sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Tasca República, S. Bento

 
 
Bem, já perdi conta ao número de vezes em que ou não havia plano de onde ir jantar ou acabei a comer num local bem diferente do que estava a pensar. Por esta frase introdutória, já deu para perceber que a ida à Tasca República não estava nos planos, bem longe disso, mas desta vez a situação foi bem mais gravosa, no sentido económico da questão. 

A história começou com um jantar a custo zero, onde o catch era a movimentação para os subúrbios [esse local onde alguns lisboetas têm medo de entrar e nunca mais sair :-)], depois evoluiu para uma qualquer cadeia de comida rápida, para minimizar os custos, mas rapidamente se passou para uma visita ao Frei Contente, para matar saudades do bacalhau com broa :-), e, já à porta do dito, demos meia volta e fomos até à Tasca República, que era já ali e andávamos para lá ir à resmas de tempo. Portanto passámos dos zero aos 100, num curto espaço de tempo. Bem o mais correcto é dizer que passámos dos 0 aos 23€ num ápice, apenas tendo noção da tragédia económica quando a conta chegou à mesa. Foi um acto falhado em memória de outros tempos mais despreocupados [que esperemos que voltem um dia/ano destes].

A Tasca República tem o seu nome, não porque fique na avenida da República, mas porque fica na mesma rua que a Assembleia da República, mais concretamente na rua de S. Bento. A decoração é uma mistura de vários estilos que funciona (relativamente) bem, julgo que se calhar levaram a mistura fina um pouco longe demais mas nada que invalide uma pessoa de se sentir confortável e ter uma simpática refeição de conversa e petiscos.



A Tasca tem grande variedade de petiscos mas igualmente pratos mais consistentes, permitindo agradar a quem procura uma refeição completa ou simplesmente petiscar várias iguarias, nós fomos numa de petiscos pensando, inocentemente, que assim gastaríamos menos dinheiro. Mas foi como ir ao Ikea ou à Fnac... ao escolher vários itens de baixo preço parece que estamos a gastar pouco dinheiro, esquecendo que, quando tudo somado, dá um preço alto :-)

Pelo que li no éter internético, as opiniões não são sempre favoráveis [algumas, diria mesmo, cortantes como o vento siberiano] mas, por razões de sorte ou o cozinheiro estar bem disposto, não temos razões a apontar à confecção dos petiscos que pedimos. Desde a alheira transmontana, passando pela morcela e acabando na farinheira, tudo estava bem confeccionado e bem servido [de tal forma que percebemos que três petiscos foram demais mas lá fizemos o esforço]. Os petiscos não vieram todos de uma só vez, de tal forma que a conversa esteve sempre acompanhada por comida quentinha a chegar à mesa, o que foi agradável e impediu que se chegasse rapidamente ao momento de só já ter a chávena de café  vazia à frente [defeito de comer rápido] e começar a sentir que o nosso papel no filme terminou, sendo altura de sair de cena.

O atendimento foi simpático e rápido mas, em abono da verdade, durante algum tempo éramos os únicos no restaurante... o que não quer dizer que não se pudessem esforçar por esquecer de nós.

Localização
Rua de São Bento 312 | 1200-822 Lisboa
Tlf.213951583
Encerramento: Segundas (Jantares), Domingo
Horário: 12h00h-15h00h + 18h30 - 02h00

 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Bonjardim, Portas de Stº Antão

 
  
O Bonjardim faz parte das minhas memórias de infância, quando ainda não havia dois na mesma ruela e era realmente necessário estar com atenção para dar com ele. Belos passeios pela Avenida da Liberdade e pela Baixa que acabaram comigo a comer os belos frangos do Bonjardim [até serem substituídos pelos hambúrgueres do Abracadabra :-)]. Mas, apesar do mundo ser composto de mudança e obstáculos, o Bonjardim tem conseguido lidar com as adversidades dos tempos e não só mantém as portas abertas, como se expandiu dentro da mesma rua.




Em termos de aspecto, é o esperado num restaurante tipicamente português e dado ao churrasco. Mas não é para apreciar uma decoração toda pipi, feita por um decorador xpto, que se vai a um restaurante típico mas sim para comer bem e português. E há lá prato mais português que um belo frango de churrasco com batata frita? O único inconveniente de se comer frango assado é que este não tem quatro pernas, tornando as refeições em batalhas sangrentas pela cobiçada coxa. Sorte daqueles que gostam mais das asas, estão sempre garantidos :-)

O frango estava excelente, tenrinho, tenrinho. E as batatas nada pareciam das congeladas, quase diria que eram das antigas, daquelas que se descascavam e cortavam aos palitos com a faca, lembram-se? Se quiserem colocar do picante da casa tenham atenção... há quem diga que é de ir às lágrimas... e não é de riso.

A refeição ficou baratinha (7€ pp) não porque o restaurante seja low cost mas porque não nos esticámos muito (um frango para três)... estávamos com um mega gelado do Hard Rock na ideia... mas [infelizmente] o mega gelado foi decepcionante [era mais uma tacinha de gelado]...
 

Localização
Travessa de Santo Antão, 11 | 1150-312 Lisboa
[perto do Coliseu e Teatro Politeama]
Tel.: 213 427 424
Não encerra
 
  

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Olivier Avenida, Lisboa

    
  
   

Não, não estão a ler mal o título do post. Sim, é esse mesmo. O tal que custa os olhinhos da cara. E sim, ainda estamos [estou] em crise económica e não, não ganhei o euromilhões [mas gostava!]. Então como consegui ir jantar ao Olivier sem perder nenhum órgão vital, vender a alma ao diabo ou praticar actos de bolinha vermelha? Infelizmente não posso revelar pormenores [o segredo é a alma do negócio] mas garanto, pela alminha do meu cão Jeremias, que não só não paguei pela refeição como ainda consegui arrastar a sininho comigo, que estranhamente não ofereceu grande resistência :-)

Ainda tentei ver se conseguia passar este jantar como prenda de aniversário da sininho mas (infelizmente) ela não foi na cantiga... snif snif

A decoração é a esperada neste género de restaurantes, desde os lustres aos sofás, passando pelo papel de parede, tudo transpira sofisticação e pessoas de certo status (e idade). Não me enquadro muito no género de restaurante, nem que seja porque o meu estado basal é calças de ganga, ténis e camisa da Springfield, mas a malta nunca [ou quase nunca] se nega a uma borla. E ainda bem pois foi uma noite muito animada, acompanhada com excelente comida!
 
 
O [extenso] menu estava pré-estabelecido: [entradas] mini-croquetes de espinafres e mozzarella, guacamole de caranguejo, cogumelos com catupiry, carpaccio de salmão, carpaccio de polvo com molho de pimentos tricolores, carpaccio de novilho com molho pesto, rúcula e queijo de cabra, folhadinhos com queijo de cabra, mel e nozes, [prato principal] double choleton com linguini com molho de parmesão e trufas e [sobremesa] petit gâteau.

Para além de ter degustado todas estas iguarias ainda tive a possibilidade de aprender (e provar) ingredientes novos. Não fazia ideia que catupiry é um queijo (mais parece nome de animal da Amazónia), ou que existe uma "espécie" de bife que se chama choleton [como diria o Caco "Pobre!"]. Tudo estava óptimo mas, na minha opinião, o choleton vinha demasiado mal passado... juro que ainda vi um ou outro batimento cardíaco no naco que me calhou!... lamento mas gosto dos meus alimentos devidamente mortos, quero dizer, cozinhados. Mas de sabor estava excelente. Por outro lado, a sininho como gosta de carne mal passada disse maravilhas [tivesse eu lhe visto, a escorrer pelo canto da boca, um fio vermelho chamava-lhe Sookie em vez de sininho, e protegia o pescoço não fosse ela querer true blood]

Acho que o único elemento que ficou aquém das expectativas foi o petit gâteau. Não que estivesse mau, longe disso!, mas simplesmente porque era tão somente um (apesar de bem confeccionado) banal petit gâteau.

Realmente quem tiver dinheiro e vontade de um restaurante mais sério, mais grown up, o Olivier Avenida é uma das hipóteses.

Localização
Hotel Tivoli Jardim | Rua Júlio César Machado, nº 7
(ou seja, rua por detrás do Cinema S. Jorge)
1250-135 Lisboa
Tlf: +351 21 3174105 
  
  
  

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Café do Monte, Graça

    
    
Em 2009, comecei um post sobre miradouros e seus cafés mas, como acontece com alguns livros, nunca cheguei a acabar... nevertheless julgo que foi pelo melhor :-) assim em vez de ter um longo e chato post sobre os milhares de cafés que ficam em miradouros [ou pelo menos perto de], pois isto de viver numa cidade com pantilhões de colinas não pode só ter coisas más (como tudo ficar no cimo de uma rua inclinada...), realmente permite-nos ter vistas panorâmicas para todos os gostos [mais rio, menos rio, mais Lisboa, menos Lisboa, mais Lisnave, menos Lisnave].

Desta vez, as atenções recaíram sobre Miradouro de Nossa Senhora do Monte e sobre um café escondido nas ruas junto a este miradouro, o Café do Monte. Os miradouros são como os filhos, [segundo dizem] gosta-se de todos por igual mas existe sempre algum que se gosta um bocadinho mais. Este miradouro é, para mim, esse tal "filho". Caiu-me no goto, muito porque permite ter uma perspectiva de Lisboa e, especialmente, do Castelo de S. Jorge que me deixa sempre intrigado. Desde que visitei este miradouro deixei de "ver" o castelo como algo incrustado no todo de uma colina para passá-lo a considerá-lo uma ilha :-)




 Para chegar a esta zona de Lisboa temos the easy way, the hard way, the very hard way and the way.

Ou se sobe desde o Chiado até ao Miradouro, fazendo um longo passeio por Lisboa antiga que, apesar de deixar as pernas a ganir no dia a seguir, é um dos meus percursos favoritos [the very hard way]. Ou se sobe desde Sta Apolónia até ao Miradouro, verdadeira prova de endurance mas mais curta [the hard way].

Ou se vai até Sapadores ou, melhor, até ao Largo da Graça ("nº 28 Lisboa" existindo toda uma geração que, apesar de não fazer puto ideia onde ficava o Largo da Graça, se lhes dissessem Moviflor saberia dizer a morada toda direitinha), e o Miradouro fica muito perto e em caminho pouco íngreme [the easy way]. Ou, por fim, podem ir de carro e, com alguma sorte e paciência, encontrar lugar junto ao miradouro ou ao café [the way].

O Café do Monte é difícil de definir. Tem um ar diferente do "normal" café de bairro. Ponto. A cor das paredes e a decoração dão-lhe um ar intimista e, ao mesmo tempo, decadente, mas tudo no bom sentido. Todos dizem que tem algo de café parisiense... bem nunca fui a Paris (não me chamo Luís) mas não estranho esta comparação. O atendimento, por outro lado, não poderia ser mais português. Com calma, muita calma, e muito tu cá tu lá, o que poderá causar alguma estranheza no início mas depois entranha-se.


 

Já ia com alguma fomeca por isso aventurei-me numa tosta mista e um galão. A tosta estava muito boa e original, tendo não só queijo no meio, juntinho ao seu amigo de longa data - o sr. fiambre, como a cobri-la. Depois deste acepipe, ataquei uma bela fatia de cheesecake (minha) e de bolo de chocolate (d'outrem) que estavam muito do bom!

O cheesecake deu origem a um momento gato fedorento..."e o cheesecake é de quê?"....com um ar complacente e falando devagar "então... cheese.....cake, bolo de queijo"... perguntei de novo "então mas é de quê?"....vá vou falar ainda mais devagar "então... de.....queijo"... ok "e a cobertura?"...momento eureka! "hááááá de morango".

Dizem que têm um óptimo brunch mas ainda não tive oportunidade de experimentar. Fica para a próxima visita. No fim, a conta toda ficou perto dos 12€ mas valeu a pena.
 
 
Localização
Rua de São Gens, nº1 (ao Miradouro da Srª do Monte à Graça) 3ª a Dom | 10h30 às 22h30
Tlm 916307653