terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O Funil, Avenidas Novas



Desde que me disseram que o restaurante O Funil tinha sofrido um extreme makeover que tinha vontade de o visitar, afinal quem não gosta de um antes e depois? e de poder dizer essas pérolas intemporais "No meu tempo não era nada assim!" "Das vezes que vim cá isto estava aqui, aquilo estava além, isto não existia...". Esta necessidade de viver momento nostálgicos é ainda mais agudizante em pessoas dos anos 80 e 90 (onde sou obrigado a incluir-me... embora toda a gente me diga que estou muito bem conservado para a idade) que atualmente vivem da nostalgia como de pão para a boca (e culpo o Nuno Markl por isso).



 
A sininho disse (várias vezes) que também queria experimentar O Funil, assim uniram-se duas vontades e lá fomos nós jantar fora. Estranhamente toda logística de combinar o jantar, o dia, a hora, fazer reserva, estacionar foi enfadonhamente normal e isento de grandes comoções ou aventuras. Mais que não seja porque as Avenidas Novas são uma das zonas de Lisboa que melhor conhecemos e dominamos (utilizando uma terminologia de prostíbulo é uma das nossas zonas de ataque).

E sim, o makeover foi realmente extreme. O Funil com que nos deparámos apenas mantém o nome e a localização geográfica do Funil que conhecia, o interior viu, qual alimento transgénico, uma profunda modificação genética. O Funil passou de um restaurante de comida portuguesa simpático e confortável mas tendencialmente anónimo (apenas com um funil gigantesco como elemento diferenciador) para um restaurante moderno com um ambiente mais classy, onde existe um equilíbrio entre tons mais escuros (vermelho, preto, cinzento), tons claros e espelhos, muitos espelhos.




Admito que a sininho delirou (já a oiço dizer... não foi nada assim! gostei mas não assim tanto! mas como sou eu que estou a escrever, delirou e pronto) mais com a decoração do que eu, não sou muito dado a ambientes classy, mas tal não me impede de apreciar e dizer que o cuidado na decoração resultou lindamente. E em momento algum me senti ostracizado por estar de calças de ganga e com a minha mochila de sempre :-)

Tenho de evidenciar a simpatia no atendimento. Não só nos ajudaram a escolher o que queríamos jantar como perguntaram se íamos partilhar os pratos e, quando respondemos meio envergonhados que sim (naquele sentimento tosco de estarmos a querer fazer algo que não devíamos), trataram de fazer a divisão na cozinha. É verdade que nos tiraram todo aquele momento de confraternização (e chafurdice) de dar parte do nosso prato à outra pessoa e receber o nosso quinhão respetivo mas, pode parecer estranho, vivemos bem sem esse momento.
 
 


Escolhemos polvo guisado à moda de Entre o Douro e Minho e lombinhos de porco preto, servido com migas de farinheira e salada de tomate. Estavam ambos excelentes! Bem temperados, cozinhados e com uma apresentação impecável (simples e sem grandes floreados). Basta dizer que parti o polvo com uma faca de peixe para estar tudo dito, por vezes nem em casa consigo tal proeza.

 


Comemos com calma, em que tudo foi sendo servido a um ritmo que permitiu conversar e ir comendo, o ritmo perfeito para um jantar de dois amigos com muita conversa para pôr em dia.

Algures a meio do segundo prato apanhámos a conversa de uma mesa contígua cujo tópico nos interessava de sobremaneira - sobremesas! Quando ouvimos a composição da Tarte de abóbora (Tarte de abóbora e amêndoa, semifrio de requeijão e gelado de canela e mel), palavras não foram ditas entre nós mas sim diretamente a quem nos estava a servir - Uma tarte de abóbora para a mesa do canto, sff. E não satisfeitos (como bons alarves que somos) ainda pedimos o Bolo de chocolate.
 



O Bolo de chocolate foi completamente ofuscado por toda a encenação da Companhia Teatral da Abóbora. Pois que não só enche o olho como sacia o bichinho da gula, desde o gelado, passando pelo requeijão e doce de abóbora até à tarte propriamente dita tudo estava ótimo. O bolo de chocolate estava bonzinho mas não fiquei especialmente fã, tendo gostado mais do gelado que o acompanhava.


No fim, não fosse a Zomato, a conta não teria sido troikiana, à pois que não (30€ pp no mínimo) mas é um restaurante que vale a pena,  pelo ambiente, comida, simpatia do atendimento. É bom restaurante para comemorar um momento especial, pois dias não são dias.


O Funil
Avenida Elias Garcia, 82A, R/C
1050-100 Lisboa
38° 44’ 21.11’’ N | 9° 8’ 51.77’’ W


Horário | 2ª feira a Sábado: 12h – 15h, 19h – 23h
Encerra aos Domingos e Feriados
Reservas | 210 968 912


 

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