sábado, 30 de Agosto de 2014

Pomme de Terre, Príncipe Real





Juro que não me ando a desfazer das pessoas mas foi um (outro) adeus que me trouxe aqui, no entanto este adeus é menos oneroso tendo tem um "v" de volta (bem curto, dizem os que se vão embora). E agora uma daquelas frases feitas que se lêem no verso de um pacote de leite (e que dará algum sentido à primeira frase) "as férias são como uma doença infecciosa auto-limitada - infecta, cura e volta-se à vida - que felizmente não provoca anticorpos apenas saudades (e às vezes um bronze)".

Ao princípio houve alguma resistência em virmos a este restaurante (nada contra o restaurante, apenas vontade de ir a outro que já estava na lista de pedidos) mas lá consegui convencer que bom mesmo era irmos experimentar um restaurante de batatas ou, como os próprios chamam, batataria como despedida para férias. Sei que pagarei (de bom grado, naturalmente) esta derivação mas tinha mesmo muita curiosidade (e vontade) de comer estas batatas.




A descoberta deste restaurante foi casual, recebi um daqueles e-mails de ofertas e descontos que tinha no assunto "conheça um restaurante especializado em batata" e algo em mim disse - Oi?! A partir daí foi só uma questão de "zomatar" e "googlar" para descobrir o que era e onde ficava o Pomme de Terre.

Admito que foi o site do restaurante que me conquistou, o que é algo estranho e pouco usual nos dias que correm. Actualmente os restaurantes ou não têm site (facebook tornou-se a norma) ou quando têm não são... huuummmmmm... bons? informativos? sim, deixemos assim. Pelo contrário, o site está muito bem conseguido, com fotografias e um design que me prendeu a atenção e provocou em mim um sério craving for tatas. Não sei se já disse mas mim gostar de batatas, quase tanto como gostar de bolos.... senhores da Rua Sésamo para quando um monstro das batatas, eu comprava uma t-shirt (eu sou peludo e castanho... trá la rá la rá!).

Como sabia mais ou menos onde era o restaurante (algures na Praça das Flores), e estava confiante que se chegássemos cedo conseguiríamos obviar a parte da reserva de mesa (que não tínhamos), pusemo-nos logo a caminho.

Pomme de Terre não ficava bem, bem onde eu pensava mas não andava longe (o que nem sempre acontece, por isso à que ficar contente com as pequenas dádivas da vida), ficando um bocadinho acima da Praça das Flores. Pomme de Terre fica na esquina entre a Rua Marcos Portugal e o Largo Agostinho da Silva, largo onde existe um pequeno jardim cujo potencial é amplamente utilizado (e muito bem) pelo restaurante. E porque estava uma noite fantástica (quentinha e quase sem vento.... bem, eu diria sem vento mas como o mexer, quase imperceptível, de uma peça de roupa no estendal de um terceiro andar sem elevador é sentido por algumas pessoas na esplanada - síndrome da ervilha entalada no colchão aplicado ao vento - não me permite dizer sem vento) as mesas da esplanada pareciam estar todas reservadas ou já ocupadas, e como respondemos negativamente à fatídica pergunta "Têm reserva?", já víamos o nosso destino traçado - mesa dentro do restaurante (buuuáááááá!). Mas lá tivemos sorte e conseguimos mesa, não no palanque (esplanada ao longo da parede do restaurante) mas numa esplanada em pleno jardim (beggars can't be choosers).

Espero que compreendam que o interior do restaurante nada de tinha de mal. Está muito engraçado, com uma decoração alegre e descontraída, onde impera o azul (eu diria petróleo mas sou um bocadinho color blind) e o laranja, perfeito para quando o mundo exterior estiver agreste não quando está a Dream of a Midsummer Night.




Depois da indecisão e divagação inerente a qualquer ida a um restaurante (onde a minha resposta à pergunta "Mas tu já escolhes-te?" é normalmente "Ainda não mas suspeito que tenho muito tempo... - Time is on my side (Yes it is)! cantam os Stones dentro da minha cabeça :-)") lá nos decidimos por uma Perestroika, batata recheada com strogonoff de frango em combinação aromática de alecrim, cogumelos e natas, e a torre que vêem em baixo (desculpem mas esqueci-me do nome do prato... ups), composta por batatas cozidas em leite, bife de frango coberto com presunto e cogumelos.




Se disserem que, depois de comer esta refeição, ainda têm um ratinho tenho apenas uma palavra  - ténia! ou duas - bicha solitária! - a dizer. Não, a sério. As duas batatas, cada uma no seu formato, estavam excelentes, de tal forma que nem deram sono (na verdade deram direito a um longo passeio para as transformar em puré). Eu sei, são batatas mas batatas a saber a batatas com o aspecto que estas batatas têm, não é fácil de encontrar (anos luz das batatas dos irish pub's).

Apesar de necessitar de desapertar as calças (sentido filosófico, ok? jamais faria tal coisa... nem que fosse pelo medo de me levantar e elas caírem), jamais poderia recusar uma sobremesa que me desperta a curiosidade... cheesecake de batata doce com coulis de frutos vermelhos (CheesePommeCake). E não satisfeitos também pedimos waffle de batata doce com bola de gelado de after eight (Americana).




Que posso eu dizer... muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito bom, muito bom mesmo!! Ambas as sobremesas estavam excelentes, especialmente o cheesecake, de forma que vale a pena ir a este restaurante só para comer a sobremesa. 

A simpatia e eficiência do atendimento (esplanada, thank you!), a comida óptima que nos serviram, as sobremesas excelentes que nos souberam que nem cerejas, fizeram com que os cerca de 20€ pp não nos parecessem exorbitantes. Óptimo restaurante para ir, especialmente em noites propícias para comer na esplanada (mas reservem, nem sempre se tem sorte).



Rua Marcos Portugal, 2 | 1200-258 Lisboa
Horário 10h às 02h | Encerra às Terças-Feiras

http://www.pommedeterre.pt/

+351215 944 480 | +351 913 756 033

algumas fotos retiradas de Lifecooler e Little tiny pieces of me







quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

Frei Contente, Lisboa





O Frei Contente tinha aqui no 12h30 um grande fã; desde 2008 que o Sebastião já conhece este espaço e sempre elogiou as suas características. Pela minha parte sempre tive grande curiosidade em conhecer mas nunca surgiu a oportunidade! Entretanto, as estrelas alinharam-se, em grande parte por ter recebido um voucher do Zomato, e portanto lá fomos finalmente experimentar o Frei Contente! :) 

Com uma sala muito bem decorada, com janelas grandes, e com uma boa mistura de branco, castanho e cinza, o ambiente é bastante informal e agradável! Como decidimos levar os little 12h30 connosco, foi necessário chegar cedo para garantirmos que não esperaríamos muito tempo pela comida, e para não apanhar as horas de maior confusão no restaurante. Obviamente que o restaurante era "todo nosso" quando lá chegámos...






Começámos logo a atacar no couvert que tinha um ar delicioso, e a puxar para o saudável! :)


(que horror, palitos de cenoura, meu Deus, o mundo está perdido!) 


Por opção, não escolhemos um dos pratos principais mas sim vários petiscos. A saber: gambas al ajillo, punheta de bacalhau, polvinho à lagareiro e pernas de frango no forno. Aqui ficam! Como podem ver são petiscos em doses bem generosas! :)




Estava tudo óptimo! Adorei as gambas e o polvo, bem como o molho que acompanhava as pernas de frango!

Para os mais pequenos, optámos por pedir um bife da vazia à Portuguesa que estava excelente. E aquelas batatas que o acompanhavam posso dizer que eram divinais! :)




Já se sabe que raramente saímos de um sítio sem comer a sobremesa... apesar de já estarmos um pouco cheios (lá está, eram petiscos mas quase em quantidade de prato principal!), ainda fizemos o "esforço" de chegar às sobremesas! :)


Sopa de morangos com gelado de baunilha

Bolo de chocolate


Em suma, posso dizer que as minhas expectativas quanto ao Frei Contente foram superadas! A fasquia estava alta! Tantos anos a ouvir falar bem, a recordar que lá se comia muito bem, confesso que estava com algum receio de que não corresse bem! Mas não! Nada a apontar! À chegada, como já disse, o restaurante estava vazio mas, a pouco e pouco, foi enchendo, mas sempre com um ambiente agradável! :) 
A conta ficou em cerca de 50 euros, ou seja cerca de 12,5 €/pp, o que me parece muito adequado, e nada caro para a quantidade e sobretudo, qualidade do que foi consumido!


Rua de São Marçal, 88-94
Lisboa
Tel. 938 212 749
Seg - Qui: 18:00-23:00
Sex - Sab: 20:00-2:00







segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

Noélia e Jerónimo, Cabanas de Tavira




Tal como "A Chaminé", o  "Noélia e Jerónimo" é outro dos restaurantes muito recomendado no Sotavento Algarvio. Aproveitámos uma noite em que nos despachámos cedo da praia para nos deslocarmos até Cabanas de Tavira para tentarmos encontrar este restaurante. Devo dizer que há cerca de 20 anos que não ia a Cabanas e portanto fiquei num misto de chocada/espantada com a dimensão entretanto atingida. Não estive lá tempo suficiente para verificar se cresceu e ficou melhor... deixemos isso em aberto!
 
 
 
 
A Noélia e Jerónimo é um restaurante pequeno, quase no final da marginal de Cabanas de Tavira, e que por acaso tem uma esplanada que ainda não estava cheia quando lá chegámos! 

(Relembro aqui que estivémos no Algarve na primeira semana de férias da Páscoa, época mais ou menos baixa, portanto!)

Este é daqueles sítios que não se pode fazer a gracinha (que nós tanto gostamos...) de ir para lá sem uma reserva! Lugar só na esplanada e é para quem quer (e chegámos cedo ao restaurante, tipo 19:30, mas os istrangeiros são imbatíveis na arte de jantar cedo!)! O único senão de comer na esplanada: os potenciais insectos e a meia luz a que tem de se comer!

 


Nas entradas ficámos pelo couvert, tradicional, com o pão, manteiga, paté "do mar" e as azeitonas. 

 


E para os pratos principais escolhemos pataniscas de polvo e filetes de peixe-galo, ambos com arroz de coentros, e uma massa à carbonara para os dois little 12h30. Os pratos mais elaborados têm um tempo de confecção estimado em 45 minutos e esse é um luxo a que não nos podemos dar com crianças cansadas de praia e piscina! Por isso, o arroz cremoso de corvina com amêijoas ficou nos nossos pensamentos para uma próxima oportunidade!

 


Estava tudo óptimo! Gostei imenso das pataniscas de polvo, os filetes eram óptimos e os meninos também gostaram muito da comida deles. As doses não são em definitivo para duas pessoas e eventualmente poderão dar para um adulto e uma criança (mas daquelas que não comem muito...).

Como é óbvio não poderíamos sair daqui sem um doce! Escolhemos uma mousse de lima, que nos foi recomendada pela funcionária que nos atendeu. Estava efectivamente excelente! :) 

No final a conta ficou em 42 euros. Pareceu-nos bastante aceitável; caso optem pelos pratos de confecção demorada, estes serão também ligeiramente mais caros (mas nada que nos "assalte" a carteira).

Uma boa opção em terras algarvias! :) 



Avenida da Fortaleza, loja 1
Cabanas de Tavira
Tel. 281 370 649

Nota: Fotos - Joana, FB "Noélia e Jerónimo", http://www.east-west-algarve.com/CABANAS.html 





sábado, 23 de Agosto de 2014

D'Bacalhau, Parque das Nações





 





Foi um adeus que me trouxe aqui.
(eu sei, parece um verso de um fado mas é mesmo verdade)

Um adeus mais no género de gente feliz com lágrimas do que alma minha gentil que te partiste, tão cedo desta vida descontente, mas ainda assim um adeus.
(levar a coisa mais no sentido filosófico do que no sentido literário)

Não, não foi mais alguém que morde a poeira. Não foi mas é quase como se fosse, menos a parte de ter um sofá numa qualquer cidade perdida no mundo. Ver partir para a reforma (merecida e necessária) alguém que nos ajudou a ser quem somos como profissionais (e também como pessoa), sempre imbuída de uma calma e paciência sem limites (e frequentemente testada), custa. E por custar, uma parte de mim tem a veleidade de manter o sentimento profundamente injusto e injustificado de não quero! não deixo! não, não e não! Mas depois acordo e percebo que já não tenho idade para birras. 

E foi assim que me vejo num "jantar de serviço", algo que vai contra os meus chakras mas a vida é assim pejada de realinhamentos. 

Enquanto caminhava em direcção ao restaurante, vindo da Torre Vasco da Gama, pensava para os meus calções que o local escolhido para o jantar de despedida não poderia ser mais desolador. A correnteza de pavilhões entre a FIL e o rio, onde um dia houve um sem número de restaurantes, bares e discotecas cheios de vida, é agora um local desolado e triste pois muitos desses estabelecimentos fecharam. Admito que me fez alguma confusão o ar de abandono de tantos pavilhões. 

Mas felizmente alguns desses pavilhões ainda têm vida, e conseguem manter a porta aberta, permitindo ter esperança que no futuro esta zona volte a ter a vida de outros tempos.

O D'Bacalhau é um desses casos, ficando sensivelmente a meio da linha de pavilhões.
(é fácil de dar conta, é o restaurante que está aberto)

O restaurante é grande e permite escolher entre a esplanada, piso térreo e piso superior. Como era um jantar de grupo, fomos encaminhados para o piso superior onde nos esperava uma sala ampla com muita luz natural, onde imperava uma decoração simples, funcional mas cuidada.


 



Eu sei que vai ser uma surpresa para vocês quando eu disser que os pratos envolvem todos (pelo menos a maioria) bacalhau.
(não! não posso! Nunca teria imaginado tal coisa. A vida tem com cada surpresa. Bravo!)


A ementa estava previamente escolhida (bacalhau!bacalhau! e bacalhau!), portanto todo aquele momento da caça pela vítima certa num rectângulo de papel (plastificado ou não, é opcional) foi obliterado. Ficando apenas a espera, a espera que nos sirvam as bebidas e a comida. E quando veio, veio exactamente como está na imagem em baixo - bacalhau com broa, bacalhau à Brás, bacalhau com natas e bacalhau à lagareiro. De uma assentada só quatro pratos diferentes (bazinga!), foi só sacar das armas (talheres) e Contra os canhões marchar, marchar!
(existe alimento mais patriótico que o bacalhau?)  
 

 


Garfada daqui, garfada d'acolá. Resultado final? Tudo bom! O meu favorito foi o bacalhau com broa mas admito que é uma escolha enviesada, simplesmente porque é dos pratos que eu mais gosto e este estava bom. 

As opções de sobremesa eram limitadas pelo menu de grupo (mousse de manga, chocolate ou abacaxi) mas isso não impediu que me atracasse a uma bela mousse de chocolate. E não é que era mesmo mousse? Não era daquelas cem por cento instantâneas, só feitas de ar e vento que com duas voltas da colher ficam a um terço do tamanho, pelo contrário, senão era mesmo de chocolate imitava muito bem.

No fim, pagámos 16€pp, o que me pareceu um valor mais do que justo tendo em vista o que se bebeu e comeu (dizem que o bacalhau é um peixe e dos mais carotes). É um restaurante óptimo para jantares de grupo, tendo o espaço necessário para permitir toda cacofonia inerente a um grupo de pessoas sem causar problemas aos próprios e a outras pessoas que estejam no restaurante.


 

Rua da Pimenta 45 - Zona Ribeirinha Norte
1990-254 Lisboa - Parque das Nações
(ou seja, linha de restaurantes antes de chegar à Torre Vasco da Gama)

Horário | Almoços 12h às 16h | Jantares 19h às 23h

Tel:218941296/7 - Tlm:967353663 - Fax:218941298
www.restaurantebacalhau.com | Facebook

Fotos obtidas do site/facebook do restaurante




quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Golf D' Água, Aroeira




A Joana já tinha realizado um post sobre este restaurante em janeiro de 2012, no entanto uma nova visita, passado algum tempo, merece um novo post.

Num dia particularmente difícil para decidir onde ir almoçar, visto que teria de ser na margem sul, perto da Costa da Caparica e agradar ao aniversariante - o meu pai - após uma longa pesquisa, cheguei a uma shortlist bem pequena, ou o restaurante no cimo do elevador de Almada (local a visitar numa próxima oportunidade) ou o restaurante na zona comercial da Herdade da Aroeira. 

Alinhada com o espírito atual, devido a toda esta história do BES e da família Salgado, decidi por um sítio onde administradores das empresas do BES poderiam viver. Apesar de várias vezes já ter passado pelas redondezas nunca tinha entrado no condomínio. Que posso eu dizer?!? Não me importava de ali ter uma "casinha", ou então, que só não tenho ali uma casa porque depois era uma chatice atravessar a ponte todos os dias. Assim está melhor!

O local é muito agradável, calmo, apesar de não ter vista para o mar, sente-se o cheiro e a calma que os pinheiros e mar nos oferecem. Como se todos os problemas se afastassem, como se o stress da vida da cidade desaparecesse, quase que compreendo as pessoas que vão morar para fora de Lisboa, mas só quase.




O restaurante fica logo à entrada do condomínio, na zona comercial, onde existem também algumas lojas e um supermercado. Tem à disposição buffets, como estamos no verão, de saladas. No inverno, comidinhas mais pesadas como feijoada à brasileira. O buffet apesar de não ser muito extenso, é muito variado e de boa qualidade. As sobremesas, não podia deixar de ser, eram muito boas, apesar de pouco imaginativas.






O Golf D'Água não surpreende mas cumpre bem a sua função, dar uma boa opção de refeição aos residentes. Para quem não é residente, é uma opção válida se estiver nas imediações, e se quiser fugir aos tradicionais restaurantes de praia, ou então desfrutar de um ambiente mais calmo num dia de verão. 

Quanto ao preço, o buffet são 12 euros. Nada de escandaloso.



Contactos
Herdade da Aroeira, Avenida Pinhal da Aroeira, loja 9 - Charneca da Caparica
Tel - 216 003 4456
golfdagua.com.pt
Horário - 8h-0h




quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Hotdog Lovers, Lisboa







Por ocasião da despedida de mais uma amiga que ía emigrar. Another one bites the dust. Nos últimos tempos, tenho a sensação que vou a mais festas de despedida de pessoas que vão emigrar do que a aniversários. Por este andar acabam-se as festas de aniversário. O ponto positivo e interesseiro é a disponibilidade de casas espalhadas por esse mundo fora. 

Já conhecia o hotdog lovers de idas anteriores, mas sempre o utilizei para cafés ou bebidas. O local é muito simpático e agradável. Bem, não o deve ser à hora de ponta, visto que a Avenida da Liberdade é a mais poluída de Lisboa, mas à noite, depois de todo o reboliço e stress, é um local aprazível. Ao fim de semana é também um local calmo para uma bebida ao final da tarde.




Nesta visita decidi provar o hotdog chili, contra a recomendação do empregado que insistiu várias vezes que era muito picante e eu não ia gostar. Ao fim de alguma insistência lá consegui convencer o empregado que seria capaz de tolerar o hotdog. Pouco convencido serviu-me. O hotdog era delicioso, picante, mesmo muito picante, ou seja perfeito. Mas não era só o picante que o tornava delicioso, o pão, os feijões, tudo muito bom!

O preço é o normal para estes sítios, o que significa que uma refeição fica por menos de 10 euros.


Contactos
Avenida da Liberdade - Lisboa
Horário: 10.00 ás 02.00




segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

RésVés, Campo de Ourique




"(...) a expressão resvés Campo de Ourique, que significa "por um triz, à justa", remonta ao traçado urbano da Lisboa oitocentista: a circunvalação que traçava os limites da cidade passava dentro do próprio bairro de Campo de Ourique, na rua Maria Pia, pelo que o bairro era considerado à justa parte de Lisboa (a zona do Casal Ventoso já era exterior às portas da cidade). Os limites da cidade são actualmente mais abrangentes mas a expressão cristalizou-se e permanece na linguagem corrente."
in Flip


"A expressão résvés Campo de Ourique remonta a 1755 quando o terramoto assolou Lisboa tendo destruído a cidade até à zona de Campo de Ourique, que ficou intacta. A partir daí o ditado generalizou-se."



Campo de Ourique sempre foi um bairro com vida e movimento mas, nos últimos anos, o encerramento de inúmeros espaços comerciais tinha provocado alguma estagnação. Mas, qual fénix a renascer das cinzas, Campo de Ourique parece estar a ganhar um novo fôlego, com a abertura de inúmeras lojas, restaurantes, cafés e a reabilitação do Mercado. E voltou a ser um local que atrai pessoas novas para morar (mesmo que em apartamentos do tamanho de caixas de fósforos).

O RésVés é um desses novos espaços ficando situado mesmo no coração de Campo de Ourique, no Jardim da Parada. O RésVés é, acima de tudo, um café de bairro, familiar, calmo, local onde famílias ou amigos se encontram para almoçar, lanchar ou simplesmente beber um café e dar dois dedos de conversa (um Cheers sem álcool).

O espaço tem uma decoração engraçada, moldada ao espaço disponível (que não assim tanto quanto isso), mas que consegue criar diferentes ambientes palpáveis à medida que caminhamos pela RésVés: uma zona mais confortável/descontraída no espaço de entrada (onde fica o balcão), uma zona mais recatada/"séria" após subir uns degraus e uma esplanada no jardim das traseiras (junto fica uma parte dedicada às crianças, com brinquedos e livros).





Tenho ficado sempre na zona mais "séria" (nem que seja porque sou um tipo sério e carrancudo) e já comi um pouco de tudo: gelados (bons mas não tiram ninguém do pódio), panquecas (Nutella!!!), sandes e bolos da casa (sempre que lá vou tenho dois à minha escolha.... até agora todos têm corrido muito bem.... o de chocolate....)

O atendimento... descontraído e um pouco desconcentrado mas ainda assim simpático. Não sei se já colmataram a falha mas não tinham tostadeira... estranho, muito estranho.... não sei como é que um café consegue não ter uma tostadeira mas pelos vistos é possível. Preços... not that cheap.

Local engraçado e com uma oferta interessante e diferente daquela que a vizinha Padaria Portuguesa oferece. E é nesta diferença é que está o ganho.




Rua 4 de Infantaria 26 R/C esq (Jardim da Parada)
1350-272 Lisboa
2ª a Dom: 10h | 20h
T | 21 131 6252 | geladaria.resves@gmail.com
Facebook



quinta-feira, 31 de Julho de 2014

L'Éclair, Av. Novas


 







Passeava distraidamente pela Duque d´Ávila quando reparo que abriu algo novo num espaço à muito abandonado  (na verdade, não tenho recordação de alguma vez ter visto algo a funcionar neste espaço), num edifício perto da intersecção com a 5 de Outubro.

Quando se é distraído como eu, é compreensível não dar conta de alguns pormenores assim logo à primeira. Neste caso, não dei logo conta do nome do espaço. Este facto fez com navegasse um pouco na maionese e pensasse que, em vez de éclair's, vendessem relógios ou outros acessórios caros. Mas vá, o facto de os homens que atendiam estarem de fato, as senhoras a serem atendidas terem todas um cabelo armado e ar de old money, a montra não permitir, a quem passa, ver o que lá está exposto e a decoração do espaço ser tão elegantemente minimalista, contribuíram muito para esta minha especulação.
Com mais algumas passagens pela rua, descobri então como estava enganado em relação ao que vendem. E aí o meu interesse passou de vento glaciar para brisa fresca em dia de verão sahariano.

A decoração é realmente minimalista e elegante, dando aos éclair's a importância de uma jóia Cartier ou de um relógio Patek Philippe. Admito que este tipo de decoração (e pessoas de fato a atender) fez com que demorasse algum tempo a ter vontade de entrar e experimentar, enquadro-me mais em ambientes informais, mas a vontade de dar uma garfada num éclair falou (finalmente) mais alto.

A escolha é variada e difícil. Primeiro, éclair salgado ou doce? Segundo, qual dos salgados? qual dos doces? Terceiro, quantos queremos (bem, ao ver o preço a resposta é um, mas por vontade da alma a resposta é um de cada). E depois o que beber? Qual dos chás? Questions, questions, questions...
Necessário acrescentar que macarons, croissant, pain au chocolat e outras iguarias também estão disponíveis.
 


 
Felizmente quem atende tem paciência e simpatia, e todas as questões se resolvem de forma calma e sem grandes percalços.
 

 
A minha atenção ficou-se pelo éclair de citron (as palavras "inspirado na tarde de limão merengada" são me fatais como o destino). É verdade que se ficou sem muitos lugares para estacionar, mas a ideia de tornar a Duque d'Ávila numa rua quase pedestre (quase ramblesca) foi realmente fantástica. Nada melhor que estar numa esplanada, protegido do sol mas gozando da sua luminosidade e calor, a comer um éclair (que estava excelente) e a ler Boris Vian... existe algo mais bourgeois?


 
A parte menos bourgeois é chorar um bocadinho na altura de pagar (aqui sou mais prolétariat). Os éclair são caros quando comparados ao preço de uma bola de berlim ou um pão de deus, mas considero esta comparação injusta, não jogam no mesmo campeonato. Por isso se forem a esta patisserie française (tal como ao Poison d'Amour), vão com a noção que vão comer uma delicatessen e como tal o preço será mais elevado do que normalmente se paga pela pastelaria tradicional (em média 3,5€ por éclair doce).

Por mim, gostei e conto fazer do L'éclair um local para devaneios pontuais, quando me apetecer algo diferente.


Duque de Ávila, 44 | 1050-083 Lisboa
2ª a 6ª : 7h30 - 20h | Sáb + Dom : 9h30 - 19h
 






terça-feira, 29 de Julho de 2014

Guacamole, Lisboa






Guacamole surgiu de repente na minha vida e marcou-me profundamente.... bem, pronto também não foi assim tão transcendental, nem life changing, nem ficámos amigos para sempre (cala-te Carrera, cala-te Sarah). Digamos então que gostei o suficiente para querer escrever um post.

Quando o conheci, Guacamole vivia no Atrium Saldanha, escondido a um canto, ao qual fui parar depois de torcer o nariz a todas as outras opções existentes no food court do Atrium. Pareceu-me bem, sentia-me aventureiro e não havia fila... como recusar esta dádiva do destino? a partir daí voltei lá mais algumas vezes até que.... fechou. E qual não foi a minha surpresa quando o volto a reencontrar no Colombo!?

É verdade que abriu num recanto do Colombo com elevada rotatividade de estabelecimentos (Magnolia, i miss you) mas vamos pensar que o Guacamole vai quebrar o enguiço (Yes, you can!).

O espaço no colombo está disposto de forma a ser prático mas com bom gosto. A decoração, para restaurante de cariz mexicano, é estranhamente contida e com bom gosto (nada de cores excessivamente garridas, ponchos ou sombreros).

Guacamole, como já devem ter percebido, serve comida com inspiração mexicana, onde a parte mais fácil é escolher a forma em que se quer a refeição - burrito, fagita, burrito desnudo (sem tortilla) ou taco.

A partir daí é sempre a escolher nhacas (nas primeiras vezes é preciso prestar muita atenção à explicação de cada nhaca, especialmente se não se quer picante...). A quantidade de coisas que querem que uma pessoa escolha, e que depois colocam num (pequeno) círculo de pão, faz crer que não vão conseguir embrulhar o bicho, mas no fim lá recebemos o nosso menino bem embrulhadito numa manjedoura.



Assim, num embrulho apenas consegue-se ter todos os elementos de uma refeição - arroz, feijão, salada e carne - que satisfaz plenamente. em termos de burrito há dois tamanhos. Para mim a versão menor é mais do que suficiente mas, para quem esteja verdadeiramente faminto (acontece a todos nós), podem sempre fazer o upgrade para a versão maior.



Espero que resulte para o Guacamole pois facilita-me o trabalho de ter que escolher onde comer no Colombo.

  


Centro Colombo
Avenida Lusíada, Centro Colombo, Loja 2.018
1500-392 Lisboa
Tel: 938 542 900

geral@guacamole.pt

http://www.guacamole.pt/quem-somos/
https://www.facebook.com/GuacamoleGourmet



segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Café da Garagem, Costa do Castelo








o Café da Garagem tem todos os predicados de um tesouro escondido, enterrado junto às muralhas de um castelo, onde só com mapa se consegue chegar, após uma longa demanda pelas intrincadas ruas de uma cidade velha, onde os perigos espreitam em todos os recantos. no fim, não existe um tesouro em ouro e pedras preciosas ou uma princesa à espera de um beijo para se libertar de uma qualquer maldição, mas sim um tesouro imaterial (que eventualmente pode levar a um beijo de uma princesa) de beleza única que nos faz amar mais um bocadinho esta cidade que chamamos nossa, a nossa Lisboa

o Café da Garagem é uma varanda para Lisboa, para as suas colinas, telhados, casas, igrejas, árvores, formigas a quem chamamos pessoas. de dia ou de noite, esta varanda permite olhar para uma Lisboa imóvel, bela, iluminada pelo sol, pela lua, pelos candeeiros de rua, pelas janelas habitadas de luz e humanidade, enquanto sentados atrás de uma janela que nos fragmenta a paisagem sem a quebrar verdadeiramente, emoldurando antes cada pedaço de paisagem como se de um postal se tratasse

mas o Café da Garagem não se fica apenas pela paisagem. a disposição e decoração do próprio espaço conduzem à contemplação e apreço dessa mesma paisagem, englobando-a. posto isto, como traduzir por palavras a decoração? simplesmente fantástica, cheia de humor e bom gosto, onde a mistura de tamanhos e formas e a utilização de elementos de maneira diferente ao seu propósito inicial (portas a servir de tampos... onde é que já se viu... nem estou a escrever este texto em cima de uma, nem nada) dão um ar boémio e neodecadente ao espaço

como fotografias não é comigo, aqui ficam três pessoas que conseguiram captar aquilo que o meu telemóvel (e eu) nunca conseguiria - A place for twiggs, Lisboa acima Lisboa abaixo, Quiosque alternativo


| A place for twiggs |
| Lisboa acima Lisboa abaixo |
 | Quiosque alternativo |


e o que se come por aqui? comida apropriada ao espírito descontraído do espaço, simples mas bem confeccionada, servindo na perfeição de acompanhamento às conversas, gargalhadas, contemplações ou simples deambulações pelo espaço e pela vista. é possível escolher entre várias saladas, tostas, torradas e tábuas, para além de várias sobremesas

entre torradas, tostas e fatias de bolos, fomos comendo e comentando o que víamos, o que comíamos, para onde viajar, por onde já viajámos, troca de palavras sempre com o olhar focado no infinito Lisboa

atendimento simpático, comida boa, espaço e vista fenomenais - perfeição não existe mas o Café da Garagem anda lá perto. eu sei, se calhar estou a exagerar, se lerem este texto e forem lá mas ficarem desiludidos (acho improvável, mas nunca se sabe), lamento ter elevado a fasquia

mas a sério, vão até lá nem que seja só para beber uma coca-cola zero e apreciar todo o surrounding, ainda por cima a viagem é tão quase tão importante como o destino

ir ao Café da Garagem é uma vontade, raramente um percalço. Caminhando pela Costa do Castelo (a partir do Chão do Loureiro ou a partir da Calçada da Graça), tem de se ir com alguma atenção aos prédios, para não se passar ao lado da discreta placa onde está escrito Teatro Taborda. e se o Teatro pode passar despercebido, então o Café da Garagem é quase invisível para quem não conhecer previamente a sua existência. depois de descoberto o teatro, entrem sem medo e sem desconfiança (se não acreditam, perguntem a quem está na entrada onde é o café), e comecem a vossa viagem descendente ao mundo do teatro (preparem-se para descer vários lances de escadas) com as paredes preenchidas com fotografias de actores e peças de teatro, memorabilia de encenações (podem ir parando para apreciar) até chegarem ao café e um admirável mundo novo se abrir à vossa frente

no entanto, parte desta viagem até ao Café da Garagem deixou-me um pouco triste, pelo abandono a que a Costa do Castelo está votada, com os seus prédios devolutos, a sua escassez de vida, quase como se pagasse penitência por não estar virada para o Tejo

mas espero voltar mais vezes ao Café da Garagem, dizem que o lusco-fusco é muito bonito...



Teatro Taborda
Costa do Castelo, 75, 1100-178 Lisboa
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Aberto de 3ª a Domingo das 15h às 24h
2ª feira aberto das 18 às 24h | 6ª e Sábado encerra às 02h