Luzzo, Av. Liberdade



Já várias vezes pensei em desistir de ir jantar fora antes de um espetáculo. Claro que estou a falar dos espetáculos com hora marcada para entrar, estilo concertos ou peças de teatro, e não propriamente festivais ou eventos em locais públicos, como as Festas do Mar ou Festival ao Largo. Nunca vos passou o mesmo pela cabeça? Não? Se calhar porque são pessoas regradas, que dificilmente se atrasam, que escolhem sabiamente o restaurante para jantar e que não perdem a noção do tempo enquanto jantam. Infelizmente, eu não sou assim tão regrado (mas tento), o que normalmente leva a que ande(mos) num autêntico regabofe até vermos finalmente a cortina a levantar e o espetáculo começar.

Mas, e digo-o com uma pontinha de orgulho (porque uma pessoa tem de se agarrar ao que consegue), nunca entrei depois do espetáculo começar ou deixei cadeiras vazias, no entanto esta proeza tem sido alcançada à custa de muita correria e muitas preces a todos os santinhos. Talvez no dia em que as preces não forem ouvidas (olha para mim a bater na madeira) eu aprenda mas, no entretanto, desconfio que vou continuar a tentar as alminhas. A tentação de ir jantar fora é tão difícil de resistir...
Com toda esta conversa, já perceberam certamente que o jantar no Luzzo foi um desses casos de overbooking :-)




A coisa começou mal ainda antes de chegarmos ao Luzzo. O trânsito estava medonho, ninguém andava, tudo apitava. Portanto o trânsito normal da Baixa lisboeta. Quando finalmente chegámos ao Luzzo, entrámos nessa outra espiral de demência que é conseguir estacionar na Rua de Santa Marta ou nas ruas e avenidas circundantes. A UAL não ajuda nada à causa, nem a reordenação das ruas que ladeiam a avenida da Liberdade, mas ao fim de algumas voltas lá conseguimos encontrar uma fresta onde enfiar o carro. Esta história demonstra algo que é de senso comum, se se quer ir jantar num restaurante abaixo do Marquês de Pombal o melhor é ir de Metro, ou então ir com dinheiro (os parques subterrâneos têm valores proibitivos) ou com paciência (mais cedo ou mais tarde lá encontrarão um lugar). Infelizmente tivemos mesmo que ir de carro.

O restaurante Luzzo fica em plena rua de Santa Marta, mesmo em frente do Hospital de Santa Marta, abaixo da UAL e ao lado do Honorato. Com tantos pontos de referência era impossível não encontrar a porta do restaurante.

Quando entrámos, fomos recebidos por uma senhora a quem indico que tínhamos uma reserva. Assim que percebeu de que reserva eu estava a falar, disse-nos prontamente (com pinguinho a azedo) que tínhamos tido muita sorte em ninguém ter querido ficar com a nossa mesa (o que nos deixou algo preocupados, seria ao lado da casa de banho?), ficando implícito que o nosso atraso tinha sido notado (estávamos meia hora atrasados) e que lhe tinha tocado na tecla errada. Mas lá nos conduziu para a mesa que ninguém quis...

... e foi com grande alívio que descobrimos que a mesa preterida afinal era uma excelente mesa, ficando num pátio que existe ao fundo do restaurante. O Luzzo tem então duas salas, uma em continuidade da entrada e outra ao lado, ambas com uma decoração que balança entre o rústico (madeira, madeira, madeira) e o retro (azulejos, candeeiros, cadeiras). A iluminação suave associada à cor e revestimento das paredes criam um ambiente apelativo e acolhedor, sendo complementado com pormenores decorativos que se vão descobrindo ao longo do jantar. A organização do espaço pareceu-me ter grande potencial para jantares de grupo.

Ao fundo da sala principal temos o pátio. E desde já tiro o chapéu a quem idealizou este pátio pois o resultado final está excelente (tão bom como este só mesmo o do Frankie). Desde as paredes em pedra, passando pela parede vermelha coberta de vasos com manjericos, o chão em calçada portuguesa, até aos panos que fazem sombra sobre as mesas, e criam uma barreira visual entre nós e os prédios em redor, tudo funciona no sentido de proporcionar a melhor experiência possível de se comer "na rua".






Entretanto lá nos sentámos e - espantem-se! - tivemos a opção (a) ver a ementa e fazer os pedidos a quem nos atendesse, (b) ver a ementa e fazer os pedidos num tablet. Foi o meu primeiro contacto com esta inovação, apesar de já ter ouvido falar, e devo dizer que, à primeira vista, gostei bastante. Dá para ver com mais detalhe o que vamos pedir, conseguimos ir acompanhando o custo da refeição (ainda estou indeciso se isto é bom ou mau...) e reduz a necessidade de captar a atenção de alguém quando queremos pedir algo (é fantástica a capacidade de não olharem para nós quando queremos pedir algo, parece que viramos invisíveis), seleciona-se no tablet e logo há-de aparecer.

Depois de nos familiarizarmos com o software, decidimos dividir o bem pelas aldeias: uma pizza (Luzzo_cogumelos Portobello salteados, tiras de bacon crocante e ananás caramelizado) e uma salada (Luzza_mistura fresca de alface e rúcula, acompanhada de presunto, ananás caramelizado, nozes e tomate cherry). Ponto a favor, quando perceberam que íamos dividir uma pizza perguntaram se queríamos que viessem as duas metades já separadas.

E que casal perfeito fazem o sr.Luzzo e a sra. Luzza.





A primeira coisa que me saltou à vista foi o facto dos pratos virem muito bem servidos, especialmente a salada. A pizza era de um bom tamanho (perfeito para uma pessoa) e a salada poderia igualmente ser uma refeição por si só. A massa da pizza era estaladiça (como eu prefiro) e tinha uma cobertura q.b. dos diferentes ingredientes, a salada tinha tão ou melhor aspeto que a pizza (e vindo de mim, é um grande elogio) e vinha com tudo a que tinha direito (ou seja, não foram forretas com o presunto :-)

Como foram céleres a servir os pratos principais, decidimos que ainda tínhamos tempo para comer sobremesa antes de sairmos desembestados rua abaixo, em direção ao Coliseu dos Recreios.
Desliza o dedo para a esquerda, desliza o dedo para a direita, seleciona aqui, seleciona ali, vê esta fotografia, vê aquela fotografia.... e no fim a brincadeira com o tablet resultou em pedirmos um brownie acompanhado de mistura de frutos silvestres e cheesecake desmontado e montado à maneira do chef.





O brownie estava excelente. Quentinho, com uma textura deliciosamente esponjosa e o contraste perfeito com o amargo dos frutos silvestres, fizeram com que a única coisa que me apetecia dizer era: Quero mais!  Por outro lado, o "cheesecake", apesar do seu ótimo aspeto, não nos convenceu. Demasiado doce, as natas sabiam às natas das latas de spray e demasiado desmontado para ser chamado de cheesecake (mais perto de ser um doce da casa que outra coisa). Mas atenção, não ficámos fãs mas não quer dizer que não tenhamos comido até à última colherada. Como diz a minha santa mãe, o que é doce nunca amargou.

Por fim, lá pedimos os cafés e a conta. Pagámos 13€ pp o que tendo em vista a qualidade e quantidade da comida, o atendimento (incluindo a senhora do raspanete) e o espaço (excelente pátio!), me pareceu um excelente preço. Ótima surpresa!

E sim chegámos a tempo, esbaforidos e em cima da hora, mas a tempo.



Rua de Santa Marta, n.º 37 e 37 A | 1150-293 Lisboa 

Horário - 12h às 15h (Almoço) | 19h30 às 23h (Jantar) | Não encerra

Tel.: 213 570 518 Tlm.: 968 997 826 | E-mail: geral@pizzarialuzzo.pt



Comentários

Pindérica disse…
é uma das minhas pizzarias preferidas em lisboa
Sebastião disse…
perfeitamente compreensível :-) foi uma grande surpresa para mim, especialmente o pátio. Ótimo local para jantar fora nos dias quentes de verão.

e obrigado pelo comentário ;-)

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