terça-feira, 24 de março de 2015

A Travessa do Fado, Alfama





fa·do
(latim fatum, oráculo, previsão, profecia)

Força superior que se crê controlar todos os acontecimentos.
Aquilo que tem de acontecer, independentemente da vontade humana. 

Dicionário Priberam da Língua Portuguesa



A razão da ida à Travessa do Fado tem por detrás um convite da Zomato que eu (abertamente) desde logo cobicei. Mas a Joana, aquela que come a papa, não foi em cantigas (ou fados) e tudo combinou, tudo aprontou para levar o seu mais que tudo a jantar na Travessa do Fado.

Mas quis o destino ter-se esquecido de uma coisita de somenos importância... saber, antes de tudo programar, quando o restaurante fecha para descanso. Claro que a Joana acertou na mouche, o único dia em que podiam ir, antes do convite perder a validade, era dia descanso. Tau!! Sebastião, aquele que come tudo, tudo, tudo, vê-se então "obrigado" a entrar em ação pois tal é o fado dos bons amigos, chegar-se à frente quando necessário.

Sebastião decide falar com sininho para o ajudar nesta ação de salvamento. Fica tudo combinado, reservado e alinhavado no espaço de alguns minutos. Mas eis senão quando... sininho adoece e tivemos que adiar o jantar.... para o último dia possível! Isto de ser português e ter sempre um fado desgraçado torna a vida tão mais engraçada, não é? Pois, tem dias...


Mas quis o destino que chegássemos a bom porto ou, neste caso, a bom restaurante. Infelizmente sem fado cantado ao vivo, o que me deixou algo desapontado (mas a sininho deitava fairy dust de contente), mas com toda uma ementa à nossa disposição.

 

 
Vamos então ao busílis da questão. O Travessa do Fado fica junto (na verdade coladinho) ao edifício que alberga o Museu do Fado, de frente para um dos bairros históricos de Lisboa, Alfama.

O restaurante tem dois pisos e dois pátios, um extremamente espaçoso na entrada do restaurante (a gritar noites quentes de verão e turistas em tons de vermelho) e outro (mais simbólico) na parte de trás. Como não estava tempo para jantares ao luar, atravessámos o pátio e fomos (tentar) descobrir a entrada do restaurante.  Se não fosse o pensamento "se ali está o balcão então deve haver ali uma porta" teríamos ficado no meio do pátio à espera que (a) alguém entrasse, (b) alguém saísse, (c) alguém do restaurante viesse perceber porque estavam duas pessoas paradas no meio do pátio com ar intrigado. Para evitarem estes propósitos é favor dirigirem-se para o lado direito do edifício, onde encontrarão a entrada.




Depois de (finalmente) entrarmos, fomos acompanhados até a uma mesa no piso térreo, mesmo ao lado das escadas que dão acesso ao piso superior.

O restaurante tem a forma de um L, tendo mais comprimento que largura, algo que é mais sentido no piso térreo muito por culpa das ditas escadas. Mas tirando a mesa debaixo das escadas (onde, ao levantar, parece correr-se o risco de dar cabeçadas nos degraus), as restantes mesas pareceram-me ter espaço suficiente para que seja criado um ambiente acolhedor em vez de um ambiente claustrofóbico.
O facto das paredes do restaurante serem essencialmente de vidro também contribui (grandemente) para criar um ambiente acolhedor. As paredes de vidro permitem que o restaurante tenha um ambiente solarengo e alegre durante o dia, com a entrada de luz natural, e um ambiente mais intimista durante a noite, com o auxílio de uma iluminação artificial difusa e esparsa.
 
O piso superior tem mais espaço e uma vista desafogada para o largo do Chafariz de Dentro.

A comida servida no Travessa do Fado tem por base a tradicional gastronomia portuguesa, apresentando essencialmente petiscos portugueses. E petiscos portugueses é música para os nossos ouvidos (e papilas gustativas).

Depois de alguma negociação sobre o que iríamos pedir da ementa, chegámos a consenso: lambujinhas, iscas de cebolada, pimentos Padrón, sandes de bife de atum e ovo com alheira.

Tirando os pimentos Padrón que não foram ao encontro ao que se esperam deles - Pimientos de Pádron, unos pican otros non - tendo nos calhado apenas os que non pican (para grande desgosto da sininho), os restantes petiscos estavam todos entre bom e muito bom, com destaque para as iscas (estava mesmo com saudades).






Depois de muita conversa, vários petiscos e uma bela sangria chegámos ao momento em que tínhamos de fazer "A" opção, queremos sobremesa ou não queremos sobremesa. Eu sei, como se houvesse opção... claro que queremos sobremesa!

Venha uma torta de laranja e um cheesecake de frutos silvestres para a mesa ao lado das escadas s.f.f.




E lá vieram. Não foram as melhores sobremesas que já comemos mas também não podemos apontar grandes defeitos, simplesmente não sabem a tradicional.

No fim, saímos satisfeitos com a comida, atendimento e ambiente. Eu fiquei com alguma pena de não ter ouvido fado ao vivo mas, quem sabe, um dia destes volte para experimentar a esplanada e o belo do faduncho.

Acredito que este seja um restaurante mais dado a turistas devido (a) localização, (b) ligação ao Fado, (c) preços praticados. Não posso recriminar pois é o expectável quando em zona turista mas, ainda assim, os preços não são tão astronómicos que impossibilitem uma visita.




Largo do Chafariz de Dentro, nº 1
1100-139 Lisboa
Tlf | 00351 218 870 144 | Email | geral@atravessadofado.com

https://www.facebook.com/ATravessaDoFado

Horário
Almoço | 4ª a Dom - 12h00 às 15h00
Jantar | 4ª a Dom - 19h30 às 23h00
Encerrado | 2ª Feira e 3ª Feira









sexta-feira, 20 de março de 2015

Petiscaria Petis.cos, Parede






Há momento assim. Nos quais não me apetece escrever, em que sentar-me quieta a escrever não me ocorre, e a actividade até me dá prazer. Mas há momento assim. 

Felizmente este blog tem três contribuintes e quando um de nós se encontra na travessia do deserto, seja por falta de tempo ou de inspiração, os outros estão cá para manter a actividade. 

Mas estou de volta e com muita escrita para pôr em dia. Vou começar em grande, com uma excelente experiência a convite da Zomato, e mais tarde comprovada com a desculpa de almoço de trabalho.


O nome 

Aqui está uma questão algo difícil, ainda hoje ainda não percebi bem qual é o nome do restaurante. 

Pois que procurei na Zomato, no Google, no Sapo, no Lifecooler, e nada, não conseguia encontrar o restaurante e a sua localização. O que me valeu foi que o convite da Zomato dizia que era na Praia da Baforeira, o que simplificou o processo. 

Já na segunda vez que lá fui, encontrar os contactos do restaurante foi tarefa difícil, estive quase a desistir porque não conseguia arranjar o telefone para marcar mesa. 

Assim sendo deixo aqui uma ideia: que tal simplificarem o nome?



O restaurante

O edifício já foi muitos restaurantes, lembro-me de lá ter ido quando era um restaurante de peixe. 

Não percebo o porquê dos negócios não prosperarem por estes lados, porque o edifício fica mesmo em cima do mar, numa localização lindíssima, onde é possível ficar numa das mesas junto à janela, que devido à construção do edifício fica numa zona mais avançada, dando a sensação de estar mesmo em cima do mar. Logo, melhor impossível. 

Entre a vista de mar e a vista da escarpa, os meus olhos ficam deliciados. 

Depois desta envolvência a decoração é o de menos. Mesmo assim está muito bem conseguida com motivos náuticos (como seria de esperar).

A comida 
O nome do restaurante pode ser complicado mas indica o tipo de comida servida. Não duvido que existam pratos normais, mas... para quê descobrir. Há petiscos!



Da primeira vez que fui, a convite da Zomato, a variedade de pratos foi escolhida pelo chef. A selecção revelou-se excelente. Parabéns ao chef pela confecção dos pratos e na escolha das suas especialidades! 

Na segunda incursão, como a primeira correu tão bem, que ao reservar a mesa disse: é o mesmo que da outra vez! 



Nos petiscos estavam incluídos: Salada de polvo, Cogumelos frescos salteados, pimentinhos de padrón, gambas ao alinho, ovos mexidos com farinheira, pica pau de novilho, cascas de batata fritas com maionese, entre outros. Os petiscos são os tradicionais, mas o que diferencia é a qualidade. Excelente! Fiquei muito agradada (razão pela qual voltei) e satisfeita. 




O preço 
Aqui está uma informação que não consigo dar com grande exactidão. A primeira visita foi a convite e a segunda foi num almoço de grupo, o que enviesa sempre a informação. A minha percepção é que o preço rondará os 20 euros com vinho por pessoa.

A conclusão 
A visitar! Sem dúvida. Entre a envolvência e a qualidade da comida é uma excelente experiência.





Pestiscaria Petis.cos
Praia da Bafureira, Avenida Marginal, Parede, Cascais
Horário: 12:30 a 15:30, 19:30 a 23:30

quarta-feira, 11 de março de 2015

La fabbrica della felicità, Baixa




E se pensaram que os festejos ficaram apenas pelo cone da Fábrica dos Gelados, desenganem-se. Aqui vem mais um esplêndido cone!




E este é um elogio (à loucura) à perseverança! De quê? De quem? De todos os raios de sol que nos últimos tempos nos têm permitido realizar aquela fotossíntese pelo qual à muito esperávamos (e desesperávamos).

e agora entra a música, fade in...

"Here comes the sun | And I say | It's all right
Little darling | It's been a long cold lonely winter | Little darling
It feels like years since it's been here
Here comes the sun
And I say | It's all right"
...fade out





E se umas ficam em locais escondidos, que só se descobrem (muito) por acaso ou porque alguém nos indicou que existiam, já outras geladarias estão em locais que só mesmo os mais distraídos não dão contam.

É o caso da Gelato Therapy - La fabbrica della felicità. Se a primeira parte do nome desta geladaria não me encanta por demais (a sua ausência no título deste texto foi propositada), já a segunda parte faz-me todo o sentido. Mais, parece-me o nome mais que perfeito para uma geladaria... a fábrica da felicidade.

La fabbrica della felicità fica situada num dos cruzamentos mais movimentados e turísticos do centro de Lisboa, o cruzamento em frente à Sé de Lisboa (rua da Madalena vs rua da Conceição).

Pequenina mas a gritar em plenos pulmões: Gelato Artigianale! (sentido figurado... não está nada nem ninguém aos gritos em frente à Sé) esta fábrica de felicidade consegue chamar a atenção do mais incauto turista e eventual terráqueo, desculpem, português.

E foi assim que eu descobri mais uma geladaria (que, a meu ver, sendo boas nunca são demais), tropeçando nela quando apenas o que eu queria era aproveitar o sol e passear por Lisboa (e eventualmente ir à Fragoleto perder-me um bocadinho).

A loja é pequena, tendo apenas umas mesinhas simbólicas para turista ver, pois o espírito é pedir e ir trincando, sorvendo e lambendo (e ainda não li ou vi as 50 sombras e já estou assim...) o que consumirem pelas ruas de Lisboa ou sentarem-se nas escadas da Sé ou no Terreiro do Paço a bezerrar com um sorriso nos lábios e um cone na mão.

A decoração é alegre (amarelo, amarelo, branco com algum preto para acalmar os sentidos) e convida a entrar para ver como é. Desconfio que umas das pessoas que me atendeu não fala português mas a linguagem da gula é universal, aponta-se para aqui, para ali, acena-se com a cabeça, sorri-se e já está! Quando damos por isso temos um cone com gelado de limão com rosmaninho e mel.

E pronto lá fui contente e a pensar que encontrei um novo "amigo", em que com cada lambidela mais a amizade se fortalecia :-)




Rua da Madalena, 83

1100-319 Lisboa

218 860 831

2ª a Dom | 10h - 20h








terça-feira, 10 de março de 2015

Fábrica dos Gelados, Anjos



E porque os eventos marcantes são para ser comemorados.... embora lá comer um gelado! 
Eu sei, eu sei... que evento ao qual se associa a palavra marcante merece uma tão simples e singela forma de comemoração? Bem, ter finalmente o meu Lumia nas mãos pareceu-me marcante o suficiente para querer comemorar a ocasião mas não o suficiente para marcar um jantar no Bica do sapato ou Eleven, fumar um charuto ou abrir uma garrafa de champanhe que me custasse um rim e parte do fígado. Dentro da loucura ainda tenho (por vezes) algum bom senso.

E como a Fábrica dos Gelados ficava pertinho do local onde fui levantar o Lumia da minha vida, pensei Pitch perfect!

Não sei se alguma vez foram à feira da ladra. Para mim a rua do Forno do Tijolo estará para sempre associada com manhãs de sábado onde trocava o vale dos lençóis por caminhadas ao redor de "bancas" de material novo, semi-novo, usado ou desgastado, cuja proveniência era assunto tabu (Don't ask, don't tell).  Nestas bancas vi vender um pouco de tudo, desde coisas pacíficas como livros e cd's até dentaduras postiças e sanitas, portanto de cada visita tinha sempre uma história para contar.


Mas é de gelados que vos vim falar.


E a Rua do Forno do Tijolo veio à conversa porque a Fábrica dos Gelados fica na dita rua junto à interseção com a Rua de Moçambique.

Quando se entra na loja parece que se anda atrás no tempo, quase esperando encontrar uma senhora roliça com uma bata, faces coradas e sorriso (ou não, dependia dos dias) a perguntar quantas carcaças quero. Nesta pequena loja, ainda que renovada, respira-se outros tempos.

O balcão frigorífico não deixa margem para dúvidas, estamos numa geladaria. E aqui a escolha é nossa, cone ou copo, uma bola duas bolas três bolas, meio litro ou mesmo um litro de gelado, estamos à vontade.

Existem também bolos caseiros e outros doces passíveis de serem consumidos, variando consoante o dia. Admito que o que estava disponível fez-me torcer o nariz (tinha na sua composição agrião) mas prometeram-me que existem outros menos "verdes", mais ao meu gosto (as fotos no FB assim o corroboram).



Mas nesta visita, fiquei-me por duas bolas em cima de um cone.

E depois de lamber, trincar, morder e lamber um pouco mais vem, mesmo que de uma forma quase inconsciente, a comparação com os gelados de outras geladarias. Assim, e não se esqueçam que as opiniões são como..., vale a pena experimentar os gelados da Fábrica, apesar de poderem não ficar no topo do pódio, não envergonham ninguém. São bons de lamber e de se fazer um desvio sempre que a ocasião o proporcione.







Rua do Forno do Tijolo, 26B, Anjos, Lisboa 
21 8140051 | 965257207
4ª a 2ª | 12h - 20h | 3ª Encerra
https://www.facebook.com/fabricadogelado
 
 









segunda-feira, 9 de março de 2015

Sabor & Arte, Amoreiras



Pateo Bagatella... se calhar para muitas pessoas este nome não diz nada ou apenas evoca uma memória muito vaga... mas para mim já foi sinónimo de jantares de amigos (grande parte deles colegas de curso). Era neste pátio que ficava (e, para meu espanto, ainda fica) um dos restaurantes italianos mais na moda na altura, especialmente por possuir três fatores importantes: ter muito espaço, ser barato e a comida ser boa. Admito que esperava ver um Pateo meio devoluto mas para meu espanto (e alegria) parece que ainda respira e atrai muita gente para o local.


Mas não é de um restaurante italiano que vos venho falar mas sim dum restaurante de gastronomia bem portuguesa, o Sabor & Arte. O restaurante fica um bocadinho escondido mas se forem até ao fundo do Pateo Bagatella e subirem o primeiro lance de escadas dão por ele. À entrada tem uma esplanada, que nos dias de sol e nas noites quentes de verão deve ser um ótimo local para se estar, e no interior tem duas salas de jantar.

A decoração do restaurante é agradável, onde sobressaem as fotografias de Lisboa que cobrem (literalmente) algumas das paredes, as cadeiras de verga (confortáveis e ótimas para quem, como eu, ocupa algum espaço de assento) e a garrafeira.

Após termos entrado, fomos conduzidos para a sala mais interior, ficando (um de nós) com vista para o elevador da Graça. Quando nos entregaram a ementa e vi a sua extensão preparei-me para o pior e quem nos estava atender, demorou algum tempo mas, também compreendeu que não valia a pena chegar-se à mesa de livre e espontânea vontade, era melhor esperar que o chamássemos. Enquanto eu olhava em volta, tentava tirar fotografias com o meu chaço velho, havia quem esmiuçasse cada uma das entradas da lista.

Por fim, lá nos decidimos por Bacalhau à lagareiro e Bife da vazia com molho de mostarda, ótimos exemplos da gastronomia portuguesa. Para entrada....

.... primeiro dissemos que não queríamos.... depois comecei a ver surgir, à minha frente, um certo olhar de gato das botas perante a possibilidade de não comer ovos com farinheira.... se calhar podíamos pedir mas não faço muita questão, e os olhos a aumentarem.... tal como o Shrek, não resisti e pedi os benditos ovos com farinheira.

 


E foi o melhor que fizemos. Os ovos com farinheira estavam excelentes, mesmo mesmo bons, não tendo ficado uma migalha no fim da taça. E foi o pior que fizemos. A fotografia não faz jus à quantidade que é servida (faria corar de embaraço muitos restaurantes de petiscos), mas só estes ovos dariam para alimentar uma família (ou pelo menos duas pessoas). Resultado, quando finalmente acabámos os ovos ficámos algo receosos de não termos capacidade para comer os pratos principais (sem recorrer à técnica utilizada na capital de Panem).


E como podem ver pelas imagens os nossos receios tinham algum fundamento...





Mas com calma, muita calma. Lá fomos comendo estes dois ótimos exemplares da gastronomia portuguesa, deliciados em cada garfada que demos. Eu sei que são dois pratos simples mas, como já todos algum dia experenciámos, mesmo nos pratos mais simples cai a nódoa.




E sim, é mesmo verdade. Tanta conversa sobre estarmos cheios e ainda fomos à sobremesa (focas!). Não resistimos à tentação por isso, apesar de que quase conseguirmos ver o nosso bolo alimentar se abríssemos muito a boca, pedimos duas sobremesas: Tarte de maçã com gelado e Tarte de limão merengada. As sobremesas não fizeram tremer os alicerces da torre de Belém mas estavam boas e, felizmente, as fatias tinham uma espessura decente (ao contrário de algumas fatias de tarte de limão merengada que nos serviram recentemente).
 
No fim, a conta andaria pelos 25€ pp não tivéssemos nós ido com um voucher da Zomato. Aconselho vivamente este restaurante para quem procura comida tipicamente portuguesa, bem confecionada e onde se serve bem, muito bem. O atendimento esteve à altura da refeição, tendo sido simpático e prestável.







Rua da Artilharia 1, nº 51, Lisboa (Páteo Bagatella)
Tel | +351 213 865 390

http://www.saborarte.pt/sobre-3/

Horário | 2ª a Sáb | 12h às 15h30 e das 19h às 24h
Descanso ao Domingo





quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Prego da Peixaria, Saldanha



Estive um bocadinho indeciso se haveria de escrever ou não este texto. Não porque tivesse corrido mal ou algo do género (believe it or not, custa-me sempre fazer uma má crítica) mas antes porque....como dizê-lo.....

.... é que o Prego no Saldanha serve o mesmo que o Prego do Príncipe Real (que já tem a sua respectiva crítica) ou do Mercado da Ribeira. Se não gostaram daquilo que comeram num, dificilmente irão gostar da comida dos outros. Obviamente fica no ar a pergunta... como é possível não gostar? Mas pronto, eu também não aprecio sushi independentemente se vem numa passadeira ou das mãos do maior sensei em peixe crú (lá está, como é possível....) mas dei todos as oportunidades para me deslumbrarem. A culpa (obviamente) é da minha santa mãe que desde sempre me incutiu o gosto pela comida quente e cozinhada :-)

E porque me decidi (afinal) falar dum cromo repetido? Porque gosto da simplicidade da (boa) comida, da decoração do espaço e da sua localização.


A zona do Saldanha sempre foi uma bela adormecida. Por muito potencial que tivesse, assim que se saía dos centros comerciais (e respetivos food courts) era o deserto mas, paulatinamente, o Saldanha tem vindo a apresentar mais vida para além dos centros comerciais. Possivelmente a abertura de cada vez mais hotéis (e com eles mais turistas, mais euros, maior oferta... o ciclo da vida capitalista) tenha potenciado o crescimento da oferta... tanto que bem perto do Prego já nasceu um concorrente, o Honorato.




O Prego da Peixaria fica na Avenida Praia da Vitória, uns parcos metros mais a cima de uma das entradas para o Monumental (a entrada dos cinemas), local ideal para quem quiser comer antes ou após uma ida ao cinema (esse evento cada vez mais esporádico, cada vez mais dispendioso).

A ausência de sinalética evidente de que estamos perante o Prego da Peixaria (a primeira vez que passei à porta só me apercebi que era um restaurante novo com aspeto promissor), poderia ser um problema não fosse esta uma avenida de trazer por casa (quase uma Betesga).
 
 


A decoração do espaço está muito engraçada, com alguma bipolaridade associada. Se do lado da entrada a decoração é mais próxima de um saloon (apenas lhe faltando a serradura e as botas com esporas), depois de andarmos por um longo e estreito corredor vamos dar a uma segunda sala (maior que a da entrada) onde o feeling é mais de estarmos a comer dentro de um barracão, mas um barracão fashion, graças à chapa de zinco que surge por todo o lado. Assim como no Príncipe Real, temos um mural a decorar a sala. Só que aqui temos que olhar para o teto para o podermos apreciar. E vale a pena pois está fantástico.

 

 
Portanto, chapas de zinco, mural no teto, cadeiras e mesas mismatched, espelhos envelhecidos, iluminação suave, tudo junto dá um ambiente divertido, muito pessoal e intransmissível.

E o que comemos..... Bem, mais uma vez gastámos duas ementas (da próxima prometo que só gastaremos uma! sorry...), mas desta vez ambas em português :-), para pedir as batatas fritas da praxe (doce e "normal"), um Yuppie (Carne do lombo, maionese de manjericão, queijo cheddar e pancetta em bolo do caco da Madeira) e um Motard (que me parece uma nova adição à pandilha.... carne do lombo, chouriço e ovo num bolo do caco de azeitona).

 

Eu sei que [vou te amar...por toda a minha vida... eu vou te amar] um dia me vou fartar mas, para já, se me disserem batata doce, eu digo quero!



Aqui estão os nossos meninos bonitos (Motard e Yuppie) a fazer pose para a foto antes de serem todos comidinhos até ao fim.


Infelizmente não tinham mousse de chocolate (shame on you!) e as restantes sobremesas não puxavam por mim mas havia outra pessoa na mesa que pensou doutra forma. Ouviu mousse de maracujá e não resistiu. Segundo vi (raspou tudo até ao fim sem a minha ajuda), ouvi (trincou deliciada cada uma das sementes que apanhava) e me fez saber, a mousse estava excelente. O meu café também.




No fim, pagámos 15€pp... talvez um valor bocadinho alto mas saímos muito satisfeitos com o atendimento, comida e espaço por isso no regrets.









Avenida Praia da Vitória 77 C, 1050-183, Lisboa

Tel | 213471356
www.facebook.com/oprego.dapeixaria

Dom a 5ª | 12h às 24h
6ª e Sáb | 12h à 1h









segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Casa dos Ovos Moles em Lisboa, Estrela



Atenção! Isto é um aviso.

Caso tenham colesterol elevado, hipertensão arterial ou problemas hepáticos associado a um baixo self control quando perante doçaria conventual (algo designado clinicamente como gulodicis santis), mantenham-se afastados da Calçada da Estrela. 




De outra forma, façam peregrinação até à Estrela para ver esta aparição (e a seguir desçam até ao rio e voltem a subir para pagarem o pecado).

Ele é fidalgos, sericaias, barrigas de freiras, trouxas de ovos e por aí fora... se leva ovos e açúcar e saiu da cabeça de uma freira (ou de uma Ti Maria com jeito para a doçaria) muito provavelmente vende-se aqui.

A loja é pequena mas com muita alma e, mais que tudo, alma portuguesa com certeza (calma Amália, calma que já cantas um fado). Mantiveram muitos dos armários do estabelecimento antigo (drogaria?) e decoraram-nos com loiça Bordallo Pinheiro (se não era, imitava muito bem). Conseguiram, ao fundo da loja, encaixar duas mesinhas com meia dúzia de cadeiras mas, parece-me, que o espírito da loja é mais de entrar, saborear o ambiente que nos rodeia e sair com os doces que sorrirem para vocês, como recordação. 

Se forem como eu, todos os doces sorriem para vocês por isso fiz-lhes a promessa que todos terão, mais cedo ou mais tarde, o privilégio de serem comidos por mim. Comecei por uma (fantástica) fatia de fidalgo. Senti-me como um leão marinho a quem tinham atirado uma sardinha... gulp... já tá! venha outra.... clap clap (bater das barbatanas).

Portanto num ambiente verdadeiramente vintage, magistralmente adaptado para receber doces que fazem as delicias de qualquer guloso que se preze, o que mais se pode pedir? 



 

Calçada da Estrela, nº142 Lisboa
Horário | ....... só sei que está aberto ao fim de semana :-)

O outro local onde podem comer estes pecados.....

Mercado de Campo de Ourique, 1350-075 Lisbon, Portugal
Dom - 4ª | 10h às 23h /  5ª - Sab | 10h às 1h







sábado, 7 de fevereiro de 2015

O Mercado, Alcântara, Lisboa



Fazia lá eu ideia que por debaixo da ponte 25 de Abril estava esta preciosidade... afinal passamos todos os dias a cerca de 70 m (em altura, pois claro!) deste restaurante e nem sabíamos da sua existência! E por isso o restaurante O Mercado, que se situa no Mercado Rosa Agulhas em Alcântara, foi uma agradável surpresa!




Dotado de um espaço muito agradável e espaçoso, e com janelas enormes (antevendo almoços ou jantares de verão bastante "luminosos"), o Mercado será certamente um local muito bom para refeições em grupo/família. Além da sala onde ficámos (sala principal), existe um mezzanine mais vocacionado para grupos e ainda, um espaço exterior.




Após alguma indecisão relacionada com os diferentes graus de fome que cada um tinha (couvert ou couvert mais entrada... decisions, decisions... é que já se estava a ver que era o tipo de restaurante onde se serve bem!), lá decidimos atacar o couvert que já tinha sido servido e pedir como entrada uns cogumelos salteados com enchidos (7,85 €).

 


Na sala principal do restaurante estão as montras das matérias-primas... ou seja, podemos ir lá e ver, e escolher os peixes para grelhar; no entanto, peixe grelhado é frequente em casa ao fim-de-semana e por isso, resolvemos escolher outras coisas. Eu fiquei-me por um arroz de garoupa com gambas e ameijoas (12,95 €) e o B. por um bife de atum (13,95 €).

 




Eu adorei o meu arroz de garoupa, e fui comendo, comendo, comendo, até que consegui despachar aquele tacho todo! 

(e depois querem ter um corpinho danone...) :)

O bife de atum também estava muito bom, sendo que a tigelinha que vêm do lado direito na foto, dava uma grande ajuda a melhorar o sabor e a "hidratação" do bife! :)

E como ainda não estávamos satisfeitos (alarves...) finalizámos com uma fatia de tarte e os respectivos cafés!


Em resumo, gostámos imenso deste restaurante, recomendamos vivamente, e será certamente um óptimo sítio para os almoços/jantares de família! No site do restaurante podem consultar as diversas ementas adaptadas para grupos. Também não vale a pena andarem à procura de estacionamento ali à volta; podem estacionar no parque do mercado (não façam como nós...).

Tivemos a sorte de ter um vale do Zomato para este jantar; no entanto, será sítio para rondar os 15-20 euros por pessoa.


Mercado Rosa Agulhas
Rua Leão de Oliveira, loja 25
Alcântara
Tel. 213 649 113
http://www.mercadodealcantara.com/index.html 





sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A Loja, Lisboa



Então é assim. Já que obrigam a levantar este meu belo corpinho do seu local de repouso (eterno) a um domingo (a horas do demo) pois bem ele tem de ser alimentado. Porque até posso ser pobre em espírito mas em apetite (infelizmente) não sou.

Assim, imbuído desta vontade feroz de compensar esta desgraça, calamidade, hecatombe (apenas alguns dos substantivos que me ocorrem) saquei do papel onde, em tempos idos, tinha escrevinhado alguns locais economicamente simpáticos (porque a ferocidade não me toldou a salazarice) que queria experimentar.

Como a desgraça gosta de companhia, decidi que deveria arrastar alguém comigo para esta espiral de violência :-) E foi o melhor que fiz. Esperei tanto tempo pela companhia que quando finalmente chegou ao pé de mim a tempestade tinha passado, restando apenas alguns chuviscos.

E foi neste estado de espírito que chegámos à Loja.




O nome. Não sei se leram Gone Girl (deviam... e o filme não chega) mas o nome desta hamburgueria fez-me lembrar o livro, não porque tenha uma loira sociopata a atender (o que, sem desprimor para quem efetivamente atende, até seria interessante), mas pelo conceito curioso de chamar The Bar a um bar (Gone Girl) ou A Loja a uma loja. Isto já para não falar do potencial Gato Fedorento deste nome... Onde foste almoçar? À Loja. Que Loja? À Loja... sempre um excelente bloqueador de conversa.

Onde fica. A Loja situa-se na rua D. Francisco Manuel de Melo, rua vizinha de um dos mais famosos retiros espirituais do país - o Estabelecimento Prisional de Lisboa - e de um dos locais onde se dá o maior número de boleias, sem distinção de género, em Lisboa - Parque Eduardo VII.
A Loja não chama a atenção por isso é fácil passar por ela sem dar conta. Mas nada como estacionar o carro e dar corda aos sapatos. Devo dizer que ao domingo corre muito bem mas desconfio que durante a semana a conversa deve ser outra.




A Loja. Depois de estacionados, eis-nos diante da hamburgueria a discutir qual serão as nossas hipóteses de sermos atendidos às duas da tarde. Bem, nada como empurrar a porta e perguntar... Pacífico. Mas claro que nos atendiam, que escolhêssemos a mesa (viva os domingos!) e nos sentássemos.

A decoração. Ao entrarmos, deparamo-nos com um espaço relativamente pequeno (comparado com algumas hamburguerias que por aí andam é uma penthouse) que inspira descontração. É engraçado (in a good way) mas a decoração do espaço fez-me pensar que estava a entrar num talho que tinha sido reconvertido em restaurante mas mantendo alguns dos seus traços originais... julgo que esta sensação resulta dos tampos de mármore com veios cinzentos, do balcão e da forma como as ementas estão penduradas. No entanto, o resultado final é alegre e, se ignorarmos o balcão, quase celeiro like :-)





A comida. A ementa é essencialmente hambúrgueres no prato ou no pão (não sei se já tinha referido que A Loja é uma hamburgueria...?), em que cada estado de espírito (prato ou pão) conduz a diferentes planos de existência (diferentes ingredientes e molhos), mas para quem não queira comer chicha tem ainda a opção de saladas. Também existem entradas como batatas fritas com ovo ou bolo do caco, tudo iguarias hipocalóricas.

E foi nas entradas que cometemos o nosso erro colossal.... Se achavam que agora eu iria dizer quão má era a entrada, desenganem-se meus caros. A entrada estava ótima e numa porção de fazer inveja a muitos locais de petiscos. E aqui residiu o problema.... comemos que nem lontras, tendo como resultado final não conseguirmos comer sobremesa...
 
 


... porque os hamburgueres que pedimos vinham igualmente ótimos e bem servidos!




Hambúrguer no prato com molho de cogumelos e hambúrguer francesinha (muito bem) acompanhados  com batatas fritas aos gomos. Se a vocês vos parecer bem a nós soube-nos ainda melhor :-)
No fim, estávamos cheios até às orelhas (deixar comida no prato é sacrilégio) mas contentes por termos feito uma aposta vencedora. Infelizmente (como observado anteriormente) não houve espaço para a sobremesa, sob pena de ela entrar pela boca e sair pelo nariz de tão a abarrotar que estávamos (next time!).

Pós-prandial. Depois de um tempo de repouso, para a comida assentar poeira, e um café para fechar o almoço, lá pedimos a conta. E o que vinha escrito no fatídico papel não provocou grandes espasmos faciais ou ofendeu pois 12€ pp bem servidos, comidos e atendidos parece-me justo.



Pós pós-prandial. A partir daqui foi sempre a descer, mesmo! Para desmoer (termo que me faz sempre pensar que sou um moinho) toca de descer até à Ribeira das Naus e voltar a subir, com algum tempo de paragem na relva inclinada da Ribeira.






Rua Dom Francisco Manuel de Melo nº26
1070-087 Lisboa, Portugal

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