Via Graça, Graça




Nunca tinha ouvido falar do restaurante Via Graça apesar de já existir à largos anos (desde 1988) e ficar num bairro ao qual não sou estranho, o bairro da Graça (Feira da ladra forever!). Suspeito que o facto de os preços serem um pouco (muito) acima do que normalmente tenciono (quero) pagar por uma refeição, contribuiu (muito) para este estado de ignorância. As minhas pesquisas de locais onde jantar são, especialmente nos tempos que correm, scroogescamente parametrizadas.

Mas (felizmente) calhou não ser eu a propor opções para jantar e, de repente (tchram!), o Via Graça surgiu como uma das possibilidades. Assim que vi as fotos do restaurante, gritei em plenos pulmões (mandei um mail): eu quero ir! quero ir! quero ir! quero ir! quero ir!




Entrar no restaurante foi um exercício interessante. Não foi difícil encontrar o prédio onde fica o restaurante, isso com o auxilio do Sr. Google maps foi relativamente fácil, mas acreditar que estávamos à porta de um restaurante e não de um clube noturno, onde as senhoras se despem de preconceitos para senhores vestidos de dinheiro, foram outros quinhentos. Houve mesmo um momento de paragem em frente ao que tudo indicava ser (em grandes letras douradas e prateadas) a porta do restaurante. A conjunção localização geográfica, prédio a precisar de obras, entrada de restaurante onde apenas se vê uma porta guardada por um senhor de fato, tornou difícil acreditar que era ali que ficava o restaurante cujas fotos tínhamos visto na net.

Mas lá nos dirigimos à porta e, tal como se entrássemos para o guarda-fatos, abriu-se um mundo completamente diferente ao deixado para trás (mas sem feiticeira ou leão). Tudo decorado com bom gosto, decoração clássica mas não ostensiva, pesada ou a cheirar a mofo, mas também o que é que isso interessa quando se tem aquelas janelas. A vista sobre a cidade é algo de fenomenal. É o miradouro da Graça mas ainda melhor. Impossível ficar indiferente ao que os nossos olhos alcançam, o castelo, as colinas iluminadas, o Tejo, e tudo e tudo e tudo e tudo.... a outra vez que fiquei assim embasbacado foi no La Paparrucha.
 
  


E a comida? Boa, muito boa. Desde a entrada (tartelete de queijo da serra com mel e outras cenas), passando pelos pratos principais (hambúrguer de novilho maturado com cebola crocante e foie gras e risotto de cogumelos selvagens com abóbora caramelizada) até à sobremesa (torta de laranja), tudo estava excelente. Mas com uma vista daquelas até ovos mexidos saberiam a presunto pata negra.

Duas críticas a fazer, o atendimento e a proximidade das mesas. O atendimento não foi muito mau mas também não foi brilhante (quando se enganam na conta, fica sempre um amargo de boca) e as mesas ficam demasiado em cima uma das outras para que se possa criar um ambiente verdadeiramente singular (ou seja, conversarmos e ouvirmos a conversa singularmente das pessoas com quem vamos jantar...). É verdade que muitas das mesas estavam ocupadas por estrangeiros, portanto não entendíamos grande coisa, mas não deixam de entrar na nossa bolha e cansar o espírito. Mais ainda, este facto diminui significativamente o potencial romântico de um restaurante que, de resto, tem tudo para o ser.

E, tendo em vista, o que se paga no final da refeição (25€ pp porque fomos forretas, senão facilmente chegava aos 40/50€ pp), a nossa bolha deveria ter todo o direito de não ser rebentada.

O Via Graça vale a pena numa noite especial (de preferência sem chuva, nevoeiro ou granizo) porque no fim (apesar de mais leves na carteira) fica-se saciado a todos os níveis.


Via Graça

Rua Damasceno Monteiro 9-B, 1170-108 Lisboa
Telefone | (+351) 21 887 08 30 - 21 887 03 05
Email | geral@restauranteviagraca.com

Segunda a Sexta-feira | 12.30h às 15.00h e 19.30h às 23.00h
Sábados e Domingos | 19.30h às 23.00h
http://www.restauranteviagraca.com/




Comentários

Duckman disse…
nunca lá fui mas já conhecia e sabia que sim, que era bom.

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