L'Éclair, Av. Novas


 







Passeava distraidamente pela Duque d´Ávila quando reparo que abriu algo novo num espaço à muito abandonado  (na verdade, não tenho recordação de alguma vez ter visto algo a funcionar neste espaço), num edifício perto da intersecção com a 5 de Outubro.

Quando se é distraído como eu, é compreensível não dar conta de alguns pormenores assim logo à primeira. Neste caso, não dei logo conta do nome do espaço. Este facto fez com navegasse um pouco na maionese e pensasse que, em vez de éclair's, vendessem relógios ou outros acessórios caros. Mas vá, o facto de os homens que atendiam estarem de fato, as senhoras a serem atendidas terem todas um cabelo armado e ar de old money, a montra não permitir, a quem passa, ver o que lá está exposto e a decoração do espaço ser tão elegantemente minimalista, contribuíram muito para esta minha especulação.
Com mais algumas passagens pela rua, descobri então como estava enganado em relação ao que vendem. E aí o meu interesse passou de vento glaciar para brisa fresca em dia de verão sahariano.

A decoração é realmente minimalista e elegante, dando aos éclair's a importância de uma jóia Cartier ou de um relógio Patek Philippe. Admito que este tipo de decoração (e pessoas de fato a atender) fez com que demorasse algum tempo a ter vontade de entrar e experimentar, enquadro-me mais em ambientes informais, mas a vontade de dar uma garfada num éclair falou (finalmente) mais alto.

A escolha é variada e difícil. Primeiro, éclair salgado ou doce? Segundo, qual dos salgados? qual dos doces? Terceiro, quantos queremos (bem, ao ver o preço a resposta é um, mas por vontade da alma a resposta é um de cada). E depois o que beber? Qual dos chás? Questions, questions, questions...
Necessário acrescentar que macarons, croissant, pain au chocolat e outras iguarias também estão disponíveis.
 


 
Felizmente quem atende tem paciência e simpatia, e todas as questões se resolvem de forma calma e sem grandes percalços.
 

 
A minha atenção ficou-se pelo éclair de citron (as palavras "inspirado na tarde de limão merengada" são me fatais como o destino). É verdade que se ficou sem muitos lugares para estacionar, mas a ideia de tornar a Duque d'Ávila numa rua quase pedestre (quase ramblesca) foi realmente fantástica. Nada melhor que estar numa esplanada, protegido do sol mas gozando da sua luminosidade e calor, a comer um éclair (que estava excelente) e a ler Boris Vian... existe algo mais bourgeois?


 
A parte menos bourgeois é chorar um bocadinho na altura de pagar (aqui sou mais prolétariat). Os éclair são caros quando comparados ao preço de uma bola de berlim ou um pão de deus, mas considero esta comparação injusta, não jogam no mesmo campeonato. Por isso se forem a esta patisserie française (tal como ao Poison d'Amour), vão com a noção que vão comer uma delicatessen e como tal o preço será mais elevado do que normalmente se paga pela pastelaria tradicional (em média 3,5€ por éclair doce).

Por mim, gostei e conto fazer do L'éclair um local para devaneios pontuais, quando me apetecer algo diferente.


Duque de Ávila, 44 | 1050-083 Lisboa
2ª a 6ª : 7h30 - 20h | Sáb + Dom : 9h30 - 19h
 






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