segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Queijadaria, Estefânia





Desde que me mudei da zona da Estefânia, faz agora um ano, que muito mudou por aquelas bandas. A última novidade foi a abertura da Queijadaria, na qual a principal oferta são queijadas de variados sabores.

O ambiente

A sala é simpática e acolhedora, em tons de branco e com lâmpadas de filamentos amarelos e engraçados. No fundo da sala há uma pequena esplanada. Mas com o frio que está não era muito apetecível. 




As queijadas

A oferta em queijadas é muito variada, há as de nutella, oreo, abóbora e noz, manteiga de amendoim, côco, entre outras. Mas também existem outros doces, nomeadamente bolos à fatia, com muito bom aspeto.

A escolha foi difícil, todas tinham muito bom aspeto. Acabei por optar por uma queijada de manteiga de amendoim. A queijada estava saborosa, mas não fiquei maravilhada. Se ainda vivesse por ali era capaz de voltar para provar outras queijadas, como a de oreo, mas como não residente não fiquei com especial vontade de me fazer ao caminho.




O preço

As queijadas são 1,55 euros. Achei um pouco caro. Talvez porque não achei as queijadas nada de especial, pareceu-me caro. 




Queijadaria

Rua Pascoal de Melo 140A
211342984
Seg a Sab - 8h às 20h




Melt, Avenidas Novas



A internet é realmente uma coisa magnífica, especialmente a internet no smartphone, e digo isto porque meia hora antes de entrar pela porta do Melt não fazia a mínima ideia que este espaço existia.

Melt é, na falta de melhor termo, uma hamburgueria. E digo falta de melhor termo, porque hamburgueria é algo redutor no que toca ao Melt. Não é que não tenha uma oferta variada de hambúrgueres mas porque tem mais opções para além disso, como montaditos, saladas e bocatas, não esquecendo os brunch.

Melt tem residência fixa nas Avenidas Novas, mais concretamente na avenida Visconde Valmor. Portanto local de fácil acesso pedestre ou por transporte público, mas um desafio para quem precise ou queira ir de carro (especialmente em dias de semana). No meu caso, fui como o Armando, um bocadinho a pé, um bocadinho andando (eu sei mas não resisti).

Quando passamos o limiar da porta deparamo-nos com uma sala sobre o comprido, com o balcão a dividir a sala ao meio, e no fim da sala têm uma porta que dá acesso a um pequeno pátio interior. O meu primeiro instinto foi marchar até ao fim da sala e tentar a minha sorte no pátio, infelizmente assim que abri a porta levei com um bafo a cigarros, por isso toca de fechar a porta, rodar os calcanhares e ir para as mesas na entrada.

Enquanto esperava que me viessem dar uma ementa ou dizer quais eram as minhas opções, só pensava na Earth song do Michael Jackson. Muito possivelmente porque do chão às paredes, passando pelo mobiliário, toda a decoração do espaço é feita em tons de castanho, fazendo vir ao de cima a minha alma de ecologista musical. Pena é que a escolha acertada de cores e mobiliário foi acompanhada por uma desapontante decoração de paredes. Ressalva para o elefante que, enquanto não for apagado, ilumina toda a sala.




Depois de balançar entre uma bocata ou um hambúrguer, acabei por deixar-me convencer pela combinação agridoce do hambúrguer gourmet (com queijo de cabra, doce de framboesa e nozes). 

O hambúrguer vir no prato não me fez mossa mas admito que fiquei surpreendido por não me terem perguntado de que forma preferia. Presumo que se se quiser no pão tem de se dizer pois de outra forma vem no prato. É como nas faturas, ou se diz rapidamente o NIF ou então depois do hambúrguer ser emitido já não há volta a dar. 

O hambúrguer mesmo despido de lençol de baixo e edredão não se constipou, estava de boa saúde e recomenda-se. E sim o acompanhamento são batatas fritas de pacote, mas disto fui logo avisado quando pedi, podendo ter escolhido em alternativa batata assada ou salada.




Como estava com alguma pressa não tive oportunidade de esmiuçar as opções de sobremesa. No fim, consciente de que tinha escolhido dos hambúrgueres mais caros, não fiquei surpreendido por pagar cerca de 10€. No entanto não acho que mereça um preço tão elevado, especialmente quando me ocorrem os hambúrgueres que comi recentemente na Hamburgueria do campo ou 100% hamburgueria. Mas a renda nas avenidas novas tem de ser paga.

O atendimento foi simpático mas um bocadinho desconcentrado.

Em suma, Melt é um espaço acolhedor, com muito potencial e cujos pontos menos bons não são suficientes para me impedir de voltar ou desaconselhar outros a fazerem uma visita :-)







Av. Visconde Valmor n.º 40A, 1050-063 Lisboa

Horário (Inverno) | 2ª a 6ª : 9h às 22h | Fds e Feriados : 11h às 20h

Blog | FB













sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Casa do Preto, Sintra




 

Claramente, o espermatozóide que tinha os genes que codificavam o poder de síntese tirou férias no dia da sorte grande. Devia estar com gripe ou, melhor ainda, com Zika. Mas até eu tenho alguma dificuldade em desfiar um rol muito extenso sobre a Casa do Preto, por isso um short post, for a change.

É um café, ponto. Não tem nenhum preto vestido como se fosse um pupilo do exército, pelo menos que eu visse. Criou fama com as queijadas e travesseiros e consegue manter essa mesma fama, é um verdadeiro rodopio de gente a entrar para comprar e levar, pois de outra forma não haveria razão para pantilhões de gente parar no meio de lado nenhum.

O atendimento é funcional e o espaço tem ar de café/pastelaria tipicamente portuguesa, como se quer de uma casa que vende tradição. Tem duas mais valias: uma boa esplanada e um bom parque de estacionamento.

Mas, e vale a pena parar? Claro que sim, o que é doce nunca amargou. Vale a pena parar mais vezes? Hummmm... para mim não, não vejo a mais valia. Talvez para quem seja da terra, aproveitar a esplanada poderá valer a pena.




As queijadas são boas? São, sim senhora. Quando as queijadas chegaram à mesa, fiquei então a perceber porque dizem que é impossível comer só uma. Pudera, são tão pequenas que é preciso ter cuidado para não trincar os dedos quando se lhes tenta dar uma dentada. Eu comeria um pacote de queijadas num piscar de olhos.

E os travesseiros? Também são bons. Melhores que os da Piriquita? Nem melhores nem piores, igualmente bons, igualmente doces, igualmente turisticalizados.


 
 
Gostei de fazer esta visita, para matar a curiosidade. Agora que a matei, posso fazer o enterro e seguir com a vida. Com isto não quer dizer que me faça rogado a uma queijadinha, simplesmente não fiquei assim tão deslumbrado.


Mas vão e experimentem, cada cabeça sua sentença.






Estrada Chão de Meninos 40, 2710-194 Sintra
2ª a 6ª - 7h às 20h |  Fds - 8h às 21h











100% Hamburgueria, Telheiras




 

Foi sem mais nem menos, que um dia nos deu para arrancar com destino à 100% Hamburgueria.
E fomos descobri-la escondida nas arcadas de um prédio, numa das zonas de Telheiras onde é mais difícil, se tal é possível, estacionar o carro, sendo necessário recorrer a alguma criatividade para conseguir um espaço onde o carro caiba e não estorve.

Tendo o carro estacionado, ou indo por outro transporte alternativo, é só uma questão de encontrar a arcada certa e entrar. A hamburgueria ocupa um espaço amplo que (felizmente!) não tiveram a tentação de encher (atafulhar será a palavra mais correta) de mesas, sendo por isso um local que mesmo quando cheio ainda permite alguma privacidade (e mobilidade) entre as mesas. Tanto que quando chegámos a sala estava quase vazia, passava pouco do meio dia, mas quando saímos as mesas estavam quase todas ocupadas e não sentimos nem um excesso de barulho nem sensações claustrofóbicas, algo que normalmente acontece em espaços overcrowded.

 
 
 
A decoração é simples, onde o cinzento e o laranja são as cores predominantes, com a intensidade do laranja a ser contrabalançado com a seriedade do cinzento. Não faço ideia porquê mas esta conjunção de cores faz-me sempre lembrar propaganda soviética e dá-me vontade de gritar Perestroika! ou vodka! Associações parvas, avancemos então.




Existem muitas opções de hambúrgueres por isso levem o vosso tempo a namorar a ementa, antes de se comprometerem. Pois para além de terem de decidir de que será feito o vosso hambúrguer, tendo que escolher entre a clássica carne de bovino, passando pelo frango até chegar aos vegetarianos, depois têm que decidir o que vem em cima desse hamburguer :-) Decisions, decisions...




Os hambúrgueres têm todos um tamanho generoso por isso não correm o risco de se levantarem da mesa com uma sensação de que comiam mais qualquer coisinha, quanto muito saem a dizer "tou tão cheio!" ou outra coisa parecida. As batatas fritas são ótimas e o molho que as acompanha também. 

Como podem imaginar (ainda) não comi estes hambúrgueres todos mas a opinião foi unânime, muito bons! Bem temperados, saborosos, recheados com tudo o que nos prometiam na ementa e todas as conjugações de sabores resultaram muito bem. Quando saímos (rebolámos) porta fora, fizemo-lo com um sorriso de contentamento.

Como ficámos mais do que satisfeitos com o hambúrguer, não tivemos forças para experimentar as sobremesas (e verdade seja dita também não nos seduziram por aí além).

Na verdade, a sobremesa veio na forma de conta pois ao termos de pagar 8€pp (hambúrguer e bebida) claro que lhe chamámos um doce :-)

O atendimento foi simpático mas teve alguma dificuldade em lidar com a casa cheia.

Em termos de hambúrguer, não fica atrás de outras hamburguerias como o Honorato ou H3 mas com um preço muito mais simpático.




Loja Telheiras

Rua Padre Américo Nº11A, 1600–548 Lisboa
Horário | Dom a 5ª - 12h às 23h | 6a e Sáb - 12h às 24h

FB | Site



Loja Massamá
Rua Direita de Massamá Nº130, 2745-751 Queluz

Loja Amadora
Av. Dr. José Pontes Nº11A, 2720-239 Amadora




terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Hamburgueria do Campo, Sintra






Hamburgueria do Campo, eu sei que o nome diz tudo mas ainda assim nunca pensei que fosse tão à letra como revelou ser.

Introdução.
Ao contrário do esperado, e dos planos laboriosamente traçados, demos por nós em Sintra, em plena hora de almoço, cheios de fome e sem saber muito bem onde ir comer. Não queríamos propriamente deixar o couro e o cabelo num dos vários restaurantes existentes na vila de Sintra, estávamos numa de turistas mas não exageremos, por isso desatámos a procurar por uma alternativa que nos parecesse viável. Foi desta forma que descobrimos a Hamburgueria do Campo. O facto de ter preços acessíveis, boas críticas e ficar perto de onde estávamos estacionados, tornou-a no local perfeito para almoçarmos.

Apesar de algo amuada por há tanto tempo não lhe falar, a Gina (nome da senhora algo obstinada mas persistente que vive dentro do meu telemóvel e que sabe os caminhos todos, para todo o lado, aqui e no estrangeiro) lá nos guiou por entre as ruas e ruelas de Sintra, para ver se chegávamos à hamburgueria sem dar a volta à serra.

No início tudo parecia estar a correr bem mas à medida que nos afastávamos da civilização, comecei a desconfiar que não tinha dado a morada correta à Gina, visto que esta nunca se engana o erro só podia ter sido meu. É verdade que a Hamburgueria dizia que era do Campo mas daí a ser no meio do campo pareceu-me ser um pouco à letra demais....mas a verdade é que à nossa frente só víamos campo e um campo de futebol.....depois de passar o campo de futebol....o tico e o teco largaram as bolotas... toca de fazer marcha atrás que a Hamburgueria do Campo fica no campo de futebol! Gargalhada pegada!




Por isso, procurem o Campo de Futebol 1º de Dezembro, entrem para dentro do recinto e, no cimo das bancadas, vão encontrar a Hamburgueria do Campo. 

Material e métodos.
A Hamburgueria é um espaço amplo e cheio de luz com uma vista desafogada sobre o campo de futebol e verdejantes arredores. A decoração é simples mas conferindo ao espaço um ar jovem e descontraído, onde as latas utilizadas como candeeiros de teto são um dos elementos mais originais da decoração. Curiosamente não caíram na tentação de incorporar na decoração do espaço o tema mais óbvio possível, futebol. Muito bem.




Em relação ao espaço, apenas tenho a dizer que como é muito grande (certamente excelente em dias de grande afluência) pode tornar-se um bocadinho frio, especialmente nos dias mais cinzentos (não digo dias de inverno porque estamos em Sintra, onde o frio surge em qualquer altura do ano)

Resultados.
Como o próprio nome indica, neste espaço os hambúrgueres são reis e senhores. Indo dos mais clássicos (novilho), passando pelos mais saudáveis (frango, salmão, atum) até aos megasaudáveis (tofu), existem hambúrgueres para todos os gostos.

Com tanta oferta, mais de dez candidatos, é necessário um certo período de reflexão para poder escolher conscienciosamente o que se vai comer, algo tão importante como eleger um Presidente da República. Acabámos por escolher um hambúrguer Gladiador e um do Campo, ambos devidamente acompanhados por batata frita aos palitos.

 
Gladiador
Campo


E não demorou muito para que tivéssemos os nossos dois belos hambúrgueres à nossa frente. E que belos hambúrgueres! Camada sobre camada de coisinhas boas (impossível não começar a ficar augado só de pensar), tendo na base um suculento hambúrguer de novilho. Comecei a comer o hambúrguer como é suposto comer-se, agarrado pelas duas mãozinhas que a evolução nos deu, mas tal eram os juices que o hambúrguer libertava que tive que me resignar a comer como uma pessoa civilizada, de faca e garfo.

Se alguma coisa tiver a apontar a estes hambúrgueres será o pão em que são servidos, e mesmo assim não é uma crítica apenas um gosto pessoal. Seria excelente se apostassem num pão que fizesse jus à qualidade de tudo o que colocam no seu interior, e pusessem de lado o industrial pão de hambúrguer.

As batatas estavam ótimas, estaladiças e quentes, e foram banhadas em todos os molhos que nos disponibilizaram na mesa (e olhem que são alguns). 

Como tínhamos em mente comer sobremesa noutro local não pedimos para saber o que tinham para oferecer.


Discussão dos resultados e conclusão.
O que mais posso dizer do que, excelente surpresa! Atendimento simpático, local agradável (mas algo escondido), ótimos hambúrgueres e preço muito apetecível (pagámos cerca de 10€ pp).


Aconselho uma visita.





Avenida Conde Sucena – Estádio 1º de Dezembro, Sintra

Horário | 2ª a Sáb - 10h às 23h | Dom - 8h30 às 19h
Tlm | 210953047

FB






E depois desta bela refeição, toca a subir até ao Palácio da Pena!






 


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Manteigaria - Fábrica de Pastéis de Nata, Bairro Alto


Se num destes dias, enquanto passeiam descontraidamente pelo Largo do Camões, ouvirem o som de uma sineta não estranhem, é o destino a enviar-vos um lembrete. E um lembrete para quê? Para se dirigirem à Manteigaria e deliciarem-se com um, dois, três (aqueles que conseguirem aguentar) pastéis de nata acabadinhos de fazer. Ou não fosse o nome completo deste estabelecimento de perdição Manteigaria - Fábrica de Pastéis de Nata.

A Manteigaria ocupa o espaço da antiga Manteigaria União, nome que ainda figura na fachada do edifício, hoje totalmente recuperado, mesmo no coração da cidade. Início da Rua do Loreto, fim do Largo de Camões, no fundo basta seguir o olfato e o som da sineta.


O espaço interior é mínimo, sendo grande parte dele ocupado pela cozinha, que está acessível aos olhares dos mais curiosos, permitindo acompanhar o processo de fabrico dos pastéis de nata. Junto à porta, existe um balcão onde estão expostos os pastéis de nata e onde se pode comer (caso não haja muita gente a pedir).

E os pastéis? Bem.... São excelentes mas, no entanto, diferentes do convencional pastel de nata. Quando comi gulosamente os meus pastéis, o que me ocorria era que estava a comer um leite creme espesso, doce, aveludado servido no interior de uma massa estaladiça, resultando numa combinação perfeita, num guilty pleasure perfeito.

E ao virem quentinhos é de comer e chorar por mais :-)



Como já disse, não podem fazer planos para se sentarem no interior da loja a comer os pastéis, como se estivessem em Belém. O espírito é comprar os que se tem na vontade e depois encontrar um local para desfrutar a delicatessen. Tendo em vista que estamos no Largo Camões, locais para sentar e desfrutar é coisa que não falta (desde que São Pedro colabore).

 Devem experimentar, sem dúvida.







Rua do Loreto 2, 1200 242 Lisboa
(Largo do Camões)

Horário | 2ª a Dom - 8h às 24h |








 

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

The Fish and Chip Shop, Belém





A primeira, e única, vez que tinha provado fish and chips foi num momento de loucura. Era a ultima noite de um fim-de-semana alargado em Londres, no dia seguinte de madrugada tinha de apanhar o avião, e como tinha libras no bolso decidi aburguesar e jantar no restaurante do Jamie Oliver em Covent Garden. Decidi-me por uns fish and chips, na esperança de como era num restaurante mais fancy o prato não fosse tão mau como todos diziam que era. O prato estava divinal e nada gorduroso como tantos o descreviam. Quis o destino que os empregados se esquecessem de mim e por ter esperado mais de uma hora decidiram oferecer-me a refeição.

Foi esta história que aconteceu já há uns 3 anos que inspirou a minha vontade de experimentar o restaurante Fish and Chips em Belém.

O ambiente
O restaurante fica na rua do comércio do bairro de Belém, mesmo em frente ao famoso Careca. É um espaço pequeno, decorado de uma forma simples em tons de branco e mesas e bancos corridos em faia. O ambiente é simpático, no entanto não convida a refeições muito demoradas, pelo tamanho da casa e pelo conforto dos bancos.

A comida



Não tem muito que enganar, o nome diz tudo! Há o fish e as chips. Como “peixe” pode pedir-se choco (por isso as aspas no peixe) ou o tradicional bacalhau fresco. Existem ainda 5 variedades de molho para acompanhar. Optei pelo bacalhau fresco e molho tártaro picante. O bacalhau estava muito bom! Fresco, suculento, nada gorduroso, de comer e chorar por mais.

O fish and chips é um tipo de comida considerado portátil e talvez por isso seja servido numa cesta com papel e não são dados talheres, até aqui tudo pacífico! No entanto a comida tinha sido feita naquele momento, o que levou a dois previsíveis eventos: queimei os dedos ao tentar comer, o que me fez ir pedir talheres, e o papel que revestia a cesta desintegrou-se, o que levou a que no final estivesse a tentar separar os pedaços de papel branco dos pedaços de bacalhau.




Existe ainda a possibilidade de pedir um refresco de sabugueiro. Provei um pouco, mas como é servido sempre com açúcar, achei muito doce.

A conclusão

A comida é deliciosa e não há que temer o excesso de gordura. No entanto o restaurante poderia repensar a forma como serve os pratos. Já que são para ser consumidos dentro do restaurante poderiam utilizar pratos e talhares. 


The Fish and Chip Shop
Rua Duarte Pacheco Pereira, 26C, Belém
Tel: 215886081
Horário: Ter a Dom 12h-23h

sábado, 23 de janeiro de 2016

Jockey, Campo Grande




Se a associação das palavras hipódromo e Campo Grande vos parecer estranha não faz mal, acontece a muito boa gente, no entanto desde 1930 que existe um Hipódromo no Campo Grande. E sim, estou a falar do Campo Grande em Lisboa e não de Campo Grande no Ribatejo (que não existe). E sim, estou a falar de um hipódromo e não do Estádio Universitário, apesar de ficarem perto um do outro.


  

Um restaurante dentro de um hipódromo? E porque não. Especialmente depois de ver a ementa e as fotos do espaço, não havia razão para pensar duas vezes ou ter cold feet (que efectivamente tive mas foi por causa da chuva e frio que se faziam sentir na noite em que lá fomos jantar, nada teve a ver com arrependimentos).
 
Na teoria, chegar ao hipódromo do Campo Grande é fácil, fácil, tão fácil que ir ver à internet até causa algum embaraço. Na prática, essa facilidade esgota-se quando se chega à entrada do Hipódromo, depois disso é preciso querer mesmo chegar ao restaurante. Com chuva, escassa iluminação pública, crateras na "estrada" e uma sinalização episódica e eventual, quando estacionei perto do restaurante, apenas me ocorreu pensar, como é que consegui? Claro que com bom tempo tudo será mais fácil e de dia então, um espetáculo! Em dias mais negros, há que ter espírito de aventura (e um jipe). Ponto positivo, não há dificuldade em arranjar estacionamento.




E eis que surge um letreiro bem visível, talvez realçado pela escuridão que nos rodeia, a identificar o edifício onde fica o restaurante. Um grande bem haja a quem teve a ideia de o fazer pois como podem ver, a entrada do restaurante não podia ser mais discreta.

Do outro lado da porta, existe outra porta que abre para uma sala de jantar completamente inesperada, especialmente depois de tudo o que deixámos para trás, no caminho até aqui. De repente as minhas calças de ganga sentiram-se incomodadas, desejando ser de outro material qualquer ou, pelo menos, de uma cor menos ganga. Tinha visto fotografias do restaurante mas minimizei a coisa, ao deparar-me com a sala ao vivo e a cores percebi que não eram exageradas. Realmente é uma sala decorada com uma sobriedade e, na falta de melhor palavra, classe, onde tanto se podem realizar jantares românticos, jantares de família ou fechar negócios milionários. 




A sala tem duas áreas distintas, uma área de mesas, junto às janelas, e outra de boxes onde é possível ter uma maior privacidade. As divisórias entre as boxes fazem lembrar as divisórias que existem nas cavalariças para separar os cavalos (eu quero chamar-lhes baias mas tenho receio de lhes estar a chamar um nome feio). Tudo decorado com um gosto simples e sóbrio mas algo requintado, fazendo com que uma pessoa se esqueça completamente que existe todo um mundo lá fora. 

Após nos sentarmos na nossa mesa, foi-nos servido o couvert e apresentada a ementa. Ambos escolhemos a bruscheta de camarão como entrada, tendo depois divergido em termos de pratos principais, eu pedi os bifinhos de veado com molho de três pimentas e a minha companhia costeletas de vitela mertolenga ao maitre D'Hotel.

Não poderíamos ter aberto as hostilidades de melhor forma, a bruscheta estava para lá do divinal. Saborosa, temperada no ponto, de comer e pedir encore. Só de escrever sobre ela cresce-me água na boca.


Bruscheta de camarão


Ao fim de algum tempo vieram então os pratos principais. Muito bem servidos em termos de carne, sendo acompanhados por batata frita e esparregado. A carne estava muito bem temperada, macia, sem oferecer qualquer resistência à faca que calmamente a ia separando do seu todo. Nunca tinha experimentado carne de veado, não é má mas não achei que tivesse um sabor que a distinguisse de forma preponderante de outras carnes vermelhas. O molho de três pimentas estava ótimo, tanto que não resisti em molhar o pão no molho (sim, a problemática das calças de ganga já estava para trás das costas, já tinha voltado a ser eu próprio, alguém sem grande respeito pela etiqueta).


Costeleta de vitela
Bifinhos de veado


Nas sobremesas é que a coisa não correu tão bem, pelo menos para quem teve a infelicidade de escolher o bem-bom de chocolate (not me!), pois quem comeu o Mil folhas de arroz doce não poderia ter ficado mais contente. Que surpresa magnífica! O arroz doce ainda vinha quente, com uma consistência aveludada que (pensava eu) só a minha mãe conseguia, com a quantidade de doçura perfeita (detesto doces demasiado doces) e o toque original das mil folhas.

O bem-bom de chocolate pois blagh.... não era mau de intragável mas simplesmente também não era fantástico, especialmente ao lado do arroz doce.


Mil folhas de arroz doce
Bem-bom de chocolate


Não é um restaurante barato, pois que não é. Quem não pretende deixar 30€ pp (ou mais) num jantar, embora a comida seja ótima, o espaço tenha um ambiente e decoração excelente e o atendimento não poderia ser mais atencioso e prestável, poderá fazer como nós fizemos e ir na altura do Restaurant Week. Foi uma excelente escolha.

E quem sabe, num dia de devaneio, venha até ao Jockey para comemorar uma qualquer ocasião especial. Fiquei fã do restaurante, algo que nunca diria enquanto o tentava encontrar :-)

P.S. A saída também não foi fácil, alguns de nós andámos às voltas para encontrar a saída.



Sociedade Hípica Portuguesa Hipódromo do Campo Grande
1600-008 Lisboa
21 795 75 21 | 92 710 40 08

Horário | 2ª a Sáb - 12h/16h + 19h30/24h | Dom 12h/16h

FB / Site