terça-feira, 26 de janeiro de 2016

The Fish and Chip Shop, Belém





A primeira, e única, vez que tinha provado fish and chips foi num momento de loucura. Era a ultima noite de um fim-de-semana alargado em Londres, no dia seguinte de madrugada tinha de apanhar o avião, e como tinha libras no bolso decidi aburguesar e jantar no restaurante do Jamie Oliver em Covent Garden. Decidi-me por uns fish and chips, na esperança de como era num restaurante mais fancy o prato não fosse tão mau como todos diziam que era. O prato estava divinal e nada gorduroso como tantos o descreviam. Quis o destino que os empregados se esquecessem de mim e por ter esperado mais de uma hora decidiram oferecer-me a refeição.

Foi esta história que aconteceu já há uns 3 anos que inspirou a minha vontade de experimentar o restaurante Fish and Chips em Belém.

O ambiente
O restaurante fica na rua do comércio do bairro de Belém, mesmo em frente ao famoso Careca. É um espaço pequeno, decorado de uma forma simples em tons de branco e mesas e bancos corridos em faia. O ambiente é simpático, no entanto não convida a refeições muito demoradas, pelo tamanho da casa e pelo conforto dos bancos.

A comida



Não tem muito que enganar, o nome diz tudo! Há o fish e as chips. Como “peixe” pode pedir-se choco (por isso as aspas no peixe) ou o tradicional bacalhau fresco. Existem ainda 5 variedades de molho para acompanhar. Optei pelo bacalhau fresco e molho tártaro picante. O bacalhau estava muito bom! Fresco, suculento, nada gorduroso, de comer e chorar por mais.

O fish and chips é um tipo de comida considerado portátil e talvez por isso seja servido numa cesta com papel e não são dados talheres, até aqui tudo pacífico! No entanto a comida tinha sido feita naquele momento, o que levou a dois previsíveis eventos: queimei os dedos ao tentar comer, o que me fez ir pedir talheres, e o papel que revestia a cesta desintegrou-se, o que levou a que no final estivesse a tentar separar os pedaços de papel branco dos pedaços de bacalhau.




Existe ainda a possibilidade de pedir um refresco de sabugueiro. Provei um pouco, mas como é servido sempre com açúcar, achei muito doce.

A conclusão

A comida é deliciosa e não há que temer o excesso de gordura. No entanto o restaurante poderia repensar a forma como serve os pratos. Já que são para ser consumidos dentro do restaurante poderiam utilizar pratos e talhares. 


The Fish and Chip Shop
Rua Duarte Pacheco Pereira, 26C, Belém
Tel: 215886081
Horário: Ter a Dom 12h-23h

sábado, 23 de janeiro de 2016

Jockey, Campo Grande




Se a associação das palavras hipódromo e Campo Grande vos parecer estranha não faz mal, acontece a muito boa gente, no entanto desde 1930 que existe um Hipódromo no Campo Grande. E sim, estou a falar do Campo Grande em Lisboa e não de Campo Grande no Ribatejo (que não existe). E sim, estou a falar de um hipódromo e não do Estádio Universitário, apesar de ficarem perto um do outro.


  

Um restaurante dentro de um hipódromo? E porque não. Especialmente depois de ver a ementa e as fotos do espaço, não havia razão para pensar duas vezes ou ter cold feet (que efectivamente tive mas foi por causa da chuva e frio que se faziam sentir na noite em que lá fomos jantar, nada teve a ver com arrependimentos).
 
Na teoria, chegar ao hipódromo do Campo Grande é fácil, fácil, tão fácil que ir ver à internet até causa algum embaraço. Na prática, essa facilidade esgota-se quando se chega à entrada do Hipódromo, depois disso é preciso querer mesmo chegar ao restaurante. Com chuva, escassa iluminação pública, crateras na "estrada" e uma sinalização episódica e eventual, quando estacionei perto do restaurante, apenas me ocorreu pensar, como é que consegui? Claro que com bom tempo tudo será mais fácil e de dia então, um espetáculo! Em dias mais negros, há que ter espírito de aventura (e um jipe). Ponto positivo, não há dificuldade em arranjar estacionamento.




E eis que surge um letreiro bem visível, talvez realçado pela escuridão que nos rodeia, a identificar o edifício onde fica o restaurante. Um grande bem haja a quem teve a ideia de o fazer pois como podem ver, a entrada do restaurante não podia ser mais discreta.

Do outro lado da porta, existe outra porta que abre para uma sala de jantar completamente inesperada, especialmente depois de tudo o que deixámos para trás, no caminho até aqui. De repente as minhas calças de ganga sentiram-se incomodadas, desejando ser de outro material qualquer ou, pelo menos, de uma cor menos ganga. Tinha visto fotografias do restaurante mas minimizei a coisa, ao deparar-me com a sala ao vivo e a cores percebi que não eram exageradas. Realmente é uma sala decorada com uma sobriedade e, na falta de melhor palavra, classe, onde tanto se podem realizar jantares românticos, jantares de família ou fechar negócios milionários. 




A sala tem duas áreas distintas, uma área de mesas, junto às janelas, e outra de boxes onde é possível ter uma maior privacidade. As divisórias entre as boxes fazem lembrar as divisórias que existem nas cavalariças para separar os cavalos (eu quero chamar-lhes baias mas tenho receio de lhes estar a chamar um nome feio). Tudo decorado com um gosto simples e sóbrio mas algo requintado, fazendo com que uma pessoa se esqueça completamente que existe todo um mundo lá fora. 

Após nos sentarmos na nossa mesa, foi-nos servido o couvert e apresentada a ementa. Ambos escolhemos a bruscheta de camarão como entrada, tendo depois divergido em termos de pratos principais, eu pedi os bifinhos de veado com molho de três pimentas e a minha companhia costeletas de vitela mertolenga ao maitre D'Hotel.

Não poderíamos ter aberto as hostilidades de melhor forma, a bruscheta estava para lá do divinal. Saborosa, temperada no ponto, de comer e pedir encore. Só de escrever sobre ela cresce-me água na boca.


Bruscheta de camarão


Ao fim de algum tempo vieram então os pratos principais. Muito bem servidos em termos de carne, sendo acompanhados por batata frita e esparregado. A carne estava muito bem temperada, macia, sem oferecer qualquer resistência à faca que calmamente a ia separando do seu todo. Nunca tinha experimentado carne de veado, não é má mas não achei que tivesse um sabor que a distinguisse de forma preponderante de outras carnes vermelhas. O molho de três pimentas estava ótimo, tanto que não resisti em molhar o pão no molho (sim, a problemática das calças de ganga já estava para trás das costas, já tinha voltado a ser eu próprio, alguém sem grande respeito pela etiqueta).


Costeleta de vitela
Bifinhos de veado


Nas sobremesas é que a coisa não correu tão bem, pelo menos para quem teve a infelicidade de escolher o bem-bom de chocolate (not me!), pois quem comeu o Mil folhas de arroz doce não poderia ter ficado mais contente. Que surpresa magnífica! O arroz doce ainda vinha quente, com uma consistência aveludada que (pensava eu) só a minha mãe conseguia, com a quantidade de doçura perfeita (detesto doces demasiado doces) e o toque original das mil folhas.

O bem-bom de chocolate pois blagh.... não era mau de intragável mas simplesmente também não era fantástico, especialmente ao lado do arroz doce.


Mil folhas de arroz doce
Bem-bom de chocolate


Não é um restaurante barato, pois que não é. Quem não pretende deixar 30€ pp (ou mais) num jantar, embora a comida seja ótima, o espaço tenha um ambiente e decoração excelente e o atendimento não poderia ser mais atencioso e prestável, poderá fazer como nós fizemos e ir na altura do Restaurant Week. Foi uma excelente escolha.

E quem sabe, num dia de devaneio, venha até ao Jockey para comemorar uma qualquer ocasião especial. Fiquei fã do restaurante, algo que nunca diria enquanto o tentava encontrar :-)

P.S. A saída também não foi fácil, alguns de nós andámos às voltas para encontrar a saída.



Sociedade Hípica Portuguesa Hipódromo do Campo Grande
1600-008 Lisboa
21 795 75 21 | 92 710 40 08

Horário | 2ª a Sáb - 12h/16h + 19h30/24h | Dom 12h/16h

FB / Site




sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

T'Chef, Telheiras








De tempos a tempos surge a oportunidade de almoçar fora, num dia de semana, e como tal, para não perder tempo em averiguações e indecisões, decidi colar um post it junto ao computador, onde vou escrevinhando o nome de restaurantes na zona de Telheiras que me vão suscitando interesse. O T'Chef encabeça essa lista.

O T'Chef não só tem uma localização geográfica apetecível para quem trabalha no eixo Telheiras/Campo Grande/Lumiar, como é possível estacionar com relativa facilidade, apesar de ficar no centro de Telheiras. A distância entre o carro e a porta do restaurante está, muitas vezes, dependente dos escrúpulos do condutor. Presumo que à noite seja mais fácil de conseguir lugar para o carro, mas de qualquer forma podem sempre ir de metro pois a estação de Telheiras é já ali ao virar da esquina.

Grande parte dos comentários que lemos sobre o restaurante, o almoço foi uma joint (ad)venture com a Joana, falavam muito bem do T'Chef by night. E se by night é bom, by day também o será, right? Foi imbuídos deste espírito que entrámos para experimentar a comida do T'Chef.






T'Chef tem uma decoração sóbria mas ainda assim confortável e agradável, com cantos e recantos que terminam numa sala com vista para uma esplanada (deck?) fechado. Estes recantos permitem que se criem espaços com alguma privacidade, o que num jantar de amigos ou de afetos pode revelar-se bastante interessante.

Ficámos na última sala, a que comunica com a esplanada (que se encontrava fechada), num lugar que nos permitia conversar à vontade e, ao mesmo tempo, apreciar o espaço. Foi um local de almoço muito pacífico, quero com isto dizer que não havia aquele alarido de ter muita gente a comer, falar e a querer despachar-se, algo comum aos restaurantes à hora de almoço.

Foi-nos entregue a ementa com pratos do dia. Eu escolhi costeletas de porco preto à Fundão e a Joana não resistiu ao Bife de atum em cebolada, e passado pouco tempo fomos presenteados com estes magníficos pratos.

 


A carne estava tenra e suculenta com um tempero simples que lhe realçava o sabor, fazendo com que eu abrandasse o meu ritmo acelerado de degustação (também chamado aspiração) para sentir o sabor da carne, de tal forma que a Joana acabou de comer antes de mim. And this never happens.

O  atum estava macio e guloso sobre um arroz que não poderia ser mais cremoso, de tal forma tinha bom aspecto que não resisti em roubar uma garfada ao prato da Joana. Não poderíamos ter ficado mais satisfeitos com os nosso pratos.




Ainda fizemos a pergunta um ao outro se queríamos comer sobremesa, mas claro que foi apenas numa de exercitar a nossa retórica. Naturalmente que pedimos sobremesa, que venha uma key lime pie e um bolo de chocolate para a mesa do canto! E tal como os pratos principais, estavam as duas muito boas.

Chegados ao momento em que temos de ir embora pois o dever chama, pedimos a conta e ficámos contentes com o que nos foi pedido (11€ pp). Pelo espaço, pela excelente qualidade da refeição e pelo atendimento simpático e atempado o que nos foi pedido em troca não me parece de todo exagerado.

Excelente local para almoçar. E agora só falta dar cá um salto para ver então o T'Chef by night. E se by day é ótimo, by night será ainda melhor, right?





Rua Hermano Neves, nº 22, loja B, 1600-477 Lisboa (Telheiras)


Horário | 2ª - 12h30/15h | 3ª a 6ª -  12h30/15h - 19h30/22h30
| Sábado - 19h30/22h30 | Encerra ao Domingo

FB









































Memos Café, Oeiras





Eu aqui me confesso, sou um animal de hábitos. Gosto de ter o sítio onde vou tomar café, para onde vou escrever e onde vou almoçar. Gosto das minhas rotinas, principalmente porque tenho um gosto ainda maior: quebrá-las. 

Desde que o Entre Vinhos saiu do centro de Oeiras que fiquei sem local favorito para almoçar. Gosto muito da Tendinha mas é longe e o serviço demorado. Nada de especial mas para quem está com pressa, num dia de semana, causa algum transtorno.

Para colmatar esta minha necessidade abriu um novo espaço no local onde antes era o Entre Vinhos. Perfeito! 

O espaço 

Este novo espaço aproveitou a disposição do Entre Vinhos mas deram-lhe um toque feminino. No melhor sentido da palavra. Nada de rendas ou bordados, folhos ou rosas. Mas sim, uma atenção ao pormenor tipicamente feminina, que passa pelo marcadores de pratos, guardanapos de linho e os bolos colocados em boleiras de vidro. Tudo em tons de branco mas mimoso e acolhedor. 

A comida





Existem sempre dois pratos do dia. São programados com antecedência sendo possível saber os pratos para o resto da semana. Não perguntei, mas pelo que me apercebi existe sempre um prato vegetariano. Até agora fiquei sempre por estes pratos, pareceram-me mais interessantes e fora do comum.

O que mais gostei foi sem dúvida o strudel de legumes com queijo de cabra. Faz uma refeição leve qb e o queijo de cabra dá-lhe um twist fantástico.

As sobremesas




São maravilhosas. Entre os bolos que nos chamam por de trás das boleiras e as sobremesas de colher, tudo fantástico! Destaco aqui a mousse de chocolate com laranja. Foi de comer e chorar por mais.

A conclusão

Um toque de requinte e carinho na confeção dos pratos e na decoração, a preços acessíveis. 


Memos Café
Rua Cândido dos Reis 123 - Oeiras
308 808 942
Seg a Sex - 12h-19h
Sab e Dom - 10h-18h

Nota: fotos do 12h30 e do Memos Café.




quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A Chaleira, Carcavelos









A Chaleira parece ser uma constante da vida, tão concreta e definida como outra coisa qualquer. Ao fim de mais de oito anos continua a existir, com altos e baixos certamente, com uns gerentes melhores do que outros, com produtos com maior ou menor qualidade, mas ainda assim de portas abertas. E, para grande alívio da minha alma, sem nunca perder o ambiente que um dia alguém, num momento de grande inspiração, criou.

Certamente que cada gerência lhe acrescentou o seu ponto, o que é perfeitamente natural, mas o facto de conseguirem preservar a essência do espaço dá-me sempre grande alegria quando volto a passar a ombreira da porta.

Para quem nunca ouviu falar, A Chaleira é uma casa de chá que há vários anos abriu portas numa praceta escondida de Carcavelos. O ambiente e a qualidade da sua oferta fez com que rapidamente se tornasse conhecida fora de portas, passando a ser frequentada por muitas pessoas que não eram daquela zona. 

Isto porque encontrar A Chaleira exige algum esforço, não é um local por onde se passe e se diga "Olha que sitio tão agradável vamos parar e entrar!", mas nos dias que correm tudo é simplificado com smartphones e GPS. A Chaleira não fica propriamente à beira do mar com vista sobre a falésia, muito pelo contrário, fica numa praceta e a única vista é para o parque de estacionamento que fica mesmo em frente da porta (que por vezes está cheio e tem de se andar às voltas para estacionar).  Mas se ficarem sentados no interior da casa de chá, nem se apercebem ou sentem falta de uma vista deslumbrante.






A Chaleira tem um ambiente calmo e acolhedor (desde que as crianças o permitam) onde facilmente se passa uma tarde em amena cavaqueira devidamente acompanhado de chá, torradas, tostas, sconnes ou fatias de bolo.




No nosso caso só nos faltou a tosta, de resto atacámos todas as frentes. E estava tudo bom, atrevo-me mesmo a dizer que a fatia do bolo de chocolate estava mesmo muito boa. Os sconnes estavam bons e quentinhos como se quer.

O atendimento foi simpático, atencioso e atempado mesmo quando a sala ficou cheia.

Foi ótimo revisitar este espaço, gostei do que comi, gostei do atendimento e gostei de ver que mantêm o ambiente d'A Chaleira intacto.

Até breve!


 



Praça do Junqueiro, 12 A - Carcavelos
Horário | 8h  às 19h
FB





 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Santa Clara dos Cogumelos, Graça




"Ainda não fomos aos cogumelos." "Temos que ir aos cogumelos." "Qualquer dia os cogumelos fecham e nós não fomos lá." Sempre que combinávamos jantar fora vinha sempre à memória uma destas frases batidas. No entanto, outros planos se sobrepunham e a visita era adiada mais uma vez, fazendo crer que o mundo conspirava, suspirava ou mesmo espirrava de forma a afastar-nos dos cogumelos. Mas, como a existência deste texto indicia, conseguimos finalmente quebrar o enguiço e sentarmo-nos à mesa do Santa Clara para comer cogumelos, cogumelos, cogumelos e mais cogumelos.

Tenho a dizer que sou fã (borderline fanático dirão alguns) de cogumelos. Como com frequência em casa (enquanto escrevo este texto dou garfadas a uma fumegante massa chinesa acabadinha de fazer, com resmas de pleurotus) e nos restaurantes tenho sempre a tendência de escolher pratos que tenham cogumelos na sua composição. Portanto, saber da existência do Santa Clara dos Cogumelos fez-me levantar as mãozinhas para o céu e dizer "E.T. found home!".




O Santa Clara dos Cogumelos fica situado no piso superior do Mercado de Santa Clara. Este Mercado fica junto ao Panteão Nacional e à Igreja de São Vicente de Fora, sendo em redor dele que se instala duas vezes por semana a Feira da Ladra, terças e sábados se não me falha a memória. Perdi a conta ao número de cd's, livros e BD que comprei nesta Feira, atualmente perdeu parte do seu encanto mas continua a ser um local a visitar pelo menos uma vez na vida (e quem sabe comprar uma dentadura em segunda mão). Mas voltemos à questão que nos trouxe.

Subindo umas escadas algo íngremes, no início das quais somos agraciados com um simpático letreiro a dizer Bem-vindos! (que cumpre a dupla função de nos dizer que estamos no caminho certo), chegamos então ao restaurante.


 




A decoração é deliciosamente vintage ou, como ouvi alguém dizer um destes dias, revivalista. Possivelmente a tela onde pintaram este Santa Clara tinha já a base ideal para que com pinceladas certeiras conseguissem um quadro tão verdadeiro que parece que parámos no tempo. Desde o padrão dos mosaicos que cobrem o chão até ao verde dos tampos das mesas, tudo conspira para nos dar a sensação de viagem no tempo. 

Depois de sentados e devidamente presenteados com a ementa, fizemos uma decisão executiva. Duas entradas - Cogumelos panados e Croquetes (alheira e portobello); e dois pratos principais - Risotto Santa Clara (porcini e trompetas da morte, casca de laranja, alecrim e nozes) + Encarnação de Santa Clara (bife de novilho com puré de raiz de aipo e cogumelos salteados).

Caso não apreciem muito cogumelos (ou acham que os de lata são os melhores) então talvez não seja este o restaurante certo. É como ir à Casa do Bacalhau e pedir um Bife... não faz sentido. Para quem gosta de cogumelos, o único problema é que não dá para provar tudo logo na primeira visita.

Enquanto esperávamos pela nossas entradas, a sala foi enchendo e o engraçado é que nós éramos dos poucos portugueses ali sentados, ingleses, franceses, espanhóis e asiáticos, havia um bocadinho de tudo. Podíamos dizer as maiores barbaridades que ninguém nos entendia... isto é levar o vá para fora cá dentro a outro nível :-)





E o que dizer dos croquetes e do cogumelos panados? Fantásticos, deliciosos entre outros adjetivos na mesma ordem de grandeza. Os croquetes estavam estaladiços por fora mas no seu interior vivia uma massa aveludada onde a alheira brincava com os cogumelos, para deleite de quem os mordia. Em relação aos cogumelos panados, era vê-los a desaparecer, depois de convenientemente cobertos com o molho de iogurte e açafrão, em suaves dentadas. Triste mesmo foi vê-los a desaparecer sem que voltassem a surgir como...como.... como cogumelos.

Felizmente não houve muito tempo para chorar o desaparecimento das entradas, graças à chegada dos pratos principais. 

Segundo me disseram, Santa Clara não poderia ter encarnado de melhor forma. A carne estava muito saborosa, não oferecendo qualquer tipo de resistência aos golpes que lhe eram desferidos, o puré de raiz de aipo foi uma boa surpresa e os cogumelos salteados rematavam o prato com chave de ouro.

E o risotto? Bem.... estava fantástico. Algo como ter Spotlight ou The Big Short num prato, onde vários atores conhecidos se juntaram de forma exemplar para gáudio deste vosso humilde espectador.





Entretanto chegou a hora da sobremesa. E até aqui os cogumelos estão envolvidos, apesar de existir sempre uma opção de sobremesa sem cogumelos. Claro que não fomos em cantigas e decidimos ver quão fulgurante era a Paixão de Santa Clara (mousse (?) de chocolate, gelado de boleto e cogumelos) e quão tentadoras eram as Tentações de Santa Clara (crème brûlée com boletus e trufa).

Nas sobremesas é que a porca torceu o rabo, vá meio rabo. As Tentações de Santa Clara não eram lá muito tentadoras, o crème brûlée por baixo da sua superfície crocante escondia um creme pouco doce e pouco tentador, fazendo com que ao fim de duas ou três colheradas se desse o caso por encerrado.

Já a Paixão, essa era fulgurante. E ótima para limpar o palato de tentações. A parte de chocolate e de gelado estavam excelentes, complementando-se na perfeição, mas foram os cogumelos (assumi eu que fossem) que cobriam a sobremesa que mais me fascinaram. Adocicados e com uma textura peculiar foram uma excelente surpresa.





Por fim pedimos a conta, que veio com a intensidade de dor que já esperávamos (28€ pp). Se não se deixarem levar pela loucura (duas entradas!) certamente conseguem descer a intensidade da dor. Infelizmente acho que quando voltar ao Santa Clara vou voltar a ter um momento de loucura... ficou ainda tanto por experimentar.....

O atendimento foi sempre simpático e nunca tivemos que esperar muito tempo pela comida ou que nos dessem atenção, mesmo quando a sala ficou quase cheia. 

E por falar em casa cheia. O restaurante é relativamente espaçoso mas pareceu ter muita procura (fomos numa terça feira), especialmente por turistas por isso reservar será sempre algo aconselhável. Estacionar não oferece grande dificuldade, muitos lugares disponíveis em redor do mercado, mas acertar numa rua que desemboque no dito mercado poderá ser outra história. Façam como os turistas e vão a pé a partir do Largo da Graça :-)


Remate final. Se gostam de cogumelos, então não existe melhor local para ir almoçar ou jantar. Ficámos fãs.





Mercado de Santa Clara​
Campo de Santa Clara, 7 - 1º - 1100-472 Lisboa

Horário | 3ª a 6ª - 19:30 - 23:00 | Sábado - 12:30 - 15:30 | 19:30 - 23:00
Encerra ao Domingo e 2ª

Tel - 218870661 | Tlm - 913043302
Site | FB