marisco (têm ostras, ficou debaixo de olho) e tapas. Agora assim de repente não me lembro de mais nenhuma. As bancas de bebidas são duas, uma de vinhos, onde se pode pedir copo ou garrafa, e outra onde se pode encontrar cocktails e bebidas não alcoólicas. 




No primeiro dia optei pela banca da carne, e por uma picanha em pão acompanhado por uma dose de batatas fritas cortadas em gomos. Para beber fui fazer amizade com os senhores dos cocktails, que são do As de Copos, e fizeram-me uma bebida com morango, manjericão e rum. Ficou prometida para uma próxima visita uma bebida com coentros (há que manter a mente aberta). 



No dia seguinte, já com conhecimento de causa comprovei a minha percepção do espaço. Muito bom gosto na renovação, espaço simpático e muito bem frequentado (não chega ao nível da praça central de Milão - horas tão bem passadas - mas já não está nada mau). 

Desta vez optei pelos hambúrgueres com batata frita, e estreie-me nas sobremesas. O que eu gosto de sobremesas... Será que é possível viver apenas de sobremesas sem virar um alambique com pernas? Como não sou nada gulosa atirei-me a um gofre com uma bola de gelado, assim para o gigante, de straciatella com pedaços (não eram pepitas, eram pedaços consistentes) de chocolate preto e branco, e cobertura de chocolate quente. Isto porque já tinha acabado a nutella... porque se não tinha sido outra desgraça completamente diferente. 



Para comprovar que este é mesmo um espaço para ficar à conversa com os amigos, ficamos até um segurança com ar de poucas brincadeiras nos solicitar a saída. A conversa estava a fluir, depois de passada a hora de ponta, até ás 22h, o espaço fica mais vazio e com os níveis de glicémia repostos a conversa animou, falamos de tudo e rimos muito das palermices que nos fomos lembrando.

Quanto a preços, a refeição sem bebida fica por menos de 10 euros. O gelado ficou por 4 euros.  

Lugar a revisitar, revisitar e revisitar. Para quem não goste muito de confusão, será melhor deixar passar algum tempo, para conseguirem com mais facilidade um lugar sentado. Local fantástico para passar um grande momento.





Mercado de Campo de Ourique
Rua Coelho da Rocha
Campo de Ourique

Domingo a Quarta-feira - 10h - 23h 
Quinta-feira a sábado - 10h - 01h


Nota: foto do exterior retirada de http://www.cm-lisboa.pt. As fotos da comida foram tiradas com o iphone, cuja câmara não é grande coisa para fotos de interior. 




terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Confeitaria LX, Avenida Roma










E assim de súbito, sem aviso prévio, sem um sinal de alarme ou o tocar de um carrilhão surge mais uma padaria. Chamem estas novas padarias de modernas, contemporâneas, avantgarde, grunge, punk-rock ou renascentistas, no fundo tanto faz, o engraçado é que são cada vez mais e isso é bom.

Não quero com isto dizer que os cafés deviam virar todos padarias, não senhor!, apenas é bom ter um local diferente onde ir uma vez ou outra para variar. Existirá sempre espaço (e clientes) para os cafés a que estamos habituados, com os seus balcões frigoríficos envidraçados, as lâmpadas fluorescentes intensas, as lâmpadas UV para matar as moscas e os empregados de camisa branca que vêm perguntar o que queremos comer, fazendo variar os seus modos entre o tom simpático e brincalhão (especialmente se já somos clientes habituais) e a cara fechada e tom seco de quem não tem tempo a perder (e ai de quem tenha dúvidas sobre o que pretende).
 
A ConfeitariaLx (ConLx) está dentro desta nova leva de cafés a que chamamos padarias, ficando localizada em plena Avenida de Roma no lugar anteriormente ocupado, se a memória não me atraiçoa, por uma dependência do Millennium BCP. Para quem conheça melhor a zona, a ConLx fica quase em frente a uma casa cujo nome não precisa de apresentações, o Frutalmeidas (concorrência!), e no seguimento do Centro Comercial Roma e Florista Roma.


O espaço está decorado de uma forma que convida a entrar e estar, comer e conversar, ficar e saborear, afastando o sentimento de que depois de se ter acabado de comer está na altura de ir embora (exceto na hora de almoço.... aí é comer e dar a lugar ao próximo, pois somos muitos a querer almoçar, por isso sejam simpáticos e não façam sala). A ConLx tem uma esplanada mesmo à frente da porta, em plena calçada da Avenida de Roma, e no interior tem duas salas separadas pelo balcão e uns quantos degraus.

O atendimento é rápido e expedito a responder a todas as questões que nos surgem..."O que é aquilo?" "Tem o quê lá dentro?" "Pode torrar ou prensar?" "Pode cortar o pão numa diagonal perfeita de 45º?"...que tendo em vista a oferta são muitas as perguntas. Já lanchei, almocei e levei para casa.... bem, o objectivo era levar para casa mas, pelo caminho, fui dando bicadas, bicadas, bicadas, bicadas que no fim fiquei sem nada (muito antes de chegar a casa).

Os croissants são excelentes, o pão é excelente, os sconnes são excelentes, a comida de prato foi excelente (comi hambúrguer com batatas fritas mas posso atestar que o outro prato do dia também tinha excelente aspeto...escalopes de perú com ameixa). Até os pastéis de nata são excelentes.... de comer e não dar a ninguém, nem uma dentadinha.

Eu sei que me hão-de desiludir em alguma coisa, para já ainda não tive razão de queixa. Mas ainda existe muito mundo para comer, portanto deixemos em aberto a possibilidade de desilusão...


Vou agora constatar o óbvio. A variedade da oferta é como uma ELISA competitiva... inversamente proporcional. Ou seja, quanto mais tarde forem menos variedade têm... e acreditem que a redução é drástica... as vezes que fui lá lanchar, sempre ao fim da tarde, tinha algumas coisas mas as opções eram limitadas ao stock existente... agora quando fui à hora de almoço...abriu-se um novo mundo... qual Cristóvão Colombo a descobrir novas terras!

Por último, mas importante também, a ConLx fica na Avenida de Roma por isso estacionar é algo que exige uma chávena de paciência, uma pitada de sorte e mexer rua acima, avenida abaixo. Não há bela sem senão.

Aconselho vivamente e bons lanches!


Confeitaria LX

Av. Roma nº 46 B
1700-348 Lisboa
21 840 06 60
Horário: 8h30 - 20h00
Encerrado ao Domingo