quinta-feira, 31 de Julho de 2014

L'Éclair, Av. Novas


 







Passeava distraidamente pela Duque d´Ávila quando reparo que abriu algo novo num espaço à muito abandonado  (na verdade, não tenho recordação de alguma vez ter visto algo a funcionar neste espaço), num edifício perto da intersecção com a 5 de Outubro.

Quando se é distraído como eu, é compreensível não dar conta de alguns pormenores assim logo à primeira. Neste caso, não dei logo conta do nome do espaço. Este facto fez com navegasse um pouco na maionese e pensasse que, em vez de éclair's, vendessem relógios ou outros acessórios caros. Mas vá, o facto de os homens que atendiam estarem de fato, as senhoras a serem atendidas terem todas um cabelo armado e ar de old money, a montra não permitir, a quem passa, ver o que lá está exposto e a decoração do espaço ser tão elegantemente minimalista, contribuíram muito para esta minha especulação.
Com mais algumas passagens pela rua, descobri então como estava enganado em relação ao que vendem. E aí o meu interesse passou de vento glaciar para brisa fresca em dia de verão sahariano.

A decoração é realmente minimalista e elegante, dando aos éclair's a importância de uma jóia Cartier ou de um relógio Patek Philippe. Admito que este tipo de decoração (e pessoas de fato a atender) fez com que demorasse algum tempo a ter vontade de entrar e experimentar, enquadro-me mais em ambientes informais, mas a vontade de dar uma garfada num éclair falou (finalmente) mais alto.

A escolha é variada e difícil. Primeiro, éclair salgado ou doce? Segundo, qual dos salgados? qual dos doces? Terceiro, quantos queremos (bem, ao ver o preço a resposta é um, mas por vontade da alma a resposta é um de cada). E depois o que beber? Qual dos chás? Questions, questions, questions...
Necessário acrescentar que macarons, croissant, pain au chocolat e outras iguarias também estão disponíveis.
 


 
Felizmente quem atende tem paciência e simpatia, e todas as questões se resolvem de forma calma e sem grandes percalços.

 
A minha atenção ficou-se pelo éclair de citron (as palavras "inspirado na tarde de limão merengada" são me fatais como o destino). É verdade que se ficou sem muitos lugares para estacionar, mas a ideia de tornar a Duque d'Ávila numa rua quase pedestre (quase ramblesca) foi realmente fantástica. Nada melhor que estar numa esplanada, protegido do sol mas gozando da sua luminosidade e calor, a comer um éclair (que estava excelente) e a ler Boris Vian... existe algo mais bourgeois?


A parte menos bourgeois é chorar um bocadinho na altura de pagar (aqui sou mais prolétariat). Os éclair são caros quando comparados ao preço de uma bola de berlim ou um pão de deus, mas considero esta comparação injusta, não jogam no mesmo campeonato. Por isso se forem a esta patisserie française (tal como ao Poison d'Amour), vão com a noção que vão comer uma delicatessen e como tal o preço será mais elevado do que normalmente se paga pela pastelaria tradicional (em média 3,5€ por éclair doce).

Por mim, gostei e conto fazer do L'éclair um local para devaneios pontuais, quando me apetecer algo diferente.


Duque de Ávila, 44 | 1050-083 Lisboa
2ª a 6ª : 7h30 - 20h | Sáb + Dom : 9h30 - 19h
  






terça-feira, 29 de Julho de 2014

Guacamole, Lisboa






Guacamole surgiu de repente na minha vida e marcou-me profundamente.... bem, pronto também não foi assim tão transcendental, nem life changing, nem ficámos amigos para sempre (cala-te Carrera, cala-te Sarah). Digamos então que gostei o suficiente para querer escrever um post.

Quando o conheci, Guacamole vivia no Atrium Saldanha, escondido a um canto, ao qual fui parar depois de torcer o nariz a todas as outras opções existentes no food court do Atrium. Pareceu-me bem, sentia-me aventureiro e não havia fila... como recusar esta dádiva do destino? a partir daí voltei lá mais algumas vezes até que.... fechou. E qual não foi a minha surpresa quando o volto a reencontrar no Colombo!?

É verdade que abriu num recanto do Colombo com elevada rotatividade de estabelecimentos (Magnolia, i miss you) mas vamos pensar que o Guacamole vai quebrar o enguiço (Yes, you can!).

O espaço no colombo está disposto de forma a ser prático mas com bom gosto. A decoração, para restaurante de cariz mexicano, é estranhamente contida e com bom gosto (nada de cores excessivamente garridas, ponchos ou sombreros).

Guacamole, como já devem ter percebido, serve comida com inspiração mexicana, onde a parte mais fácil é escolher a forma em que se quer a refeição - burrito, fagita, burrito desnudo (sem tortilla) ou taco.

A partir daí é sempre a escolher nhacas (nas primeiras vezes é preciso prestar muita atenção à explicação de cada nhaca, especialmente se não se quer picante...). A quantidade de coisas que querem que uma pessoa escolha, e que depois colocam num (pequeno) círculo de pão, faz crer que não vão conseguir embrulhar o bicho, mas no fim lá recebemos o nosso menino bem embrulhadito numa manjedoura.



Assim, num embrulho apenas consegue-se ter todos os elementos de uma refeição - arroz, feijão, salada e carne - que satisfaz plenamente. em termos de burrito há dois tamanhos. Para mim a versão menor é mais do que suficiente mas, para quem esteja verdadeiramente faminto (acontece a todos nós), podem sempre fazer o upgrade para a versão maior.



Espero que resulte para o Guacamole pois facilita-me o trabalho de ter que escolher onde comer no Colombo.

  


Centro Colombo
Avenida Lusíada, Centro Colombo, Loja 2.018
1500-392 Lisboa
Tel: 938 542 900

geral@guacamole.pt

http://www.guacamole.pt/quem-somos/
https://www.facebook.com/GuacamoleGourmet



segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Café da Garagem, Costa do Castelo








o Café da Garagem tem todos os predicados de um tesouro escondido, enterrado junto às muralhas de um castelo, onde só com mapa se consegue chegar, após uma longa demanda pelas intrincadas ruas de uma cidade velha, onde os perigos espreitam em todos os recantos. no fim, não existe um tesouro em ouro e pedras preciosas ou uma princesa à espera de um beijo para se libertar de uma qualquer maldição, mas sim um tesouro imaterial (que eventualmente pode levar a um beijo de uma princesa) de beleza única que nos faz amar mais um bocadinho esta cidade que chamamos nossa, a nossa Lisboa

o Café da Garagem é uma varanda para Lisboa, para as suas colinas, telhados, casas, igrejas, árvores, formigas a quem chamamos pessoas. de dia ou de noite, esta varanda permite olhar para uma Lisboa imóvel, bela, iluminada pelo sol, pela lua, pelos candeeiros de rua, pelas janelas habitadas de luz e humanidade, enquanto sentados atrás de uma janela que nos fragmenta a paisagem sem a quebrar verdadeiramente, emoldurando antes cada pedaço de paisagem como se de um postal se tratasse

mas o Café da Garagem não se fica apenas pela paisagem. a disposição e decoração do próprio espaço conduzem à contemplação e apreço dessa mesma paisagem, englobando-a. posto isto, como traduzir por palavras a decoração? simplesmente fantástica, cheia de humor e bom gosto, onde a mistura de tamanhos e formas e a utilização de elementos de maneira diferente ao seu propósito inicial (portas a servir de tampos... onde é que já se viu... nem estou a escrever este texto em cima de uma, nem nada) dão um ar boémio e neodecadente ao espaço

como fotografias não é comigo, aqui ficam três pessoas que conseguiram captar aquilo que o meu telemóvel (e eu) nunca conseguiria - A place for twiggs, Lisboa acima Lisboa abaixo, Quiosque alternativo


| A place for twiggs |
| Lisboa acima Lisboa abaixo |
 | Quiosque alternativo |


e o que se come por aqui? comida apropriada ao espírito descontraído do espaço, simples mas bem confeccionada, servindo na perfeição de acompanhamento às conversas, gargalhadas, contemplações ou simples deambulações pelo espaço e pela vista. é possível escolher entre várias saladas, tostas, torradas e tábuas, para além de várias sobremesas

entre torradas, tostas e fatias de bolos, fomos comendo e comentando o que víamos, o que comíamos, para onde viajar, por onde já viajámos, troca de palavras sempre com o olhar focado no infinito Lisboa

atendimento simpático, comida boa, espaço e vista fenomenais - perfeição não existe mas o Café da Garagem anda lá perto. eu sei, se calhar estou a exagerar, se lerem este texto e forem lá mas ficarem desiludidos (acho improvável, mas nunca se sabe), lamento ter elevado a fasquia

mas a sério, vão até lá nem que seja só para beber uma coca-cola zero e apreciar todo o surrounding, ainda por cima a viagem é tão quase tão importante como o destino

ir ao Café da Garagem é uma vontade, raramente um percalço. Caminhando pela Costa do Castelo (a partir do Chão do Loureiro ou a partir da Calçada da Graça), tem de se ir com alguma atenção aos prédios, para não se passar ao lado da discreta placa onde está escrito Teatro Taborda. e se o Teatro pode passar despercebido, então o Café da Garagem é quase invisível para quem não conhecer previamente a sua existência. depois de descoberto o teatro, entrem sem medo e sem desconfiança (se não acreditam, perguntem a quem está na entrada onde é o café), e comecem a vossa viagem descendente ao mundo do teatro (preparem-se para descer vários lances de escadas) com as paredes preenchidas com fotografias de actores e peças de teatro, memorabilia de encenações (podem ir parando para apreciar) até chegarem ao café e um admirável mundo novo se abrir à vossa frente

no entanto, parte desta viagem até ao Café da Garagem deixou-me um pouco triste, pelo abandono a que a Costa do Castelo está votada, com os seus prédios devolutos, a sua escassez de vida, quase como se pagasse penitência por não estar virada para o Tejo

mas espero voltar mais vezes ao Café da Garagem, dizem que o lusco-fusco é muito bonito...



Teatro Taborda
Costa do Castelo, 75, 1100-178 Lisboa
Facebook
Aberto de 3ª a Domingo das 15h às 24h
2ª feira aberto das 18 às 24h | 6ª e Sábado encerra às 02h





domingo, 27 de Julho de 2014

Desatino, Chiado






só quando escrevia o título é que me dei conta da ironia

Neste dia a capacidade de decisão estava algures entre o Castelo Branco ["Não sei se pense, não sei se diga, não sei se fale"] e o António Variações ["Porque eu só quero ir / Aonde eu não vou"], não se sabendo muito bem o que é se queria comer (torcendo o nariz a cada ideia) ou só querendo ir jantar a sítios que ficavam demasiado longe para serem viáveis. Portanto, um desatino.

Depois de algumas voltas pelo eixo Baixa/Chiado (e o tempo a passar.... e o espectáculo quase a começar... e a fome a apertar...), o acaso (e a exasperação) levou-nos até à porta do Desatino. Ainda foi necessário alguma luta para conseguir sair do "não sei..." mas a situação conspirou para que ganhasse o entrar.

No entanto, enquanto a luta de desenrolava (mesmo à porta do restaurante), comecei a ter a sensação que o espaço ocupado pelo Desatino me devia dizer alguma coisa mas só quando entrei (e a arquitectura do espaço "caiu" sobre mim) é que me apercebi de já cá ter estado, na sua outra encarnação como uma livraria - a antiga livraria Buchholz.

O restaurante tem uma decoração que realça a arquitectura natural do espaço, onde o tecto abobado e o chão de lajes de pedra são os traços mais marcantes. As paredes brancas, o mobiliário escuro e uma iluminação cuidada, conferem um ambiente minimalista e elegante ao espaço, não se sobrepondo à natural personalidade do espaço mas sim realçando-a. Esta decoração acaba por ter o seu maior impacto de noite.




O facto de ter um tecto alto (há mesmo quem diga muito alto) e espaço circulante, permite assegurar uma acústica salutar (algo por vezes muito difícil de obter) onde grupos pequenos, médios ou grandes conseguem ter conversas num tom de voz normal.

Como chegámos relativamente cedo, foi fácil obtermos mesa. pouco tempo depois tínhamos à nossa frente a ementa e decision time had begun... momento que se revela quase tão difícil como escolher um restaurante :-) Acabámos por nos entender com um bolo do caco italiano com hambúrguer, queijo cheddar e ali-oli e hambúrguer à Desatino, tudo regado com batata frita.


hambúrguer à desatino


(não houve oportunidade para fotografar o "bolo do caco italiano".... quando me lembrei já tinha "destruído" o prato...)






Mas fotografias à parte (que, com a qualidade dos nosso telemóveis, nunca fazem verdadeira justiça), os dois hambúrgueres pedidos estavam óptimos assim como as batatas fritas. E a prova disso é que não descansei até ter acabado com tudo o que tinha no meu prato (e algumas batatas do prato alheio).


Em termos de sobremesa, foi fácil e rápida a decisão - crumble de maçã! Somos fãs desta sobremesa e, talvez por isso, ficamos mais desiludidos quando a versão que nos apresentam não nos satisfaz. Infelizmente foi o caso. não é que estivesse intragável mas o excesso de açúcar tirou-lhe algum do encanto.




No fim pagámos 15€ pp e, tendo em vista todo o pacote (espaço, atendimento simpático e prestável, comida), foi óptimo preço (fiquei com a perfeita noção que facilmente se chega aos 20/25€ pp).

Gostei do restaurante e fiquei com curiosidade em experimentar alguns dos outros pratos, que apresentavam algumas combinações bem engraçadas.




Largo Rafael Bordalo Pinheiro, 30 - Chiado
Tel: 939 226 281

Encerramento | Domingos
Horário | 2ª a sábado - 12h30 às 15h30 e 19h00 às 02h00




sexta-feira, 25 de Julho de 2014

La Crêperie da Ribeira, Lisboa




Para aproveitar as férias "grandes" decidimos levar as crianças à cidade! Pois que não sei o que se passa com as demais crianças, mas para as minhas este tipo de passeios acarretam sempre várias emoções: as primeiras muito positivas, tais como, andar de transportes públicos (desta vez foi o comboio a novidade), ir aos museus e monumentos, andar na cidade no meio dos turistas (o meu filho assim que desembarcou no Rossio perguntou que língua se falava ali... sinal positivo para a economia, mas não deixa de ser um pouco estranho! Ou então, somos nós como pais a falhar redondamente!); as segundas emoções, já não são assim tão positivas... o cansaço, as dores "horríveis" nos pés, o querer parar sempre, o querer estar sempre a beber água, etc, etc! 

Já a prever este cenário estava pensada uma paragem prolongada no novo Mercado da Ribeira para repôr energias e eventualmente degustar um gelado no Santini. Mas como fizémos uma visita pelo caminho onde nos foi dito que logo mais à frente havia uma creperia muito afamada, rapidamente mudámos de ideias e de sítio para descansar.

E foi assim que viémos desembocar à Rua da Moeda onde fica a Crêperie da Ribeira. Então e o que temos por aqui?





Temos um local acolhedor, que nas tardes de bom tempo tem as janelas abertas para uma praça cada vez mais bonita, com uma decoração simples e despretensiosa, e com um atendimento simpático! Por aqui servem-se crêpes e galettes com receitas originais da Bretanha (França), confeccionadas com farinhas biológicas e isentas de glúten (farinha de sarraceno para as galettes e farinha de trigo para os crêpes).

Dado que vimos só lanchar ficámos pelos crepes doces: chocolate, amêndoa e gelado, e outro com compota de maçã, fatias de maçã e canela. Ambos estavam óptimos! :) 




Fiquei com curiosidade em provar os crepes salgados, e vi também passar uma salada de frango que tinha muito bom aspecto! Por isso, este será certamente um sítio para dar uma segunda oportunidade! :)

Tenho também a acrescentar que as crianças foram muito bem recebidas! Aliás foram recebidas exactamente como elas gostam: um giz para as mãos e uma parede de ardósia para darem largas à imaginação :) E foi o que eles fizeram! :)
 
 


Os dois crepes ficaram em 11 euros, o que me parece um preço bastante adequado! 

Bon appétit! :)


Rua da Moeda, 1-A -Lisboa
Tel. 212431565
Horário: 9:00 - 0:00








segunda-feira, 14 de Julho de 2014

O Prego da Peixaria, Bairro Alto




Rua acima, rua abaixo. Rua só para bus. Rua em contra-mão. Ruas que obrigam a seguir em frente, quando o que se quer é virar à esquerda. Semáforos no vermelho quando só se pedia que estivessem laranja. Condutores que acreditam nas minhas capacidades de adivinhação. Irra, que dia de condução dantesco! Felizmente tudo o que não envolveu condução, desde encontrar um lugar de estacionamento mesmo à entrada do jardim do Torel até à excelente refeição n'O Prego da Peixaria, correu lindamente.




Depois de ter estacionado o carro, e suspirado de alívio, lá nos dirigimos para o Prego. Naturalmente que, imbuído do pessimismo que me assiste, esperava chegar à Peixaria e ver aflorar um sorriso (de pena, pela nossa ingenuidade... "Coitadinhos, com esta idade, ainda acreditam no Pai Natal") na cara de quem nos atendesse, quando disséssemos "mesa para dois sem reserva". Estranhamente, em vez de um sorriso maquiavélico (algo no espírito de Sunset Boulevard), quem nos atendeu disse que só precisávamos de aguardar dois croquetes e duas imperiais, para termos uma mesa. Acho que nem dez minutos esperámos.

Olha para nós aqui!

Tenho de admitir que não foi a melhor mesa para quem tem 1,50m mal medido, como era o caso de quem me acompanhava. Era uma mesa alta, pelo que descer e subir para o banco eram sempre momentos que apelavam à agilidade, e capacidade de equilíbrio, e, segundo me disseram, o facto de não se chegar ao apoio dos pés também não é muito agradável. Mas a mesa teve três pontos a favor. Primeiro, conseguimos uma mesa, ponto! Segundo, conseguimos ter uma bolha de privacidade que dificilmente teríamos em qualquer uma das outras mesas. Terceiro, conseguir a atenção de quem atende era fácil, bastava eu esticar o braço e ou paravam ou caíam no chão :-) Felizmente não foi preciso recorrer a tais manobras para ser atendido, todos os que nos atenderam foram simpáticos e disponíveis quando solicitados.


A decoração está muito bem conseguida, aliando materiais tradicionais (mármore, madeira, ardósia), elementos decorativos vintage (candeeiros, mesas e bancos) e uma atitude moderna (sendo a parede do pátio interior, um dos melhores exemplos). A disposição do restaurante está condicionada pela própria arquitectura do edifício (que parece ser daqueles que resistem a terramotos...) mas todos os recantos foram aproveitados ao máximo, com óptimos resultados. O pátio interior é especialmente agradável, quer pela decoração do espaço, quer pela sensação de se estar a comer ao ar livre.

Se tenho que apontar algo menos positivo ao espaço será o nível de ruído, que se torna mais sentido quando saímos do restaurante e um alívio desce sobre nós. Já agora, um conselho de amigo, tentem não ficar na mesa logo à entrada... é o local onde as pessoas esperam, comem a comida dos outros com os olhos, e deitam olhares fulminantes (eu sei, também o fiz - e digo isto com uma pontada de vergonha) se estamos só na conversa pós prandial.




O conceito de pedir é engraçado. Num vaso/caneco metálico, junto aos guardanapos, encontram umas folhas com a ementa e um lápis para assinalarem o que querem. Existe uma versão inglesa e outra portuguesa... eu optei pela versão inglesa para elevar a fasquia de dificuldade e poder fazer perguntas parvas (facilmente respondidas na ementa portuguesa). Não elevem a fasquia, procurem a ementa em português.

Para a mesa veio, 

Batatas Marilyn Monroe | onduladas, extremamente finas e estaladiças
Chips de Batata doce | grosseiras em palitos 
+
Marialva | carne do lombo, mostarda tradicional e toucinho em pão do coração 
Yuppie | carne do lombo, maionese de manjericão, queijo cheddar e pancetta em bolo do caco
+
Limonada de limão azedo (em frasco de vidro) e caneca de cerveja (em caneca de vidro normalíssima)

E pronto, depois foi fazer aquilo que nos é natural...comer, comer, comer e comer. Acho que só com as batatas eu fazia uma refeição plenamente satisfatória. Batatas fritas de batata doce é uma ideia genial mas, não pensem, que as Marilyn Monroe se ficam atrás, estaladiças no ponto, era só comer e desejar para nunca ver o fundo ao caneco.



(se a comida não tiver um aspecto apetitoso, não coloquem a culpa na comida mas sim nas pessoas que tiraram as fotos... é o que dá ter telemóveis em para tirar fotos é necessário tirar a tampa de trás lol)



Como tantas vezes acontece com as pipocas no cinema, quando chegaram as "sandes" já as batatas estavam nas últimas (mea culpa, por ser tão lambão). As ditas "sandes", Marialva e Yuppie, estavam excelentes, muito bem temperadas e confecionadas, cujo único problema era terem um fim. Admito que tive vontade de pedir outra, especialmente porque as via passar de todas as cores e formatos, mas decidi refrear a gula (nem que seja porque já estava a ficar cheio) e deixar para uma próxima visita.


Para sobremesa, escolhemos o carpaccio de maçã. A conjugação de maçã com mel e uma bola de gelado de canela pareceu-nos muito bem, apesar de não abarcarmos completamente o conceito carpaccio aplicado a uma maçã, mas how bad could it be? é maçã...

Quando nos colocaram o prato à frente percebemos então o conceito, e teve o nosso selo de aprovação. É uma sobremesa que tem o bónus de nos permite dizer (enganar) que, depois de nos empanturrar-mos em batatas fritas e sandes, conseguimos resistir ao demo e comemos fruta à sobremesa (so healthy of us).



É uma sobremesa perfeita para duas pessoas, pois tem quantidade suficiente para isso, sem que se passe pela parte de "Queres este último bocado? (ai de ti que digas que sim!)" "Eu? Não!... (QueroQueroQueroQueroQueroQuero!)" "Tens a certeza?" "Bem..." "Opá, agora já comi, como disseste que não...(Foste!)"

No fim, por tudo pagámos 15€ pp mas saímos mais que cheios. Conclusão: sítio da moda que merece estar na moda, pelo espaço, atendimento e comida.



Rua da Escola Politécnica, nº 40, Lisboa
(mesmo ao lado do Poison d'Amour)

Encerramento: Não encerra
Horário: 12h30 às 24h00 | Sexta e sábado até à 01h00

http://opregodapeixaria.com/pt/
Telefone | 213 471 356





quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Entre nós, Entrecampos




Estávamos nós, a menos de duas horas e meia do início dum evento no Small Field, que é como quem diz, um espetáculo no Campo Pequeno, e ainda se trocavam mensagens do género “Olá! Como fazemos hoje?”, “Olá. Não sei. Queres jantar?”, “Sim, mas vê lá o que te dá jeito” e por aí fora, como se o refrão "time is on my side" tivesse sido escrito a pensar em nós.

Muita da nossa descontração se devia ao facto de sabermos que, se tudo o mais falhasse, teríamos o food court  do Campo Pequeno ou de um dos três Saldanhas com dois braços abertos à nossa espera, não se garantindo, no entanto, um cacho de uvas doiradas nem cheirinho a alecrim. [food court = termo que recentemente ouvi a ser aplicado a uma qualquer zona das comidas de um qualquer centro comercial, e pensei - cá está uma forma de elevar o estatuto de algo, dizê-lo em inglês! Já lá dizia a Manela, coitadinha, com os seus problemas de expressão que "a língua inglesa fica sempre bem"]

Mas sigamos, então com o post. Antes de atirar a toalha ao chão, comecei a procurar afincadamente algo euro friendly (A+++ de preferência) na área circundante ao Campo Pequeno, evitando locais muito próximos para não dar de caras com magotes de people a querer fazer o mesmo que nós - comer antes do evento.




Depois de alguma teclagem, surgiu o Entre Nós. Ficava a walking distance (mas não dead… eu sei, piada estúpida… desculpem) e tudo o que lia, em termos de opinião, apontava para um local despretensioso onde se comia bem e a preços acessíveis. Bónus: ir ao Entre nós permitia-me finalmente ver de perto os prédios da EPUL Entrecampos, local onde bem tentei morar mas the odds were never in my favour.

E pronto, por volta das 20h lá estávamos estacionados junto aos prédios da EPUL, essa homenagem arquitectónica às casas de repouso para a terceira idade (que desperdício… um espaço que tinha tudo para dar certo, numa zona privilegiada da cidade, e deixam que se construam prédios sem o mínimo interesse), para então conhecermos o Entre Nós.

Realmente é um local onde só quem anda por aquelas zonas poderá dar conta da sua existência, e pelo que eu fui lendo pela net, tem já uma legião de fãs saudável. Para turistas como nós, a existência do Entre nós passava-nos completamente ao lado, mais que não seja por não ser visível a partir da Av. Forças Armadas - o restaurante fica no espaço entre os dois prédios.

O Entre Nós é pequeno mas, como tantas vezes já foi demonstrado, o tamanho não interessa mas sim o que se faz com ele, com o espaço claro. No Entre Nós, parece ter havido preocupação na decoração do espaço, tornando um espaço pequeno, num pequeno espaço simpático e com personalidade. A decoração faz conjugar o preto (paredes), branco (paredes e mobiliário) e o roxo (apontamentos de decoração), sendo obtido um aspeto moderno mas ao mesmo tempo tradicional. O facto do preto servir de ardósia, dá colorido e dinâmica ao espaço. Mas desconfio que a esplanada deva ser o local predileto, para grande parte, de quem visita o Entre nós, assim o global warming o permite.




E o que se come no Entre nós? Hambúrgueres, pregos, saladas e tostas. Eu sei, eu sei... já ouviram esta reza em muitas das capelas que abriram nos últimos tempos (e, segundo me parece, que abrirão no futuro próximo) mas à que fazer como diz Filipe.




Mas o Entre Nós traz consigo algumas novidades como o bolo do caco de alfarroba (junção que me parece(u) perfeita :-) ou o Fáfá (hambúrguer de frango e farinheira). Depois de alguma introspecção, veio para a mesa bolo do caco de alfarroba com Fáfá e prego dos bons no bolo do caco, tudo acompanhado com batata frita caseira. E depois? Depois veio a tempestade perfeita - fome, pressa e comida com ar apetitoso - o que fez com que onde antes estavam duas belas embarcações, dois segundos (vá três, porque ainda respirámos e falámos um bocado) depois apenas sobravam os escombros do naufrágio. Quer o hambúrguer quer o prego estavam óptimos e muito bem acompanhados com a prometida batata frita caseira.




Quem nos atendeu (de forma exemplarmente simpática e prestável) não se deixou levar pela nossa conversa de "se calhar não queremos sobremesa" e lá nos foi dizendo (e aliciando) com o que tinha disponível. Acabámos com uma mousse de oreos à nossa frente. E ainda bem! estava muito boa.




No fim, acabámos por pagar 10€ pp, o que não nos pareceu excessivo para o que tínhamos comido e bebido. Pareceu-nos um local agradável com comida boa e bom atendimento.




Entre nós

Rua Mário Cesariny, 7A, 1600-313 Lisboa
(prédios da EPUL Entrecampos, em frente ao ISCTE)
 2ª a 4ª: 10h - 20h | 5ª e 6ª: 10h - 22h | Sab: 10h - 20h
Reservas | 21 797 9999 | info@entrenos.pt | Facebook



terça-feira, 24 de Junho de 2014

A Chaminé, Altura

 
 
Se pesquisarem "restaurantes Altura" invariavelmente aparece "A Chaminé"! Por isso este restaurante já foi connosco na bagagem como um sítio a experimentar! :)

A Chaminé é efectivamente um restaurante muito antigo em Altura (quase 30 anos), sobejamente conhecido em todo o Algarve, aparecendo em vários roteiros como sugestão. A decoração deste restaurante é bastante tradicional, mas muito cuidada, e os funcionários têm todos uma atitude que demonstra logo que já "andam há vários anos a virar frangos"! Os funcionários parecem fazer parte da casa há bastante tempo, têm um atendimento muito profissional e solícito, aliado também à simpatia (pelo menos no senhor que ficou com a nossa mesa!). No exterior existe uma esplanada, com um ar mais informal.



Relativamente às entradas ficámos apenas pelo couvert, mas existem um sem fim de petiscos para experimentar! 


Para os pratos principais as nossas escolhas recaíram em chocos grelhados, atum estufado (tento sempre comer isto quando vou ao Algarve) e linguadinhos fritos com arroz de gambas. 



As doses são bastante bem servidas, e apenas o B. achou os chocos pouco temperados, de resto tudo estava óptimo! O arroz de gambas estava espectacular bem como o atum! :)

Não poderíamos sair daqui sem uma sobremesa! Escolhemos uma tradicional tarte de figo e uma mousse de chocolate (a perdição das crianças este verão...). Ambas estavam óptimas!


Resumindo, é um sítio a experimentar! Tem um atendimento muito bom, simpático, rápido e eficiente (espero que se mantenham estas características no Verão...), a comida é fantástica e o ambiente muito acolhedor.

Não é um dos sítios mais baratos no Algarve, claro que não é, mas valerá certamente a pena nem que seja apenas numa noite especial. A conta ficou em cerca de 20 €/pp (sem vinhos).


Av. 24 de Junho
Altura
Tel. 281 950 100
Tel. Reservas 281 957 438
Tlm. 966 000 751 ou 912 004 545

segunda-feira, 2 de Junho de 2014

B Entre Vinhos, Oeiras







Estes senhores gostam de pregar partidas. Quando me mudei para Oeiras foi necessário fazer um trabalho importante e aprofundado sobre a potencialidade dos estabelecimentos comerciais da zona. Para meu grande regozijo, o restaurante mais perto do local de trabalho era um pequeno e bem decorado restaurante de tapas, mas que ao almoço servia pratos do dia, a preços simpáticos e com uma qualidade excepcional, para o preço. O cuidado na confeção e na qualidade dos ingredientes era muito superior ao comum restaurante de almoço do dia-a-dia. Podem imaginar a minha felicidade, a uma distância "higiénica" do trabalho, leia-se é possível ir a pé, existia esta pérola.

Mas um belo dia descubro que o restaurante tinha fechado! Os vários impropérios que proferi nesse momento foram mais que muitos. Inclusivamente já tinha iniciado o post e, depois de mais um ou duas tentativas para confirmar o encerramento, acabei por apagá-lo. 

Mas num belo dia descobri que o restaurante se tinha mudado para a marina de Oeiras. Ora, estes senhores não sabiam ter colocado uma folhinha A4 na porta do antigo restaurante a dizer que se tinham mudado?!? 

Voltando ao que interessa, a comida é excepcional, comi sempre pratos do dia e digo valem muito a pena. Já provei arroz de polvo, malandrinho mesmo, peito de frango que não estava seco - sabem a dificuldade de fazer peito de frango e não ficar seco?!?




A última vez que fui ao Entre Vinhos, já na marina, comi um peixinho fantástico com batatinha cozinha com casca. Para sobremesa uma tarte de nutella, fantástica! Acompanhado de um copo de vinho branco do Douro, excepcional!

Uma informação importante, este restaurante é de tapas. Se forem à hora de jantar podem ter uma experiência diferente. Mas ao almoço é uma excelente experiência. 




B Entre Vinhos
Marina de Oeiras
Avenida Marginal - Oeiras
www.bentrevinhos.com
Tel: 915241905 / 216001786
Domingo a Quarta - 12h-24h
Quinta a Sábado - 12h-2h


Notas: fotos retiradas de: https://www.facebook.com/bentrevinhos



segunda-feira, 19 de Maio de 2014

O Fernando, Altura



Que o Algarve é excelente em época baixa já todos nós sabemos! Para mim será até, talvez, melhor que no Verão. Mais calmo, menos pessoas, temperaturas amenas (que os algarvios são pessoas cheias de sorte, chega Março e já está bom para a praia!), preços mais baixos, etc, etc… Qual é o senão de ir para qualquer lado em época baixa? A oferta! A oferta é sempre mais escassa, e quando se fica alojado em locais mais “pequenos” isto pode ter consequências chatas. Chatas do género “ora, vamos lá ver quantos restaurantes estão abertos… huumm, pois, dois ou três!” E Altura, em época baixa, padece desse mal!

Portanto, esta escolha para o jantar da primeira noite foi fruto destas circunstâncias! Não tínhamos qualquer recomendação de amigos/conhecidos, não tínhamos visto nada referido em lado nenhum, fomos puramente ao acaso.






Optámos por escolher uma massada de peixe para os quatro. Como normalmente este tipo de prato é bem servido, pensámos que seria suficiente para todos. E a verdade é que foi! As crianças depois de se empanturrarem em pão com manteiga e azeitonas, já não estavam especialmente com fome e portanto, o tacho que veio para a mesa foi suficiente para todos. Não ficámos a abarrotar de comida, claro que não, mas ficámos bem.


 
Completámos com duas mousses de chocolate (que nestas férias se transformaram na nova perdição dos meus filhos… compreendo-os tão bem!), que estavam muito boas!

Parece o restaurante ideal, não é?! Na verdade, ficou um pouco aquém das nossas expectativas… os empregados nesse dia, por azar, tinham-se esquecido da simpatia em casa! É verdade… ir ao Algarve em época baixa tem sempre uma vantagem incomparável relativamente a ir no Verão: é que somos sempre bem tratados e ao mesmo tempo que os turistas “istrangeiros”… já em época alta acontece sempre uma pequena discriminação, positiva pelos euros alemães e pelas libras brilhantes, que é coisa para me irritar de morte! E por isso, nesta altura do ano pensamos sempre em empregados algarvios, simpáticos, e definitivamente aqui não foi o caso!


Entre couvert, prato principal, bebidas e sobremesas, a conta rondou os 34 € (ou seja, 17 €/pp, se dividirmos pelos pratos principais pedidos).


Rua da Alagoa
8950-411 Altura
Tel. 281 956 455