quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Prego da Peixaria, Saldanha



Estive um bocadinho indeciso se haveria de escrever ou não este texto. Não porque tivesse corrido mal ou algo do género (believe it or not, custa-me sempre fazer uma má crítica) mas antes porque....como dizê-lo.....

.... é que o Prego no Saldanha serve o mesmo que o Prego do Príncipe Real (que já tem a sua respectiva crítica) ou do Mercado da Ribeira. Se não gostaram daquilo que comeram num, dificilmente irão gostar da comida dos outros. Obviamente fica no ar a pergunta... como é possível não gostar? Mas pronto, eu também não aprecio sushi independentemente se vem numa passadeira ou das mãos do maior sensei em peixe crú (lá está, como é possível....) mas dei todos as oportunidades para me deslumbrarem. A culpa (obviamente) é da minha santa mãe que desde sempre me incutiu o gosto pela comida quente e cozinhada :-)

E porque me decidi (afinal) falar dum cromo repetido? Porque gosto da simplicidade da (boa) comida, da decoração do espaço e da sua localização.


A zona do Saldanha sempre foi uma bela adormecida. Por muito potencial que tivesse, assim que se saía dos centros comerciais (e respetivos food courts) era o deserto mas, paulatinamente, o Saldanha tem vindo a apresentar mais vida para além dos centros comerciais. Possivelmente a abertura de cada vez mais hotéis (e com eles mais turistas, mais euros, maior oferta... o ciclo da vida capitalista) tenha potenciado o crescimento da oferta... tanto que bem perto do Prego já nasceu um concorrente, o Honorato.




O Prego da Peixaria fica na Avenida Praia da Vitória, uns parcos metros mais a cima de uma das entradas para o Monumental (a entrada dos cinemas), local ideal para quem quiser comer antes ou após uma ida ao cinema (esse evento cada vez mais esporádico, cada vez mais dispendioso).

A ausência de sinalética evidente de que estamos perante o Prego da Peixaria (a primeira vez que passei à porta só me apercebi que era um restaurante novo com aspeto promissor), poderia ser um problema não fosse esta uma avenida de trazer por casa (quase uma Betesga).
 
 


A decoração do espaço está muito engraçada, com alguma bipolaridade associada. Se do lado da entrada a decoração é mais próxima de um saloon (apenas lhe faltando a serradura e as botas com esporas), depois de andarmos por um longo e estreito corredor vamos dar a uma segunda sala (maior que a da entrada) onde o feeling é mais de estarmos a comer dentro de um barracão, mas um barracão fashion, graças à chapa de zinco que surge por todo o lado. Assim como no Príncipe Real, temos um mural a decorar a sala. Só que aqui temos que olhar para o teto para o podermos apreciar. E vale a pena pois está fantástico.

 

 
Portanto, chapas de zinco, mural no teto, cadeiras e mesas mismatched, espelhos envelhecidos, iluminação suave, tudo junto dá um ambiente divertido, muito pessoal e intransmissível.

E o que comemos..... Bem, mais uma vez gastámos duas ementas (da próxima prometo que só gastaremos uma! sorry...), mas desta vez ambas em português :-), para pedir as batatas fritas da praxe (doce e "normal"), um Yuppie (Carne do lombo, maionese de manjericão, queijo cheddar e pancetta em bolo do caco da Madeira) e um Motard (que me parece uma nova adição à pandilha.... carne do lombo, chouriço e ovo num bolo do caco de azeitona).

 

Eu sei que [vou te amar...por toda a minha vida... eu vou te amar] um dia me vou fartar mas, para já, se me disserem batata doce, eu digo quero!



Aqui estão os nossos meninos bonitos (Motard e Yuppie) a fazer pose para a foto antes de serem todos comidinhos até ao fim.


Infelizmente não tinham mousse de chocolate (shame on you!) e as restantes sobremesas não puxavam por mim mas havia outra pessoa na mesa que pensou doutra forma. Ouviu mousse de maracujá e não resistiu. Segundo vi (raspou tudo até ao fim sem a minha ajuda), ouvi (trincou deliciada cada uma das sementes que apanhava) e me fez saber, a mousse estava excelente. O meu café também.




No fim, pagámos 15€pp... talvez um valor bocadinho alto mas saímos muito satisfeitos com o atendimento, comida e espaço por isso no regrets.









Avenida Praia da Vitória 77 C, 1050-183, Lisboa

Tel | 213471356
www.facebook.com/oprego.dapeixaria

Dom a 5ª | 12h às 24h
6ª e Sáb | 12h à 1h









segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Casa dos Ovos Moles em Lisboa, Estrela



Atenção! Isto é um aviso.

Caso tenham colesterol elevado, hipertensão arterial ou problemas hepáticos associado a um baixo self control quando perante doçaria conventual (algo designado clinicamente como gulodicis santis), mantenham-se afastados da Calçada da Estrela. 




De outra forma, façam peregrinação até à Estrela para ver esta aparição (e a seguir desçam até ao rio e voltem a subir para pagarem o pecado).

Ele é fidalgos, sericaias, barrigas de freiras, trouxas de ovos e por aí fora... se leva ovos e açúcar e saiu da cabeça de uma freira (ou de uma Ti Maria com jeito para a doçaria) muito provavelmente vende-se aqui.

A loja é pequena mas com muita alma e, mais que tudo, alma portuguesa com certeza (calma Amália, calma que já cantas um fado). Mantiveram muitos dos armários do estabelecimento antigo (drogaria?) e decoraram-nos com loiça Bordallo Pinheiro (se não era, imitava muito bem). Conseguiram, ao fundo da loja, encaixar duas mesinhas com meia dúzia de cadeiras mas, parece-me, que o espírito da loja é mais de entrar, saborear o ambiente que nos rodeia e sair com os doces que sorrirem para vocês, como recordação. 

Se forem como eu, todos os doces sorriem para vocês por isso fiz-lhes a promessa que todos terão, mais cedo ou mais tarde, o privilégio de serem comidos por mim. Comecei por uma (fantástica) fatia de fidalgo. Senti-me como um leão marinho a quem tinham atirado uma sardinha... gulp... já tá! venha outra.... clap clap (bater das barbatanas).

Portanto num ambiente verdadeiramente vintage, magistralmente adaptado para receber doces que fazem as delicias de qualquer guloso que se preze, o que mais se pode pedir? 



 

Calçada da Estrela, nº142 Lisboa
Horário | ....... só sei que está aberto ao fim de semana :-)

O outro local onde podem comer estes pecados.....

Mercado de Campo de Ourique, 1350-075 Lisbon, Portugal
Dom - 4ª | 10h às 23h /  5ª - Sab | 10h às 1h







sábado, 7 de fevereiro de 2015

O Mercado, Alcântara, Lisboa



Fazia lá eu ideia que por debaixo da ponte 25 de Abril estava esta preciosidade... afinal passamos todos os dias a cerca de 70 m (em altura, pois claro!) deste restaurante e nem sabíamos da sua existência! E por isso o restaurante O Mercado, que se situa no Mercado Rosa Agulhas em Alcântara, foi uma agradável surpresa!




Dotado de um espaço muito agradável e espaçoso, e com janelas enormes (antevendo almoços ou jantares de verão bastante "luminosos"), o Mercado será certamente um local muito bom para refeições em grupo/família. Além da sala onde ficámos (sala principal), existe um mezzanine mais vocacionado para grupos e ainda, um espaço exterior.




Após alguma indecisão relacionada com os diferentes graus de fome que cada um tinha (couvert ou couvert mais entrada... decisions, decisions... é que já se estava a ver que era o tipo de restaurante onde se serve bem!), lá decidimos atacar o couvert que já tinha sido servido e pedir como entrada uns cogumelos salteados com enchidos (7,85 €).

 


Na sala principal do restaurante estão as montras das matérias-primas... ou seja, podemos ir lá e ver, e escolher os peixes para grelhar; no entanto, peixe grelhado é frequente em casa ao fim-de-semana e por isso, resolvemos escolher outras coisas. Eu fiquei-me por um arroz de garoupa com gambas e ameijoas (12,95 €) e o B. por um bife de atum (13,95 €).

 




Eu adorei o meu arroz de garoupa, e fui comendo, comendo, comendo, até que consegui despachar aquele tacho todo! 

(e depois querem ter um corpinho danone...) :)

O bife de atum também estava muito bom, sendo que a tigelinha que vêm do lado direito na foto, dava uma grande ajuda a melhorar o sabor e a "hidratação" do bife! :)

E como ainda não estávamos satisfeitos (alarves...) finalizámos com uma fatia de tarte e os respectivos cafés!


Em resumo, gostámos imenso deste restaurante, recomendamos vivamente, e será certamente um óptimo sítio para os almoços/jantares de família! No site do restaurante podem consultar as diversas ementas adaptadas para grupos. Também não vale a pena andarem à procura de estacionamento ali à volta; podem estacionar no parque do mercado (não façam como nós...).

Tivemos a sorte de ter um vale do Zomato para este jantar; no entanto, será sítio para rondar os 15-20 euros por pessoa.


Mercado Rosa Agulhas
Rua Leão de Oliveira, loja 25
Alcântara
Tel. 213 649 113
http://www.mercadodealcantara.com/index.html 





sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A Loja, Lisboa



Então é assim. Já que obrigam a levantar este meu belo corpinho do seu local de repouso (eterno) a um domingo (a horas do demo) pois bem ele tem de ser alimentado. Porque até posso ser pobre em espírito mas em apetite (infelizmente) não sou.

Assim, imbuído desta vontade feroz de compensar esta desgraça, calamidade, hecatombe (apenas alguns dos substantivos que me ocorrem) saquei do papel onde, em tempos idos, tinha escrevinhado alguns locais economicamente simpáticos (porque a ferocidade não me toldou a salazarice) que queria experimentar.

Como a desgraça gosta de companhia, decidi que deveria arrastar alguém comigo para esta espiral de violência :-) E foi o melhor que fiz. Esperei tanto tempo pela companhia que quando finalmente chegou ao pé de mim a tempestade tinha passado, restando apenas alguns chuviscos.

E foi neste estado de espírito que chegámos à Loja.




O nome. Não sei se leram Gone Girl (deviam... e o filme não chega) mas o nome desta hamburgueria fez-me lembrar o livro, não porque tenha uma loira sociopata a atender (o que, sem desprimor para quem efetivamente atende, até seria interessante), mas pelo conceito curioso de chamar The Bar a um bar (Gone Girl) ou A Loja a uma loja. Isto já para não falar do potencial Gato Fedorento deste nome... Onde foste almoçar? À Loja. Que Loja? À Loja... sempre um excelente bloqueador de conversa.

Onde fica. A Loja situa-se na rua D. Francisco Manuel de Melo, rua vizinha de um dos mais famosos retiros espirituais do país - o Estabelecimento Prisional de Lisboa - e de um dos locais onde se dá o maior número de boleias, sem distinção de género, em Lisboa - Parque Eduardo VII.
A Loja não chama a atenção por isso é fácil passar por ela sem dar conta. Mas nada como estacionar o carro e dar corda aos sapatos. Devo dizer que ao domingo corre muito bem mas desconfio que durante a semana a conversa deve ser outra.




A Loja. Depois de estacionados, eis-nos diante da hamburgueria a discutir qual serão as nossas hipóteses de sermos atendidos às duas da tarde. Bem, nada como empurrar a porta e perguntar... Pacífico. Mas claro que nos atendiam, que escolhêssemos a mesa (viva os domingos!) e nos sentássemos.

A decoração. Ao entrarmos, deparamo-nos com um espaço relativamente pequeno (comparado com algumas hamburguerias que por aí andam é uma penthouse) que inspira descontração. É engraçado (in a good way) mas a decoração do espaço fez-me pensar que estava a entrar num talho que tinha sido reconvertido em restaurante mas mantendo alguns dos seus traços originais... julgo que esta sensação resulta dos tampos de mármore com veios cinzentos, do balcão e da forma como as ementas estão penduradas. No entanto, o resultado final é alegre e, se ignorarmos o balcão, quase celeiro like :-)





A comida. A ementa é essencialmente hambúrgueres no prato ou no pão (não sei se já tinha referido que A Loja é uma hamburgueria...?), em que cada estado de espírito (prato ou pão) conduz a diferentes planos de existência (diferentes ingredientes e molhos), mas para quem não queira comer chicha tem ainda a opção de saladas. Também existem entradas como batatas fritas com ovo ou bolo do caco, tudo iguarias hipocalóricas.

E foi nas entradas que cometemos o nosso erro colossal.... Se achavam que agora eu iria dizer quão má era a entrada, desenganem-se meus caros. A entrada estava ótima e numa porção de fazer inveja a muitos locais de petiscos. E aqui residiu o problema.... comemos que nem lontras, tendo como resultado final não conseguirmos comer sobremesa...
 
 


... porque os hamburgueres que pedimos vinham igualmente ótimos e bem servidos!




Hambúrguer no prato com molho de cogumelos e hambúrguer francesinha (muito bem) acompanhados  com batatas fritas aos gomos. Se a vocês vos parecer bem a nós soube-nos ainda melhor :-)
No fim, estávamos cheios até às orelhas (deixar comida no prato é sacrilégio) mas contentes por termos feito uma aposta vencedora. Infelizmente (como observado anteriormente) não houve espaço para a sobremesa, sob pena de ela entrar pela boca e sair pelo nariz de tão a abarrotar que estávamos (next time!).

Pós-prandial. Depois de um tempo de repouso, para a comida assentar poeira, e um café para fechar o almoço, lá pedimos a conta. E o que vinha escrito no fatídico papel não provocou grandes espasmos faciais ou ofendeu pois 12€ pp bem servidos, comidos e atendidos parece-me justo.



Pós pós-prandial. A partir daqui foi sempre a descer, mesmo! Para desmoer (termo que me faz sempre pensar que sou um moinho) toca de descer até à Ribeira das Naus e voltar a subir, com algum tempo de paragem na relva inclinada da Ribeira.






Rua Dom Francisco Manuel de Melo nº26
1070-087 Lisboa, Portugal

Horário | Dom a 5ª - 12h às 22:30 | 5ª e Sáb - 11h às 00h30 |
TLF - 213880923 | Email - alojalda@gmail.com



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

2 à esquina, Lisboa








Foi numa noite fresquinha de Inverno (qual alface viçosa...), com o vento a assobiar nas gruas (e nas orelhas) e o casaco abotoado até ao queixo, que nos propusemos a ir conhecer o 2 à Esquina - caso sejam tão distraídos como eu, é dois e não segunda à esquina... eu sei, pelos vistos a Dona Cecília não me deu reguadas suficientes.

Quando descobri que o restaurante fica situado nesse eixo do pecado (e da multiculturalidade) que é a Avenida Almirante Reis (Intendente), o nome tornou-se, como direi, mais memorável.  Eu sei, eu sei.... mentes ímpias mas duas pessoas à esquina no Intendente... too many jokes :-)

Mas agora voltando a coisas mais sérias. Em relação ao estacionamento nesta zona... palavras não sejam ditas...mas se tivessem que ser ditas seriam na ordem de grandeza de difícil ou truculento. Mas como em qualquer zona de Lisboa onde é difícil estacionar, mantendo pensamentos a la Deepak Chopra (e alguma perseverança) tudo se consegue. No entanto, o metro é um excelente substituto ao rodinhas.

Descobrir o restaurante não é difícil se, em vez de tentarem procurar a Rua Capitão Renato, procurarem pela Rua Nova do Desterro, como (eventualmente) descobrimos. Mas a caminhada, Avenida acima, Avenida abaixo, fez bem para aquecer (não sei muito bem o quê) e aguçar o apetite (que raramente precisa que o agucem). Mas nada que vá acontecer a todos que tenham telemóveis espertos.
O restaurante fica então na rua Rua Nova do Desterro, rua perpendicular à Avenida Almirante Reis (ou rua da Palma), mesmo ao lado do Chafariz do Intendente. Têm que andar um bocadinho pela Rua Nova do Desterro mas uma vez chegados ao cruzamento com a Rua Capitão Renato Baptista, tcharam!! chegaram.

 E sim, o restaurante fica numa esquina.
 

from www.lifecooler.com



O ambiente e decoração do espaço surpreendeu-me muito, mesmo muito. Terem acertado com uma tonalidade de verde que não fosse berrante (que forçariam as pessoas ou a arrancar os olhos ou a fugir do local a sete pés) nem excessivamente escura (dando um ar mais de bar de alterne) foi uma primeira vitória. Terem a coragem de pintar paredes e tetos de verde (em vez de branco, branco, branco) e ficar bem foi a segunda vitória. A madeira e a ardósia aparecem para compensar o verde (mas sem provocar uma vontade irreprimível de cantar o genérico da Floresta Verde) e, não podendo deixar de salientar, os artistas principais - os candeeiros. 

Os candeeiros ajudam a criar o ambiente acolhedor e intimista do restaurante e look like a million bucks, mas olhem com atenção para eles para perceberem de que são feitos. Está muito bom. Acho que o único pormenor decorativo que fica menos bem é algo difícil de não ter... a televisão.

A oferta gastronómica do 2 à Esquina varia entre diversos petiscos e alguns pratos tradicionais. Como bons portugueses que somos, toca de pedir petiscos! Depois de estudarmos as possibilidades (e eliminarmos o que não agradava a um de nós) decidimos pedir farinheira frita com grelos salteados, ovos verdes, morcela com ananás e ovos de tomatada. Infelizmente houve um "piqueno" percalço fotográfico nesta parte..... só não sei é de que natureza. Não sei se foi falha mecânica ou falha do mecânico mas a verdade é que apenas tenho registo fotográfico das sobremesas... sorry (as fotos dos pratos foram retiradas do FB do 2 à esquina).

Por isso terão que acreditar em mim quando digo que tinha tudo um ótimo aspeto e, na minha humilde opinião, mais importante ainda, tudo estava excelente! Comemos pacificamente rodeados de todas as iguarias, ora tirando daqui, ora raspando de acolá, ora suspirando já acabou. Tudo isto acompanhado por um atendimento muito simpático e prestável.





Acho que o nosso único azar foi termos ido num dia em que existia um jantar de grupo ali mesmo ao lado, pois de outra forma parece-me um restaurante que permite criar um ambiente acolhedor e reservado (S. Valentim... wink wink), excelente para conversar em tom moderado.
Para sobremesa decidimo-nos por tarte de amêndoa com gelado de tangerina e tigelada da Beira. Não querendo parecer repetitivo, mas estavam excelentes! Então a tigelada (que foi a sobremesa com a qual tive maior intimidade) estava ótima, fazendo-me lembrar uma vez que uma estagiária trouxe como demonstração de apreço, por ter sido tão bem acolhida, uma tigelada da Beira feita pela mãezinha (essa entidade sobrenatural de bem cozinhar) que estava fantástica. Infelizmente já não se fazem estagiárias como antigamente...
 
 


Em suma, gostámos muito do restaurante (o que é sempre bom quando se está a comemorar um aniversário). Desde o ambiente, decoração, atendimento até à oferta gastronómica com que nos presentearam. E, facto de extrema importância, não precisam de sacrificar o vosso primogénito ou um rim para saírem bem comidos (no pun intended). É possível jantar bem e pagar menos de 15 € por pessoa.

Obrigado Zomato pelo convite pois fizeram-nos descobrir mais um excelente restaurante :-)



Rua Capitão Renato Baptista, 2 (esquina com a Rua Nova do Desterro, 26)
(rua logo a seguir à cervejaria Ramiro, rua paralela ao Chafariz do Intendente, rua do antigo Hospital do Desterro)
1150-087 Lisboa (Intendente/Av. Almirante Reis)

Tel: 218011350
Site: www.facebook.com/2AESQUINA
2ª a 6ª |12h30 - 15h30 | 19h30 - 23h30
Sab | 19h30 - 23h30
Encerramento: Sábados (Almoços), Domingos



 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A Ucharia, Principe Real




Se o meu apelido fosse La Fontaine e estivesse a escrever uma fábula julgo que a moral desta história teria que ser "quem muito escolhe, pouco acerta". Mas vá, não deixem que este introito vos faça parar de ler o resto do texto, por esta altura já devem saber que a minha veia dramática por vezes gets the best of me.
 
Como todos sabem, o Natal traz consigo esse expoente máximo de confraternização que são os jantares de Natal, quer sejam num restaurante ou em casa de alguém, quer juntem familiares e amigos ou colegas de trabalho, eles surgem de todos os lados e, naturalmente, nós (a.k.a. 12h30) não ficámos de fora desta tradição natalícia.

As opções foram mais que muitas mas ou era porque só se comiam bivalves ou porque serviam uma gastronomia estrangeira que inspirava pouco confiança ou porque estavam fechados no dia em que tínhamos marcado o jantar ou porque ficavam em zonas de Lisboa que não davam muito jeito. Como podem perceber, a escolha do local para jantar foi um verdadeiro banho de sangue.

No fim, depois desta chacina toda, acabámos por escolher uma das primeiras opções (senão a primeira) que circulou como possibilidade para realizamos o nosso jantar natalício (Paulo Coelho bem tinha razão... a resposta mesmo à frente do nariz). E assim lá marcámos o jantar para A Ucharia.


Chegar ao Jardim do Príncipe Real e poder escolher onde estacionar o carro é algo de muito estranho, quase a pedir um beliscão para ver se estamos acordados ou olhar para a cara das pessoas e ver se estão desfiguradas ou são todas iguais, visto que nesta zona de Lisboa qualquer hora é má para estacionar. Por isso ou tivemos muita sorte, ou estava toda a gente a fazer compras numa qualquer superfície comercial onde ainda coubessem. Entretanto já perceberam que o restaurante fica na Praça do Príncipe Real, uns passos depois do início da Rua do Século, no local onde anteriormente funcionava outro estabelecimento comercial - o Orfeu.
 
 




Após subir os degraus que dão acesso ao restaurante, a expressão que melhor se adequa para qualificar o espaço com nos deparamos é "uau". A ou as cabeças que pensaram na decoração deste restaurante estavam (muito) inspiradas quando pegaram no lápis e papel para rabiscar qual seria a decoração do espaço. E notem que este apreço vem de uma pessoa que não gosta de decorações brancas (chega-me um 2001: A Space Odyssey) mas aqui os armários, o que está dentro dos armários (grande parte produtos que se pode adquirir para levar para casa) e todo o mobiliário (com a heterogeneidade das cadeiras a sobressair) funcionam em conjunto para dar um ar tradicional mas ao mesmo tempo moderno ao espaço.

A comida servida é tendencialmente constituída por petiscos, algo com que já nos vamos habituando (nada contra, viva os ovos com farinheira!) pois virou a moda do momento (já lá vai o tempo em que a Taberna Ideal era o restaurante dos petiscos da era moderna) e as modas é como as mães, é preciso respeitá-las, pronto!

Depois de alguma negociação, por forma a escolher petiscos que agradassem às quatro boquinhas esfomeadas (se estão a imaginar as gaivotas do Nemo, não estão longe da verdade), ficamo-nos pelas fritas de batata doce, (batatas) fritas, ovos mexidos com alheira de caça, pataniscas de bacalhau e arroz de polvo. 

Enquanto esperávamos pelos petiscos fomos pedinchando pão para molhar no azeite e acompanhar com o patêzinho e o queijinho.... Foi aqui que a coisa começou a correr menos bem. Éramos quatro adultos com ar de alimento mas insistiam em trazer cestos de pão para piscos (seria uma indireta?), mais estranho se torna quando se está num restaurante de petiscos.

 



Quando chegaram os pratos a cena tornou-se mais engraçada pois, como hei-de dizer, as quantidades eram aquém das expectativas (e, como disse anteriormente, já não é o nosso primeiro restaurante de petiscos). Mas tudo bem, toca de dividir o pão e o vinho pelos apóstolos e dar graças por termos comida sobre a mesa. As duas raças de batatas fritas estavam boas e os ovos também não ofendiam ninguém, por outro lado o polvo devia ser daqueles que ia todos os dias ao ginásio dando, por isso, mais luta na altura dos mastigamentos e as (poucas) pataniscas eram a atirar para o carpaccio. Felizmente tínhamos muita conversa para pôr em dia, por isso conseguimos prolongar a refeição por algum tempo.

Quando foi a altura de escolher as sobremesas, admito que estávamos um pouco renitentes (porque seria??) mas lá nos enchemos de coragem e pedimos quatro diferentes: mousse de chocolate, farófias, arroz doce e leite creme. Dos quatro, o único que ficou descontente foi quem comeu as farófias, os restantes obtiveram diferentes graus de satisfação, com a mousse na liderança. Há que referir, nem que seja porque foi referido várias vezes durante a sobremesa (não sei se era para eu não me esquecer...), que o leite creme era mais crème brûlée que outra coisa (mas ainda assim muito bom).

  


Quando veio a conta deu-se a machada final.... 21€pp. Pode até não ser muito mas nenhum de nós sentiu que tinha comido algo que justificasse o valor. Se calhar tivemos azar no dia ou simplesmente não é o restaurante certo para nós (como diria a Joana.... furras!). Tenho pena mas o desconsolo foi unânime apesar do atendimento ter sido simpático e a decoração do restaurante estar muito bem conseguida, a comida não nos cativou minimamente. Mas vão e experimentem pois o que uns não gostam, outros amam :-)



A Ucharia
Praça do Príncipe Real, 5A
Telefone | 917633200
Horário | Terça-feira -15h00 às 23h30
Domingo, Quarta-feira e Quinta-feira - 10h00 às 23h30
Sexta-feira e Sábado - 10h00 às 00h30




terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O Funil, Avenidas Novas



Desde que me disseram que o restaurante O Funil tinha sofrido um extreme makeover que tinha vontade de o visitar, afinal quem não gosta de um antes e depois? e de poder dizer essas pérolas intemporais "No meu tempo não era nada assim!" "Das vezes que vim cá isto estava aqui, aquilo estava além, isto não existia...". Esta necessidade de viver momento nostálgicos é ainda mais agudizante em pessoas dos anos 80 e 90 (onde sou obrigado a incluir-me... embora toda a gente me diga que estou muito bem conservado para a idade) que atualmente vivem da nostalgia como de pão para a boca (e culpo o Nuno Markl por isso).



 
A sininho disse (várias vezes) que também queria experimentar O Funil, assim uniram-se duas vontades e lá fomos nós jantar fora. Estranhamente toda logística de combinar o jantar, o dia, a hora, fazer reserva, estacionar foi enfadonhamente normal e isento de grandes comoções ou aventuras. Mais que não seja porque as Avenidas Novas são uma das zonas de Lisboa que melhor conhecemos e dominamos (utilizando uma terminologia de prostíbulo é uma das nossas zonas de ataque).

E sim, o makeover foi realmente extreme. O Funil com que nos deparámos apenas mantém o nome e a localização geográfica do Funil que conhecia, o interior viu, qual alimento transgénico, uma profunda modificação genética. O Funil passou de um restaurante de comida portuguesa simpático e confortável mas tendencialmente anónimo (apenas com um funil gigantesco como elemento diferenciador) para um restaurante moderno com um ambiente mais classy, onde existe um equilíbrio entre tons mais escuros (vermelho, preto, cinzento), tons claros e espelhos, muitos espelhos.




Admito que a sininho delirou (já a oiço dizer... não foi nada assim! gostei mas não assim tanto! mas como sou eu que estou a escrever, delirou e pronto) mais com a decoração do que eu, não sou muito dado a ambientes classy, mas tal não me impede de apreciar e dizer que o cuidado na decoração resultou lindamente. E em momento algum me senti ostracizado por estar de calças de ganga e com a minha mochila de sempre :-)

Tenho de evidenciar a simpatia no atendimento. Não só nos ajudaram a escolher o que queríamos jantar como perguntaram se íamos partilhar os pratos e, quando respondemos meio envergonhados que sim (naquele sentimento tosco de estarmos a querer fazer algo que não devíamos), trataram de fazer a divisão na cozinha. É verdade que nos tiraram todo aquele momento de confraternização (e chafurdice) de dar parte do nosso prato à outra pessoa e receber o nosso quinhão respetivo mas, pode parecer estranho, vivemos bem sem esse momento.
 
 


Escolhemos polvo guisado à moda de Entre o Douro e Minho e lombinhos de porco preto, servido com migas de farinheira e salada de tomate. Estavam ambos excelentes! Bem temperados, cozinhados e com uma apresentação impecável (simples e sem grandes floreados). Basta dizer que parti o polvo com uma faca de peixe para estar tudo dito, por vezes nem em casa consigo tal proeza.

 


Comemos com calma, em que tudo foi sendo servido a um ritmo que permitiu conversar e ir comendo, o ritmo perfeito para um jantar de dois amigos com muita conversa para pôr em dia.

Algures a meio do segundo prato apanhámos a conversa de uma mesa contígua cujo tópico nos interessava de sobremaneira - sobremesas! Quando ouvimos a composição da Tarte de abóbora (Tarte de abóbora e amêndoa, semifrio de requeijão e gelado de canela e mel), palavras não foram ditas entre nós mas sim diretamente a quem nos estava a servir - Uma tarte de abóbora para a mesa do canto, sff. E não satisfeitos (como bons alarves que somos) ainda pedimos o Bolo de chocolate.
 



O Bolo de chocolate foi completamente ofuscado por toda a encenação da Companhia Teatral da Abóbora. Pois que não só enche o olho como sacia o bichinho da gula, desde o gelado, passando pelo requeijão e doce de abóbora até à tarte propriamente dita tudo estava ótimo. O bolo de chocolate estava bonzinho mas não fiquei especialmente fã, tendo gostado mais do gelado que o acompanhava.


No fim, não fosse a Zomato, a conta não teria sido troikiana, à pois que não (30€ pp no mínimo) mas é um restaurante que vale a pena,  pelo ambiente, comida, simpatia do atendimento. É bom restaurante para comemorar um momento especial, pois dias não são dias.


O Funil
Avenida Elias Garcia, 82A, R/C
1050-100 Lisboa
38° 44’ 21.11’’ N | 9° 8’ 51.77’’ W


Horário | 2ª feira a Sábado: 12h – 15h, 19h – 23h
Encerra aos Domingos e Feriados
Reservas | 210 968 912