quinta-feira, 2 de julho de 2015

Luzzo, Av. Liberdade



Já várias vezes pensei em desistir de ir jantar fora antes de um espetáculo. Claro que estou a falar dos espetáculos com hora marcada para entrar, estilo concertos ou peças de teatro, e não propriamente festivais ou eventos em locais públicos, como as Festas do Mar ou Festival ao Largo. Nunca vos passou o mesmo pela cabeça? Não? Se calhar porque são pessoas regradas, que dificilmente se atrasam, que escolhem sabiamente o restaurante para jantar e que não perdem a noção do tempo enquanto jantam. Infelizmente, eu não sou assim tão regrado (mas tento), o que normalmente leva a que ande(mos) num autêntico regabofe até vermos finalmente a cortina a levantar e o espetáculo começar.

Mas, e digo-o com uma pontinha de orgulho (porque uma pessoa tem de se agarrar ao que consegue), nunca entrei depois do espetáculo começar ou deixei cadeiras vazias, no entanto esta proeza tem sido alcançada à custa de muita correria e muitas preces a todos os santinhos. Talvez no dia em que as preces não forem ouvidas (olha para mim a bater na madeira) eu aprenda mas, no entretanto, desconfio que vou continuar a tentar as alminhas. A tentação de ir jantar fora é tão difícil de resistir...
Com toda esta conversa, já perceberam certamente que o jantar no Luzzo foi um desses casos de overbooking :-)




A coisa começou mal ainda antes de chegarmos ao Luzzo. O trânsito estava medonho, ninguém andava, tudo apitava. Portanto o trânsito normal da Baixa lisboeta. Quando finalmente chegámos ao Luzzo, entrámos nessa outra espiral de demência que é conseguir estacionar na Rua de Santa Marta ou nas ruas e avenidas circundantes. A UAL não ajuda nada à causa, nem a reordenação das ruas que ladeiam a avenida da Liberdade, mas ao fim de algumas voltas lá conseguimos encontrar uma fresta onde enfiar o carro. Esta história demonstra algo que é de senso comum, se se quer ir jantar num restaurante abaixo do Marquês de Pombal o melhor é ir de Metro, ou então ir com dinheiro (os parques subterrâneos têm valores proibitivo) ou com paciência (mais cedo ou mais tarde lá encontrarão um lugar). Infelizmente tivemos mesmo que ir de carro.

O restaurante Luzzo fica em plena rua de Santa Marta, mesmo em frente do Hospital de Santa Marta, abaixo da UAL e ao lado do Honorato. Com tantos pontos de referência era impossível não encontrar a porta do restaurante.

Quando entrámos, fomos recebidos por uma senhora a quem indico que tínhamos uma reserva. Assim que percebeu de que reserva eu estava a falar, disse-nos prontamente (com pinguinho a azedo) que tínhamos tido muita sorte em ninguém ter querido ficar com a nossa mesa (o que nos deixou algo preocupados, seria ao lado da casa de banho?), ficando implícito que o nosso atraso tinha sido notado (estávamos meia hora atrasados) e que lhe tinha tocado na tecla errada. Mas lá nos conduziu para a mesa que ninguém quis...

... e foi com grande alívio que descobrimos que a mesa preterida afinal era uma excelente mesa, ficando num pátio que existe ao fundo do restaurante. O Luzzo tem então duas salas, uma em continuidade da entrada e outra ao lado, ambas com uma decoração que balança entre o rústico (madeira, madeira, madeira) e o retro (azulejos, candeeiros, cadeiras). A iluminação suave associada à cor e revestimento das paredes criam um ambiente apelativo e acolhedor, sendo complementado com pormenores decorativos que se vão descobrindo ao longo do jantar. A organização do espaço pareceu-me ter grande potencial para jantares de grupo.

Ao fundo da sala principal temos o pátio. E desde já tiro o chapéu a quem idealizou este pátio pois o resultado final está excelente (tão bom como este só mesmo o do Frankie). Desde as paredes em pedra, passando pela parede vermelha coberta de vasos com manjericos, o chão em calçada portuguesa, até aos panos que fazem sombra sobre as mesas, e criam uma barreira visual entre nós e os prédios em redor, tudo funciona no sentido de proporcionar a melhor experiência possível de se comer "na rua".






Entretanto lá nos sentámos e - espantem-se! - tivemos a opção (a) ver a ementa e fazer os pedidos a quem nos atendesse, (b) ver a ementa e fazer os pedidos num tablet. Foi o meu primeiro contacto com esta inovação, apesar de já ter ouvido falar, e devo dizer que, à primeira vista, gostei bastante. Dá para ver com mais detalhe o que vamos pedir, conseguimos ir acompanhando o custo da refeição (ainda estou indeciso se isto é bom ou mau...) e reduz a necessidade de captar a atenção de alguém quando queremos pedir algo (é fantástica a capacidade de não olharem para nós quando queremos pedir algo, parece que viramos invisíveis), seleciona-se no tablet e logo há-de aparecer.

Depois de nos familiarizarmos com o software, decidimos dividir o bem pelas aldeias: uma pizza (Luzzo_cogumelos Portobello salteados, tiras de bacon crocante e ananás caramelizado) e uma salada (Luzza_mistura fresca de alface e rúcula, acompanhada de presunto, ananás caramelizado, nozes e tomate cherry). Ponto a favor, quando perceberam que íamos dividir uma pizza perguntaram se queríamos que viessem as duas metades já separadas.

E que casal perfeito fazem o sr.Luzzo e a sra. Luzza.





A primeira coisa que me saltou à vista foi o facto dos pratos virem muito bem servidos, especialmente a salada. A pizza era de um bom tamanho (perfeito para uma pessoa) e a salada poderia igualmente ser uma refeição por si só. A massa da pizza era estaladiça (como eu prefiro) e tinha uma cobertura q.b. dos diferentes ingredientes, a salada tinha tão ou melhor aspeto que a pizza (e vindo de mim, é um grande elogio) e vinha com tudo a que tinha direito (ou seja, não foram forretas com o presunto :-)

Como foram céleres a servir os pratos principais, decidimos que ainda tínhamos tempo para comer sobremesa antes de sairmos desembestados rua abaixo, em direção ao Coliseu dos Recreios.
Desliza o dedo para a esquerda, desliza o dedo para a direita, seleciona aqui, seleciona ali, vê esta fotografia, vê aquela fotografia.... e no fim a brincadeira com o tablet resultou em pedirmos um brownie acompanhado de mistura de frutos silvestres e cheesecake desmontado e montado à maneira do chef.





O brownie estava excelente. Quentinho, com uma textura deliciosamente esponjosa e o contraste perfeito com o amargo dos frutos silvestres, fizeram com que a única coisa que me apetecia dizer era: Quero mais!  Por outro lado, o "cheesecake", apesar do seu ótimo aspeto, não nos convenceu. Demasiado doce, as natas sabiam às natas das latas de spray e demasiado desmontado para ser chamado de cheesecake (mais perto de ser um doce da casa que outra coisa). Mas atenção, não ficámos fãs mas não quer dizer que não tenhamos comido até à última colherada. Como diz a minha santa mãe, o que é doce nunca amargou.

Por fim, lá pedimos os cafés e a conta. Pagámos 13€ pp o que tendo em vista a qualidade e quantidade da comida, o atendimento (incluindo a senhora do raspanete) e o espaço (excelente pátio!), me pareceu um excelente preço. Ótima surpresa!

E sim chegámos a tempo, esbaforidos e em cima da hora, mas a tempo.



Rua de Santa Marta, n.º 37 e 37 A | 1150-293 Lisboa 

Horário - 12h às 15h (Almoço) | 19h30 às 23h (Jantar) | Não encerra

Tel.: 213 570 518 Tlm.: 968 997 826 | E-mail: geral@pizzarialuzzo.pt



segunda-feira, 29 de junho de 2015

Stanislav, Lisboa






Adorei! Não conheço especialmente bem a cozinha russa e até ir ao Stanislav apenas conhecia a Tapadinha. A última vez que fui ao Tapadinha já foi há alguns milénios, no tempo dos dinossauros (o ultimo filme do Jurássico Park não conta). 

Há muito que queria conhecer o Stanislav, estava na lista dos "a visitar", mas demorou a proporcionar-se a visita. Esta oportunidade chegou com a minha vontade enorme de ver o António Zambujo (Tó Zé para os amigos, dos quais infelizmente não me incluo) e o Miguel Araújo juntos e ao vivo no Cinema S. Jorge. Já agora, o espectáculo foi muito agradável. Funcionam muito bem juntos, talvez por isso muita gente os confunda. 

O restaurante 
Se a Tapadinha é um restaurante escuro, em tons de preto e vermelho, o Stanislav é o contrário. As paredes são em tons de branco, com muitas rendas e um ar muito cozy e bubblyMal comparado, e tentem não me condenar muito pelo que vou dizer, se a Tapadinha parece saída dos tempos da URSS, o Stanislav saiu do tempo dos Czares, onde imagino eu era tudo mais romântico. 




O atendimento
Muito, muito simpático. Outro preconceito meu: tenho ideia dos russos como pessoas frias e pouco simpáticas. Mas aqui nada disso: o atendimento foi caloroso e sempre preocupado com o nosso bem estar. Mesmo as pessoas que apareciam sem mesa reservada eram tratadas com toda a simpatia e saiam de lá com um cartão, para que da próxima vez não se esquecessem de reservar.




A comida
O menu está assim mais ou menos em russo, ou melhor o nome dos pratos estão em russo traduzido para o alfabeto romano, depois em russo e de seguida existe uma pequena explicação do prato em português e inglês. Ainda assim a explicação não foi suficiente, e por isso perdemos algum tempo a ver os pratos servidos nas outras mesas, como fonte de inspiração para o nosso pedido. 

Para entrada pedidos um Meshochek, ou seja um saquinho de massa chocante recheado com frangos e cogumelos.




Como pratos principais escolhemos o Golubsi, que significa rolos de couve lombares recheados com arroz e carne picada e Frango à Kiev. Como é óbvio não provei o prato com couve lombarda, só de pensar em tal alimento tenho um pequeno refluxo. Já o Frango estava muito bom, talvez um pouco seco, mas quem pede peito de frango não deveria esperar um final diferente. 






As sobremesas tinham tão bom aspecto que tivemos de pedir duas, de forma a conseguirmos provar o maior número de sobremesas possível. Assim pedimos o Bolo Napoleão, bolo folhado com creme de nata e o Shapka Gugutse, que são crepes recheados com ginjas cobertos com natas batidas. Ambos excelentes!! 






A conta
Pois, barato não seria, quando nos espalhamos em entradas, vinho, pratos principais e sobremesas. Ainda assim a festa ficou por 55 euros para duas pessoas. Nada mal! 


A conclusão
Se a Rússia é assim vou já comprar o bilhete de avião. Entre a simpatia, o ambiente e a qualidade dos pratos é difícil de escolher o que gostei mais. Tudo!!




Stanislav

Rua de São José, 182
213530140
Seg a Sab 12:00 a 15:00, 18:30 a 23:00

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Casa Nepalesa, Lisboa






Há noites memoráveis, daquelas que não se esquecem durante anos e anos, e esta foi uma delas. Foi memorável por várias razões: o jantar, a companhia, por ter sido a noite anterior a ir de férias (não tinha dez dias de férias seguidos há quase dois anos) e por tantas outras razões. 

O restaurante 
A 26 de maio de 2011 o sebastião já tinha escrito um post sobre a Casa Nepalesa. Agora a convite do Zomato foi a minha vez de experimentar. 

O ambiente e decoração estão fantásticos, a começar na porta imponente de madeira que contrasta com as paredes de pedra. A decoração não me leva para um ambiente tradicionalmente nepalês, mas ainda assim é muito agradável.

A comida
Fantástica!!! Muito, muito boa. A começar no nan simples, passando pelo nan com queijo e a terminar nos pratos principais. Como se tratava de um convite do Zomato foi-nos servido o menu de degustação e por isso a escolha dos pratos ficou a cargo do chef, que diga-se fez uma óptima selecção.

A conclusão
A voltar sem dúvida! Creio que o preço é um pouco acima do normalmente praticado pelos restaurantes que servem este tipo de comida, no entanto a qualidade compensa os euros que eventualmente se pagam a mais.


Casa Nepalesa
Avenida Elias Garcia 172A
Todos os dias: 12:00 a 15:00, 19:00 a 23:30
http://www.casanepalesa.pt/


nota: a foto foi retirada do fantástico blog - 12h30.blogspot.com

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Nut'Chiado






Depois do pico febril veio a convalescença.




Se no fim de semana em que o Nut'Chiado abriu só conseguiu experimentar quem tinha (a) uma dose generosa de paciência, (b) um desejo sobre-humano de comer nutella, (c) um leão social a rugir dentro de si que só se apaziguava depois de poder dizer "eu estive lá e tirei uma foto", (d) nada mais para fazer e estava divertido com a situação. O 12h30 esteve lá no dia da abertura mas acabou por decidir pela alínea (e) não temos paciência para filas, voltamos mais tarde.

Assim o decidimos, assim o fizemos.

E veio comprovar-se que foi uma sábia decisão. Agora que passou a loucura, entrar no Nut'Chiado é fácil, sem grandes filas ou confusões, tudo muito normal e pacífico. A confusão no fim-de-semana de estreia tornou-se muito mais fácil de entender assim que, depois de entrar e percorrer um estreito corredor, cheguei ao espaço propriamente dito do Nut'Chiado. 

O espaço é pequeno (diminuto), tendo meia dúzia de mesinhas (três ou quatro) e um balcão consideravelmente grande para o espaço onde está metido. Este balcão produz (muito) calor - ele é crepes, ele é churritos, ele é waffles, ele é kebabs, mas se este calor pode saber bem nos dias de inverno, nos dias de verão é como saltar da frigideira para a fogueira (ou de Caifás para Pilatos, como preferirem). Devo dizer que aconteceu-me esta última situação, por isso assim que me deram o que pedi dei corda aos sapatos (mas se calhar fui num dia em que se avariou o ar condicionado...).

Devo dizer que fiquei algo desiludido com o espaço (ou a falta dele) mas fiz rapidamente o luto e concentrei a minha atenção nas várias opções disponíveis - ele é crepes, ele é churritos, ele é waffles, ele é kebabs, tinham era de acabar lambuzada em Nutella. Decidi então pedir algo que me permitisse comer em andamento ou, pelo menos, que me permitisse caminhar até um local agradável (fresco), por isso atirei-me aos churritos!

 


Podem dizer que a minha opção não tinha muito por onde correr mal por isso é natural que tenha gostado. Discordo. Se há coisa que a comida (e a vida) me tem ensinado desde que nasci, na mais simples confecção gastronómica cai a nódoa. E, neste caso, bastava que a massa dos churritos fosse muito doce, pouco doce, mole, muito rija (como barra de ferro) para eu ter comido a Nutella com os dedos. Mas tal não aconteceu :-) Gostei da massa, gostei da combinação, gostei da inveja nos olhos das pessoas por quem eu passava na rua, gostei de me sentar nos Terraços do Carmo a comer os meus churritos gulosamente besuntados em Nutella, gostei de lamber os cantos da boca, os dedos, o cantinho do cartucho tentando prolongar ao máximo o momento Nutella - percebe-se muito que sou fã de Nutella? Sim? Boa, porque é verdade :-)




Nut'Chiado podia ser melhor? Podia. Podia. Podia. Podia. Bastava ter um espaço menos claustrofóbico e (sonhar não custa) uma bela esplanada para ser 2,5x10^5 melhor do que é agora. Mas temos pena, não parece que vá acontecer, pelo menos para já.

Mas gostei dos churritos e tenciono voltar à carga, escolhendo agora um crepe, waffle ou kebab para ver se o meu contentamento se esbate ou não. Acho que o facto da Nutella estar sempre envolvida no produto final torna difícil uma avaliação objectiva da minha parte, tudo fica bom besuntado com Nutella (Sra Ministra francesa experimente vai ver que fica logo menos azeda).

Paguei 2,8€ pelos meus churritos (havia opção com mais churros e eram 5,30€) com creme de cacau&avelã, valor que não me parece obsceno, sendo mais um factor que me leva a querer voltar.




Calçada do Sacramento, 20, Chiado, Lisboa

Horário | Dom a 5ª -
 10h às 20h | 6ª e Sáb 10h às 23h


terça-feira, 23 de junho de 2015

Barbatana, Amoreiras






O Centro Comercial das Amoreiras tem (finalmente) a zona de alimentação renovada e numa primeira inspecção, antes de uma sessão de cinema, vi o Barbatana. Um dos empregado ao ver-me interessada convidou-me a entrar e conhecer o local. Aí explicou-me que o restaurante pertence ao grupo do Porto de Santa Maria. 

Fiquei de voltar com tempo e assim o fiz. 

O restaurante
O Barbatana encontra-se dividido em 2 espaços, o balcão com bancos altos e onde existem 5 a 6 lugares sentados e uma sala de jantar. A entrada do restaurante está decorada em tons de branco com imagens de peixes, o que indica o alimento de destaque do restaurante. 

A sala de refeições tem um ar sofisticado, em tons de branco e dourado, com vista para o "campo de golfe" i.e. o baldio junto às Amoreiras. 

Não tive coragem de experimentar a sala de refeições até porque estava sozinha e seria um desperdício não partilhar a experiência, por isso contentei-me com o balcão.




A comida
A carta do balcão é um pouco mais contida, a nível de preço e de variedade, e por isso mais convidativa. Aqui o peixe e mariscos são Reis. Existe um ou dois pratos de carne "só para disfarçar" ou para contentar alguém que ali vai por engano. Pedi um dos pratos especiais do chefe, wrap de sapateira com guacamole que estava fantástico, com texturas diferentes e frescas. Óbvio, como se pode ver pelas fotos, a fome não pode ser muita. Ainda assim os sabores criados eram diferentes e foi uma excelente opção. 

A conclusão
Excelente experiência! Agora vou agoirar um pouco: o conceito é giro, a comida excelente e claramente de autor, mas não sei se vai pegar. Os lugares ao balcão (mais acessíveis) são muito reduzidos e por isso a grande aposta é a sala de refeições, e não sei até que ponto este conceito funciona bem dentro de um centro comercial. 






segunda-feira, 22 de junho de 2015

Hamburgueria 21, Av. Roma







And now for something completely different....Vamos lá conhecer uma hamburgueria... mas só um bocadinho! (Monty Python e Marta Gautier na mesma sentença... perdoem-me)

Mas antes de falar da Hamburgueria 21, quero partilhar uma pergunta que me assola...do androids dream of electric sheep? não, não é esta. Ah! já sei.... Será que as vacas não se encontram perigosamente à beira da extinção? É que com a quantidade de hamburguerias a nascer em Lisboa (e resto do país), é bom que a taxa de natalidade das vacas não tenha a mesma tendência que a natalidade da população portuguesa, sempre a descer. É que sem reforma uma pessoa até se aguenta mas sem hamburgueres é que não :-)

Bem, parvoíces à parte, vamos lá falar do que interessa. 
A Hamburgueria 21 deve (penso eu de que) parte do seu nome à avenida onde fica situado, a Avenida João XXI. A H21 fica depois da Caixa Geral de Depósitos e antes do cruzamento com a Avenida de Roma.

A Hamburgueria 21 fazia parte da minha food list desde que passei à porta e vi o resultado final das obras que, ao longo dos meses, tinha vindo a acompanhar. No entanto, como normalmente utilizo mais esta zona para lanchar (Confeitaria Lx...Frutalmeidas...drooling...) do que para jantar, demorei algum tempo até conseguir fazer a prometida visita, mas finalmente aconteceu.

À entrada da Hamburgueria 21 temos uma primeira zona, com um bar e vários sofás (e duas motas?!?), não sendo propriamente um local de refeição, pareceu-me mais um local onde se pode esperar por uma mesa (não havendo o risco de nos babarmos para cima de quem está a comer, nem quem está sentado levar com a pressão negativa de quem espera mesa), esperar pela companhia para comer, ou simplesmente pedir uma bebida no bar e chilax :-). 

A sala de refeição propriamente dita é espaçosa (fazendo uma espécie de L), muito bem iluminada (para contrabalançar a ausência de luz natural) e com um extenso uso de pinho (mesas, cadeiras e painéis nas paredes), dando ao espaço a luminosidade que necessita para nos fazer esquecer que estamos numa cave.

A minha relação com o pinho é algo bipolar, se por um lado não sou (mesmo nada) fã do pinho em ambiente doméstico, por outro lado quando me deparo com a sua utilização na decoração de espaços comerciais sinto sempre uma sensação de conforto e bem estar (deve ser o meu gene nórdico a falar). Na Hamburgueria 21, senti isso mesmo, espaço agradável, confortável q.b, com o pinho a criar um ambiente entre o rústico e o moderno.

O espaço entre as mesas (quer sejam as mesas altas ou baixas) é óptimo, algo que por vezes não ocorre em algumas Hamburguerias, que optam por ter mais mesas e muito pouco espaço entre elas (o que se pode tornar desconfortável).


(imagens retiradas do FB da Hamburugeria 21)
 



Tínhamos várias mesas à nossa disposição, tendo acabado por escolher uma mesa junto à parede (a malta gosta de bancos corridos pregados à parede, o que se vai fazer?). Como precisávamos de um compasso de espera (faltava uma pessoa) pudemos olhar com calma para a ementa e para a sala. A ementa existe sob duas formas: nos individuais que cobrem as mesas e num quadro preto junto à porta da cozinha/balcão (onde figuravam alguns hambúrgueres novos que ainda não estavam na ementa).

Depois de questionarmos quem nos atendia sobre alguns pormenores dos hambúrgueres, decidi-mo-nos por um Italiano, Guloso e Sem Cerimónia. Impossível não rir quando se diz isto em voz alta, a quem toma nota do pedido :-)

Italiano (mozzarella, tomate e pesto)/Guloso (bacon, cogumelos, cebola caramelizada, tomate e agrião)/Sem cerimónia (bacon, ovo estrelado, queijo cheddar, cebola roxa, tomate e rúcula).


Italiano

Guloso

Sem cerimónias


Dos três, a única pessoa que ficou menos satisfeita foi a que comeu o Italiano (too many jokes....). Bem, realmente quando os hambúrgueres chegaram à mesa era o que tinha o ar mais.... saudável blagrh! Isso nunca é bom num hambúrguer :-)

Do meu Sem cerimónias só tenho a dizer bem, desde as estaladiças batatas fritas às rodelas com casca (para mim hambúrguer não "pede" batata frita aos palitos, desde que estejam estaladiças podem vir), o pão de hambúrguer (muito pouco adocicado e torrado, melhor que isto só se for bolo do caco), e o hambúrguer em si (pedi mediamente passado e, espantem-se, veio um hambúrguer rosado por dentro sem estar crú, o meu conceito de médio). 

Quem comeu o Guloso garantiu-me que tinha ficado muito satisfeita com o hambúrguer que pediu, o facto do prato ter ficado limpinho (só mesmo alguns restos mortais de batata frita) levou-me a crer que tinha realmente gostado. Ou isso ou a fome era negra.




No fim, pedimos uns potezinhos para nos adoçar a boca (formato que me fez lembrar o Frankie), mais concretamente um pote com mousse de Oreos e dois com doce da casa. A mousse de oreos estava doce q.b. permitindo sentir o sabor a oreos, já o doce da casa... Vamos pôr desta forma, um diabético entraria em coma se comece um potezinho destes :-) Mas se calhar é um problema meu pois só não vi um dedo (ou língua) a raspar o interior do pote, para remover todos os resquícios do doce da casa, essencialmente por vergonha porque vontadinha não faltava.

No fim, pagámos 11€pp valor perfeitamente justo tendo em vista a quantidade, qualidade e serviço prestado (estando este valor dentro do praticado por outras hamburgerias do mesmo género). Só posso acrescentar que o atendimento foi muito simpático e prestável.

Gostei bastante e pretendo voltar para experimentar outras das possibilidades do menu.



Avenida João XXI, 45A, São João de Deus, Lisboa
Contacto | 21 8400562

Horário | 2ª a Sáb - 12h às 23h30 | Encerra ao Domingo

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quinta-feira, 18 de junho de 2015

FIB - Il Vero Gelato Italiano, Areeiro





Com o calor a despontar, ainda que com alguma timidez mas prometendo tornar-se desavergonhado nos próximos dias, decidi que era altura de ir experimentar mais uma geladaria. Bem, se é para ser realmente honesto a decisão final de ir ao FIB não foi verdadeiramente minha, uma vez que era o pagamento de uma dívida para comigo coloquei em cima da mesa várias opções. E revelou-se umas escolha muito acertada.

Lisboa parece estar a ser invadida por todos os lados, são as invasões bárbaras (ou de turistas), são as invasões da côdea e do miolo (ou de padarias e pastelarias), são as invasões americanas (hamburguerias, hamburguerias, hamburguerias) e as invasões italianas (pizzarias, gelatarias, pizzarias, geladarias), e todas parecem estar para durar. E ainda bem.

A invasão de gelatarias com alma italiana é então uma realidade que parece não vir a esmorecer nos tempos mais próximos, como a abertura do Felicidade Interna Bruta (FIB) - Il Vero Gelato Italiano evidencia.

FIB... demorei algum tempo a descobrir o que significava este acrónimo e, como hei-de dizer de forma que menos magoe, preferia que tivessem assumido o nome que escolheram do que promoverem um acrónimo demasiado próximo a outro, que nos tempos que correm, tem uma conotação visceralmente negativa, o PIB. :-)

Felicidade Interna Bruta fica muito perto da rotunda do Areeiro (a.k.a. Praça Francisco Sá Carneiro), estando localizado mais ou menos a meio de uma das avenidas que sai desta mesma rotunda, a Avenida Padre Manuel da Nóbrega.

 


O cor de laranja é a palavra de ordem no Felicidade Interna Bruta o que, de certa forma, permite localizar a geladaria a alguma distância. Ele é toldos laranja, ele é cadeiras e mesas de esplanada laranjas, ele é logotipo laranja, tudo contribuindo para dar alegria e vivacidade ao espaço. A esplanada fica no passeio, a todo o comprimento da loja, tendo um número razoável de mesas e cadeiras para comermos os belos gelados, crepes ou waffles que compramos no interior da loja.

 


O interior é maior do que esperava, conseguindo ter, para além dos balcões frigoríficos, quatro ou cinco mesas redondas com espaço suficiente entre elas para não nos sentirmos sardinhas em lata ou alguém enfiar a colher de gelado na boca errada.

A decoração...parece ter havido algum esforço mas algures durante o caminho alguma coisa falhou e ficámos com algo um bocadinho desarticulado. No entanto, achei curioso as latas antigas de leite (onde me sentei enquanto esperava a minha vez) e a mistura de azulejos que decora uma das paredes. Na verdade, a decoração do espaço nada impede de nos sentirmos confortáveis enquanto nos deliciamos com o gelado escolhido e damos dois dedos (lambuzados) de conversa.

Os sabores são diversificados indo dos sabores mais clássicos como o chocolate, framboesa ou maracujá até sabores mais diferenciados como limão e hortelã, lima e gengibre, maçã reineta com mel e canela ou caramelo de flor de sal.

 


Como não estávamos com grande espírito de aventura pedimos sabores mais "normais", gelado de café (bica) e de chocolate para um, gelado de maracujá e de caramelo com sal para outro. Com excepção do caramelo (demasiado salgado), todos os restantes sabores estavam excelentes, especialmente o de café cujo sabor me fazia lembrar os kopikos, esses rebuçados demoniacamente viciantes.




A relação qualidade, quantidade, preço é um dos grandes trunfos desta geladaria. Só temos que escolher o tamanho do cone ou copo - pequeno (2€), médio (3€) ou grande (3,5€) - porque o número de sabores é o que quisermos e o cone ou copo aguentar :) Portanto ao darmos 3,5€ por um cone temos a garantia de sermos bem servidos quer em termos de qualidade (os gelados são óptimos) como em termos de quantidade, o que só faz com queiramos voltar outra vez.

Caso não tenham espaço na esplanada para se sentarem, e não queiram ficar dentro da geladaria, podem sempre caminhar até ao Jardim Fernando Pessa (acesso a partir da Avenida de Madrid) ou até ao jardim na Praça Afrânio Peixoto (em frente da estação de comboios Roma-Areeiro), onde se podem sentar a comer o gelado.

Depois de acabar o gelado tem-se uma Felicidade Interna Garantida ou seja chamamos-lhe um FIG(o).






Avenida Padre Manuel da Nóbrega, 13E, São João de Deus, Lisboa
(pertinho do Areeiro/estação dos comboios)
Horário | 3º a 5ª - 12h30 às 20h | 6ª e Sáb - 12h30/14h às 23h | Dom - 14h às 20h
Encerra à segunda-feira



quarta-feira, 17 de junho de 2015

Frankie, Campo Grande








Frankie foi o local escolhido para festejarmos algo extraordinariamente trivial, conseguirmos ir almoçar fora durante a semana.

Para mim e para a Joana, os almoços fora nos dias de semana são um evento raro, em real perigo de extinção (como se de um lince ibérico se tratasse). Por isso é natural que quando conseguimos tal proeza tentemos escolher um local engraçado onde possamos festejar o acontecimento de forma modesta mas (muito) sentida.

A escolha do Frankie como local para festejarmos a nossa "vitória", o nosso Marquês de Pombal, foi fácil (o que, convenhamos, nem sempre acontece) porque ficava perto do nosso ponto de partida, não precisava de reserva, tinha estacionamento (parquímetros mas ainda assim estacionamento), era economicamente sustentável, e oferecia uma espécie de fast food ainda pouco explorada por nós - os hot dogs - e tudo o que víamos na internet fazia crer que seria uma boa aposta.

E unanimemente concordámos (essa legião de três pessoas) que fizemos uma excelente aposta.

O Frankie fica em plena Cidade Universitária (Campo Grande), às portas do Colégio Moderno, na Rua Dr. João Soares. Não tivemos grandes dificuldades em estacionar, foi chegar, colocar moedinha no parquímetro e seguir em frente para a batalha, mas acredito que haverá alturas em que o estacionamento não será assim tão fácil (muito jovem universitário nas redondezas). Uma vez na Rua Dr. João Soares, rapidamente se dá conta do toldo preto com Frankie em letras brancas, easy peasy.

Chegados à entrada do Frankie, rapidamente se percebe que foi dada grande importância à decoração do espaço e não somente à ementa. O espaço tem um ambiente moderno e trendy (mas em bom), inteligentemente adequado ao que se pressupõe ser o seu público alvo - adolescentes, jovens adultos e adultos com espírito jovem (onde nos tentamos incluir), ou não estivesse o Frankie à porta do Colégio Moderno e colado à Cidade Universitária. Apetece-me dizer (estejam à vontade para discordar) que o Frankie tem uma certa hipster vibe, tendo uma decoração retro mas moderna, com as suas mesas altas com tampos de mármore, bancos corridos de cabedal (ou cabedal like), chão parcialmente coberto por azulejos a formar um padrão retro, entre outros elementos decorativos que ajudam a criar essa vibe.

A surpresa, em termos de espaço, surgiu no fantástico pátio nas traseiras do restaurante. Anormalmente espaçoso, com dois patamares, e um ambiente a suspirar dias de sol e de férias graças às suas paredes vermelhas, o verde das plantas e o mobiliário de terraço. Haja sol e facilmente vamos sentir que estamos no verão, independentemente da altura do ano em que nos encontremos.

Ao mesmo tempo que apreciávamos a decoração do espaço, fomos tentando perceber quais eram as nossas opções gastronómicas e como era a dinâmica do restaurante. Admito que o sistema de pré-pagamento do Frankie, levar algumas coisas comigo e depois vão-me entregar a comida à mesa, não é o esquema que mais me agrada. Se é espírito self-service/pré pagamento então é para receber tudo de uma assentada, se é para sentar e esperar que me venham trazer a comida então faz-me mais sentido serviço de pedidos à mesa/pós pagamento (menos perda de tempo). Ainda para mais, Frankie parece querer ser algo na onda das hamburguerias gourmet, como Honorato e afins, e não de um fast food joint de centro comercial mas depois espeta com um pré-pagamento e uma espécie de serviço de mesa. Como estávamos em modo Happy, não nos ressentimos muito com o tempo que passou entre fazer os pedidos e o cachorro surgir à nossa frente, mas se tivéssemos o tempo contado teríamos rosnado um bocadinho.

 




Continuemos então. Depois de esmiuçarmos a ementa, acabámos por pedir três hot dogs: Chimichurra, Tuga, Sweet mango, tendo dois vindo com batata frita e um com batata frita Frankie, e bebemos dois chás do Frankie e uma limonada de morango. Alguns de nós ainda andaram a balançar entre o wrap ou o corn dog mas ninguém conseguiu resistir ao apelo dos cachorros.



Quando os tabuleiros com os cachorros foram colocados à nossa frente, a expressão nas nossas caras era idêntica e indiciava o mesmo pensamento "Como é que vou comer isto?". Mas após o susto inicial todos arranjámos as estratégias necessárias para comer os belos cachorros que nos puseram à frente. É que os hot dogs no Frankie são algo mais complexos que o normal cachorro de barraca de feira, a salsicha e o pão estão lá na mesma, é verdade, mas o que os cobre vai muito para além da mostarda, ketchup e batata palha. Guacamole, ovo estrelado, manga foram alguns dos ingredientes com que nos deparámos mas existem mais, sendo na junção (feliz) destes ingredientes que reside o segredo do sucesso.

E sim, os três cachorros fizeram sucesso. Todos gostámos da raça de cachorro que escolhemos.

Em termos de acompanhamentos, experimentámos as duas variedades de batatas fritas, as normais e as Frankie. A diferença entre elas está no queijo e bacon que cobrem as batatas fritas Frankie, fazendo com que estas possam ser acompanhamento ou um excelente appetizer. As duas variedades de batatas estavam bem fritas, com um tamanho próximo da batata palha, tendo sido o acompanhamento perfeito para os hamburgueres. Único senão... podiam estar um bocadinho mais quentes mas ainda não tinham atravessado a linha que as colocaria na categoria blagh!
Ao fim de muita conversa, risota e fotos (muitas fotos) decidimos que era altura de atacarmos as sobremesas: Cheasecake oreo e salame especial. Colocar um sem número de sobremesas, umas sobejamente conhecidas (cheasecake, tarte de limão merengada ou mousse) outras não, em frascos pareceu-nos uma excelente ideia :-) A quantidade pareceu-nos perfeita, não é tão pouca que nos faça gritar Forretas! nem em demasia que nos faça dizer entre dentes Estou tão enjoado! Sim porque estas sobremesas são doces mas, pelo menos para nós, não em excesso.
 



Caso ainda tenham dúvidas, gostámos muito do Frankie, especialmente quando, no fim da refeição, pensámos no que tínhamos pago (9€pp) e o que tínhamos comido, chegámos à conclusão que o saldo foi positivo para nós. O atendimento foi sempre simpático e solícito quando necessário.

Existem algumas coisas a melhorar mas não o suficiente para me afastar de outra visita.Espero que realmente o Frankie tenha sucesso e consiga espalhar-se por outros locais para, quem sabe, atenuar o monopólio dos hamburgueres.







Rua Doutor João Soares, 8B, Campo Grande, Lisboa

Horário | 12:00 às 24:00| 2º a Sáb
Encerra ao Domingo

Telefone | 21 4003781
https://www.facebook.com/hotdogsfrankie