Coimbra Taberna, Chiado




Coimbra Taberna. GPS da Sábado. Um muito obrigado. Ao primeiro, por trazer até Lisboa um pedacinho de Coimbra, cidade por quem nutro um especial carinho. Ao segundo, por ter revelado, a quem me acompanha em muitas das minhas aventuras gastronómicas, a existência deste espaço. Foi o fado, literalmente e filosoficamente, que nos trouxe à porta desta Taberna.

E quando digo que a Coimbra Taberna trás um pedacinho de Coimbra para Lisboa, não me estou apenas a cingir ao nome, este é realmente um espaço dedicado à cidade dos estudantes, com as suas paredes a deixar isso bem claro, estando cobertas com cartazes, fotos e objectos que celebram garraiadas, queima das fitas ou festa das latas. Tudo momentos incontornáveis da identidade de uma cidade que vive de e para os estudantes. Mas há mais.... Se planearem bem as coisas (ou, como foi o nosso caso, tiverem sorte) podem ainda ouvir fados de Coimbra, mesmo ali à vossa frente, ao vivo e a cores, num palco digno desse nome.




A machadada final foi quando li na ementa que um dos pratos disponíveis era Chanfana. Ninguém faz Chanfana como a minha Tia, ponto. Nem a minha rica mãezinha (felizmente ela não lê blogs por isso não corro o risco de levar com o rolo da massa) e tão prendada que ela é entre tachos e panelas (sendo este leão marinho que vos escreve o testemunho claro de como a senhora cozinha bem). Por isso tive alguma reticência em pedir o prato mas quem não arrisca, não petisca (e depois de algum lobby da minha companhia para pedir o prato) foi um dos prato que pedimos. Mas estou a ultrapassar alguns passos, já lá iremos.
 

A Coimbra Taberna fica em plena Calçada de São Francisco, no Chiado. Se já estiverem com fome, aconselho a planearem opercurso de forma a descerem a rua até à entrada do restaurante, se precisarem de abrir o apetite (ou tiverem frio) o melhor é subirem a rua a partir do cruzamento com a Rua Nova do Almada. É sempre a subir até à discreta mas bem iluminada entrada da Taberna Coimbra.

O restaurante fica numa cave mas devido à decoração do espaço, tudo em tons claros, e a uma boa iluminação nem nos apercebemos que a única janela para o mundo exterior é a porta de entrada. Ainda para mais o Eléctrico 28 faz questão de nos lembrar que existe um mundo lá fora, provocando sempre alguma vibração quando desliza calçada a baixo , a todo o vapor.

Como disse anteriormente, tivemos muita sorte em arranjar uma mesa sem reserva. A sala é espaçosa mas ainda assim talvez seja melhor confirmarem que têm lugar e se vão haver fados (caso seja do vosso agrado). Quando entrámos, estávamos muito pouco convictos de conseguir lugar (a sala já estava meio cheia e havia uma grande mesa reservada) mas decidimos tentar a nossa sorte, por isso foi com alguma surpresa que ouvimos as palavras "Claro que sim" e "Podem sentar-se aqui". Então quando descobrimos que era noite de fado, a minha companhia transbordava de alegria. Mais um item da lista riscado :-)


 

from TheFork (ainda com as paredes muito vazias)


A ementa tem petiscos e pratos mesmo à séria. Decidimos fazer algo intermédio, pedimos alguns petiscos e a Chanfana em caçoilo de barro preto (nem poderia ser outro), batata cozida e grelos salteados para dividir. Dos petiscos pedimos: ovos mexidos com farinheira, croquetes de alheira com maionese de ervas, queijo grelhado com rúcula e vinagrete de mel e balsâmico, e  cogumelos recheados.



 




Os petiscos estavam todos bons, bem confecionados, saborosos e com boa apresentação. Gostei muito dos croquetes de alheira, estavam mesmo muito bons, mas os ovos mexidos não ficavam muito atrás, nem os cogumelos. Por isso, muito difícil dizer de qual dos "filhos" gostei mais.

Em relação à Chanfana, não é igual à que surgia do forno a lenha da minha Tia, quando se juntava toda a família, mas ainda assim uma agradável surpresa. Carne tenra, suculenta, bem temperada e com os pedaços de carne no cimo do caçoilo estaladiços como é suposto (o que eu lutava por estes pedaços!). Deu para fazer uma viagem ao passado o que apenas abona a favor do prato.




Para acompanhar os fados, pedimos duas sobremesas: cheesecake à Taberna e crumble de maçã com gelado de baunilha. Aqui apenas correu bem para um de nós - moi-même :-) E se pensam que foi com o crumble desenganem-se, foi mesmo com o cheesecake! Estava excelente, pouco doce, cremoso, a saber a queijo q.b. e com um ótimo doce por cima, sem repreensões. O crumble ou melhor dizendo as papas de maçã ficaram muito aquém das expectativas, tendo ficado grande parte na taça. Nem sempre se tem sorte, acontece.
 




Foi uma noite muito bem passado, especialmente porque estávamos longe de pensar que fossemos acabar na Taberna, a ouvir fados e a comer Chanfana, a série acreditem, longe muito longe. Na verdade, houve uma altura que pensei que fosse passar a noite no hospital, por ter sido empurrado pela minha companhia para baixo de um Elétrico. Felizmente acabou tudo pelo melhor.

Vale a pena experimentar pelo espaço em si, pela comida, pelo ambiente, pela música, por tudo. Poderão sair um bocadinho mais pobres (a nossa ida a Coimbra ficou pelos 22€pp) mas mais ricos em sonhos, como diria a Floribela.


Vão e julguem por vocês próprios.



Calçada São Francisco 6, 1200-289 Lisboa

Horário | 2ª - 12h às 15h | 3ª a 5ª - 12h às 15h/19h às 24h |
6ª e Sáb - 12h às 15h/19h às 02h

Encerra ao domingo e segunda ao jantar | TLF 213460128

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Comentários

Boas, gostava de contactar com o blog, como posso fazê-lo?
Sebastião disse…
Olá!
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