terça-feira, 24 de março de 2015

A Travessa do Fado, Alfama





fa·do
(latim fatum, oráculo, previsão, profecia)

Força superior que se crê controlar todos os acontecimentos.
Aquilo que tem de acontecer, independentemente da vontade humana. 

Dicionário Priberam da Língua Portuguesa



A razão da ida à Travessa do Fado tem por detrás um convite da Zomato que eu (abertamente) desde logo cobicei. Mas a Joana, aquela que come a papa, não foi em cantigas (ou fados) e tudo combinou, tudo aprontou para levar o seu mais que tudo a jantar na Travessa do Fado.

Mas quis o destino ter-se esquecido de uma coisita de somenos importância... saber, antes de tudo programar, quando o restaurante fecha para descanso. Claro que a Joana acertou na mouche, o único dia em que podiam ir, antes do convite perder a validade, era dia descanso. Tau!! Sebastião, aquele que come tudo, tudo, tudo, vê-se então "obrigado" a entrar em ação pois tal é o fado dos bons amigos, chegar-se à frente quando necessário.

Sebastião decide falar com sininho para o ajudar nesta ação de salvamento. Fica tudo combinado, reservado e alinhavado no espaço de alguns minutos. Mas eis senão quando... sininho adoece e tivemos que adiar o jantar.... para o último dia possível! Isto de ser português e ter sempre um fado desgraçado torna a vida tão mais engraçada, não é? Pois, tem dias...


Mas quis o destino que chegássemos a bom porto ou, neste caso, a bom restaurante. Infelizmente sem fado cantado ao vivo, o que me deixou algo desapontado (mas a sininho deitava fairy dust de contente), mas com toda uma ementa à nossa disposição.

 

 
Vamos então ao busílis da questão. O Travessa do Fado fica junto (na verdade coladinho) ao edifício que alberga o Museu do Fado, de frente para um dos bairros históricos de Lisboa, Alfama.

O restaurante tem dois pisos e dois pátios, um extremamente espaçoso na entrada do restaurante (a gritar noites quentes de verão e turistas em tons de vermelho) e outro (mais simbólico) na parte de trás. Como não estava tempo para jantares ao luar, atravessámos o pátio e fomos (tentar) descobrir a entrada do restaurante.  Se não fosse o pensamento "se ali está o balcão então deve haver ali uma porta" teríamos ficado no meio do pátio à espera que (a) alguém entrasse, (b) alguém saísse, (c) alguém do restaurante viesse perceber porque estavam duas pessoas paradas no meio do pátio com ar intrigado. Para evitarem estes propósitos é favor dirigirem-se para o lado direito do edifício, onde encontrarão a entrada.




Depois de termos (finalmente) entrado, fomos acompanhados até a uma mesa no piso térreo, mesmo ao lado das escadas que dão acesso ao piso superior.

O restaurante tem a forma de um L, tendo mais comprimento que largura, algo que é mais sentido no piso térreo muito por culpa das ditas escadas. Mas tirando a mesa debaixo das escadas (onde, ao levantar, parece correr-se o risco de dar cabeçadas nos degraus), as restantes mesas pareceram-me ter espaço suficiente para que seja criado um ambiente acolhedor em vez de um ambiente claustrofóbico.
O facto das paredes do restaurante serem essencialmente de vidro também contribui (grandemente) para criar um ambiente acolhedor. As paredes de vidro permitem que o restaurante tenha um ambiente solarengo e alegre durante o dia, com a entrada de luz natural, e um ambiente mais intimista durante a noite, com o auxílio de uma iluminação suave e quente.
 
O piso superior tem mais espaço e uma vista desafogada para o largo do Chafariz de Dentro.

A comida servida no Travessa do Fado tem por base a tradicional gastronomia portuguesa, apresentando essencialmente petiscos portugueses. E petiscos portugueses é música para os nossos ouvidos (e papilas gustativas).

Depois de alguma negociação sobre o que iríamos pedir da ementa, chegámos a consenso: lambujinhas, iscas de cebolada, pimentos Padrón, sandes de bife de atum e ovo com alheira.

Tirando os pimentos Padrón, que não foram ao encontro do que se espera deles - Los pimientos de Pádron, unos pican y otros non - tendo-nos calhado apenas os que non pican (para grande desgosto da sininho), os restantes petiscos estavam todos entre bom e muito bom, com destaque para as iscas (estava mesmo com saudades).






Depois de muita conversa, vários petiscos e uma bela sangria chegámos ao momento em que tínhamos de fazer "A" opção, queremos sobremesa ou não queremos sobremesa. Eu sei, como se houvesse opção... claro que queremos sobremesa!

Venha uma torta de laranja e um cheesecake de frutos silvestres para a mesa ao lado das escadas s.f.f.




E lá vieram. Não foram as melhores sobremesas que já comemos mas também não podemos apontar grandes defeitos, simplesmente não sabem a tradicional.

No fim, saímos satisfeitos com a comida, atendimento e ambiente. Eu fiquei com alguma pena de não ter ouvido fado ao vivo mas, quem sabe, um dia destes volte para experimentar a esplanada e o belo do faduncho.

Acredito que este seja um restaurante mais dado a turistas devido (a) localização, (b) ligação ao Fado, (c) preços praticados. Não posso recriminar pois é o expectável para uma zona turista mas, ainda assim, os preços não são tão astronómicos que impossibilitem uma visita.




Largo do Chafariz de Dentro, nº 1
1100-139 Lisboa
Tlf | 00351 218 870 144 | Email | geral@atravessadofado.com

https://www.facebook.com/ATravessaDoFado

Horário
Almoço | 4ª a Dom - 12h00 às 15h00
Jantar | 4ª a Dom - 19h30 às 23h00
Encerrado | 2ª Feira e 3ª Feira









1 comentário:

Joana, come a papa disse...

É tão bom poder contar com amigos assim...que se chegam logo à frente para nos salvarem destas situações embaraçosas! :) ;)